facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 1057 - Já nas bancas!
25/05/2018

Caminhoneiros param em protesto contra reajuste do diesel

Revoltados com o constante aumento de combustíveis, caminhoneiros de todo o Brasil realizam paralisação. O estado do Paraná e os municípios da região de Irati já estão sendo atingidos

Caminhoneiros param em protesto contra reajuste do diesel

A greve dos caminhoneiros se instalou em todo o Brasil na segunda-feira (21). Até esta terça-feira (22), 19 estados tinham mobilizações participando desse movimento, sendo quase 200 pontos interditados no país. No Paraná, segundo a Polícia Federal, até a tarde de terça-feira (22),40 locais já haviam manifestado greve.

Na região, municípios como Prudentópolis, União da Vitória, São Mateus do Sul e Rio Azul aderiram à greve.

Em Irati, os caminhoneiros estão parados na entrada principal da cidade desde segunda-feira, onde deixam passar apenas carros de passeio, caminhões com cargas perecíveis e carros de transporte de pessoas. Porém, os caminhoneiros que estão chegando a Irati pela entrada secundária estão conseguindo acessar a cidade normalmente.

Gelcino Guimarães é caminhoneiro, está participando da greve em Irati e acredita que a greve não deveria ser apenas daqueles que trabalham no segmento de transporte de cargas. “Na verdade essa paralisação não deveria ser só dos caminhoneiros porque não está bom para ninguém.Eu acho que agora era hora de unir, borracheiro, mecânico, lavador, enfim, o Brasil inteiro, porque a gente não está só reivindicando o preço do diesel”, destaca.

A greve está sendo organizada pela Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), que representa os motoristas autônomos.A paralisação não envolve veículos fretados.

As principais reivindicações dos caminhoneiros são sobre as políticas de reajuste realizadas para definir o aumento dos combustíveis da Petrobras, com a redução da carga tributária para o diesel. Além disso, querem isenção da Cide (Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico).

Gelcino fala que a greve é uma maneira de fazer os governantes entenderem que a classe tem necessidades e que ela está sofrendo com os constantes aumentos. “Todo mundo está ciente que o preço do diesel sendo elevado, ele eleva junto o preço de todas as coisas, então é a hora de todo o brasileiro aproveitar a oportunidade e se unir e mostrar para esses governantes que eles não podem governar o país do jeito que eles querem, favorecendo apenas eles. É o que está acontecendo, a gente precisa lutar pelos nossos direitos”, afirma.

Em Irati, a greve funciona de forma pacífica. Os caminhoneiros estão ocupando áreas nos arredores da BR, fazendo com que o fluxo de veículos pequenos siga de forma normal.

Gelcino enfatiza a decisão dos caminhoneiros em realizar a greve. “Foi um passo importante essa paralisação. A gente não pretende arredar os pés enquanto as nossas reivindicações não forem atendidas, precisamos de melhorias, não só para o caminhoneiro, mas também para o brasileiro”, diz.

Ele também reforça que apenas caminhões que não possuem cargas perecíveis estão sendo parados. “Os caminhões que estão prosseguindo são os caminhões com carga perecíveis, porque a gente não quer também prejudicar. O restante dos caminhões não está passando nada”.

O caminhoneiro garante que a greve não tem data para terminar. Ele alega que vão continuar parando os caminhões até que o governo avalie o que está sendo solicitado.

Confederação

Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) do Brasil, divulgou um vídeo no site oficial da confederação no qual parabenizou a organização dos caminhoneiros. “Quero parabenizar a todos vocês que estão participando desse movimento, registrando ineditamente 190 pontos de protesto por todo o país, mostrando ao mundo que os caminhoneiros brasileiros estão organizados e que respeitam a população e nossas leis”.

Ele também lamentou a falta de resposta por parte do governo. “Lamentavelmente o governo não deu nenhuma resposta para nós sobre as reivindicações apresentadas através de um documento que a CNTA protocolou em Brasília no dia 16, direcionado em todos os ministérios e ao presidente Temer”, lamentou.

Diumar também incentivou a continuidade da paralisação. “Precisamos continuar fortes e unidos, até que o governo atenda ao pedido da categoria, dessa vez pessoal, não vamos aceitar falsas promessas”, incentivou.

Redução do preço

Em meio à greve em todo o país, a Petrobras anunciou na última terça-feira a redução dos valores do diesel e da gasolina. A mudança nas refinarias será de R$ 2,0867 para R$ 2,0433, no caso da gasolina, e de R$ 2,3716 para R$ 2,3351, no litro do diesel. O preço do diesel não baixava desde o dia 12 de maio. Houve seis altas consecutivas de preços antes dessa queda.  No caso da gasolina, o anúncio marca o primeiro recuo no preço desde o dia 3 de maio, após 12 reajustes seguidos.

Confusão

Durante a madrugada de terça-feira (22) ouviu-se barulhos de tiros no local da greve em Irati. Em conversa com os grevistas, eles explicaram que durante a noite um grevista na tentativa de assustar os caminhoneiros que não queriam aderir à greve acabou disparando alguns tiros para cima. Ninguém ficou ferido. O autor dos disparos foi encaminhado pela Polícia Militar até a Delegacia de Irati.

Texto: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Galeria de Fotos