facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 1055 - Já nas bancas!
23/05/2018

Internet: Certas notícias que você compartilha podem ser falsas

Muitas das notícias que circulam na internet podem ser falsas. Antes de compartilhar qualquer informação disponível na internet, verifique se ela é verdadeira

Internet: Certas notícias que você compartilha podem ser falsas

A popularização da tecnologia e o fácil acesso à internet fizeram com que as pessoas fossem expostas a mais informações. De um lado, houve o aspecto positivo, onde as informações do mundo já não são mais fechadas a poucas pessoas. Mas, por outro lado, as pessoas começam a conhecer o aspecto negativo: as chamadas fakenews, termo em inglês usado para denominar as notícias falsas.

As notícias falsas têm se espalhado pelas redes sociais de forma mais ampla do que as notícias reais. Um projeto acadêmico da Universidade de São Paulo intitulado “Monitor do debate político no meio digital” tem pesquisado os assuntos que circulam nas páginas do Facebook e contabilizou de onde surgem os boatos.

O projeto recentemente monitorou as notícias falsas que circularam após a morte da vereadora do Rio de Janeiro, Marielle Franco, nas redes sociais. O WhatsApp foi o primeiro local onde as notícias falsas se espalharam. A pesquisa verificou que 51% das notícias falsas circularam em grupos de família e 32% em grupos de amigos. Além disso, as notícias falsas que mais se espalharam eram as mais simples, feitas apenas de textos. Notícias falsas com imagens e vídeos foram espalhadas, mas em menor número.

Para os pesquisadores Márcio Moretto Ribeiro e Pablo Ortellado, responsáveis pelo relatório da pesquisa, a difusão em grupos de família ocorre porque podem serem considerados espaços íntimos, em que não há receio de ser julgado.

As pessoas compartilham as notícias falsas levadas por sentimentos de surpresa, repulsa e medo. Por exemplo, não é difícil encontrar na internet fotos de crianças doentes, onde a legenda descreve que o Facebook dará R$ 0,50 à criança para cada vez que a publicação for compartilhada. No entanto, a informação é falsa. Muitas pessoas, por dó ou por falta de informação, acabam compartilhando as informações falsas, acreditando que estão ajudando aquela criança.

Recentemente, o hospital Dona Darcy Vargas, de Rebouças, foi vítima da prática. Uma foto circulou em grupos de WhatsApp dizendo que havia uma paciente perdida. No entanto, a paciente nunca existiu no hospital e o nome do hospital estava errado. Em uma pesquisa na internet, foi possível encontrar a mesma foto com notícias falsas na Argentina e na Bahia. A identidade da mulher nunca foi revelada.

Desvendando boatos

Edgard Matsukié jornalista e idealizador do site Boatos.org, especialista em desmentir fakenews que viralizam na internet. Entre as notícias que eles mais desmentem estão quantitativamente assuntos com política, saúde e temas ligados ao cotidiano. Para Edgard, as notícias falsas que mais são difíceis de desmentir são as que circulam no WhatsApp.   “Em termos de dificuldade, creio que os áudios de WhatsApp são os mais complicados por terem poucas referências de fontes”, conta.

O jornalista destaca a metodologia aplicada pela equipe para desmentir um boato. “A metodologia varia de caso para caso. Mas uma coisa é importante: todos os nossos textos possuem detalhes e motivos que levam a notícia ser considerada falsa”, disse.

Um dos meios para detectar se uma notícia é verdadeira ou falsa é avaliar se as informações são confiáveis e se a notícia está em algum meio de comunicação. “Precisamos fazer análises de conteúdo, verificar a fonte da informação, se teve conteúdo divulgado em fontes confiáveis, se os conteúdos multimídia (vídeos e fotos) passaram por edição e entrar em contato com as pessoas citadas no boato”, comenta Edgard.

A investigação para desmentir o fakenews precisa ser aprofundada. Segundo Edgard, o boato só é desmentido quando for constatado que realmente é mentira.  “Se depois de lançar mão de todas as estratégias para desmentir e ainda não tivermos certeza de que o conteúdo é falso, não publicamos”, destaca.

Quando é verdade

Edgard conta que já aconteceu de vários casos considerados absurdos serem verdadeiros. Quando isso acontece, o site não publica nenhuma informação. “Quando confirmamos que o conteúdo é verdadeiro, também não publicamos. Muita gente questiona isso, mas fazemos para não confundir os nossos leitores. Faz parte da nossa linha editorial”, fala.

Roubo

Um dos riscos das notícias falsas é que elas podem ser usadas para roubar dados como ocorreu com uma propaganda falsa do O Boticário. Na semana do Dias das Mães, o Boatos.org chegou a desmentir sete golpes envolvendo a empresa.

Em um dos golpes o consumidor recebia uma mensagem no WhatsApp, onde o texto dizia que a empresa estava realizando uma promoção de Dia das Mães. Para ganhar o brinde, a pessoa deveria entrar no site indicado e responder a três perguntas e depois compartilhar o link que havia recebido com mais dez amigos. Infelizmente as informações eram falsas. O Boatos.org classificou essa ação como sendo “phishing”, traduzido para o português, como roubo de dados. Nesse caso, além das pessoas caírem no golpe, elas também induzem outras pessoas a acreditar na informação.

Outra situação é envolvendo vagas de emprego que se tornaram virais. O público alvo são pessoas que estão desempregadas, isto é, mais sensíveis a esse tipo de notícia. A equipe do Boatos.org sabe lidar muito bem com esse tipo de fakenews, já que os criminosos utilizam sempre o mesmo método. “Em alguns casos como em golpes de falsas vagas de emprego no WhatsApp, a metodologia dos golpistas sempre se utiliza do mesmo sistema para roubar dados”, diz.

Rejeição

Mesmo com a tecnologia dando suporte a quem queira confirmar se a notícia é falsa ou não, muitas pessoas ainda tendem a continuar acreditando na mentira. “Infelizmente, há muitas pessoas que levam um argumento até as últimas consequências. Neste sentido, "vomitar" dados não confirmados faz parte do jogo. Como lidar? Sinceramente, não sei. O trabalho que fazemos e que muitos fazem de checar pode ajudar a desmascarar uma farsa, mas não tenho certeza se fará as pessoas pararem de usá-las em benefício próprio’, argumenta.

 

Como descobrir se a notícia é fakenews?

1. Cheque a fonte da fonte

Certos sites republicam notas que saíram em outros sites, principalmente quando o idioma é diferente. Dois cenários são possíveis aqui: um erro de tradução que pode originar o sentido da notícia ou a própria nota original ser uma fakenews por si só. Por isso, para identificar fakenews dessa maneira, basta clicar no site da fonte e, se puder ler no idioma original, conferir a publicação para saber se houveram erros na tradução ou se o próprio site que gerou a notícia é confiável.

2. Evite sites conhecidos por sensacionalismo

Evite páginas e sites que normalmente recorrem ao sensacionalismo em primeiro lugar e deixam a verificação para depois.Procure conhecer quais sites são esses e leia-os com dez vezes mais ceticismo que o comum. Ou evite-os, caso reportagens sensacionalistas não sejam seu objetivo.

3. Leia a matéria completa, não apenas sua chamada

Antes de clicar no botão de compartilhar, leia a matéria completa. Muitas das notícias falsas se utilizam de chamadas apelativas para que a mensagem seja compartilhada. No entanto, apesar do título, a notícia que está na matéria não representa verdadeiramente o título.

4. Cheque outras notícias do mesmo site

Algumas vezes, identificar fakenews pode ser um trabalho difícil, já que algumas chamadas são plausíveis, mesmo que improváveis. Por isso, antes de confiar na veracidade de uma notícia em questão, leia outros artigos desse mesmo site e cheque se já foram desmentidos em algum momento no passado. Caso tenha muita incidência de notícias que foram provadas falsas, desconsidere seu conteúdo.

5. Confirme a confiabilidade do autor

Conferir a reputação do site normalmente já é uma boa solução para identificar fakenews. Mas vale também fazer uma checagem sobre o autor em questão. Ele costuma publicar notícias consideradas falsas com frequência? O nome que usa para assinar uma matéria é o mesmo de sua identificação? O autor realmente existe? São perguntas que deve responder antes de compartilhar uma notícia.

6. Cheque por erros de formatação ou ortografia

Como muitos sites de notícias falsas não são comandados por pessoas profissionais, fique de olho ao design do site e até mesmo a ortografia na matéria. Erros pequenos são comuns mesmo nas publicações mais relevantes, mas quando erros grotescos são o padrão de um site ou seu layout não inspira confiança, é bastante possível que esteja lidando com fakenews.

7. Pesquise a notícia no Google

Ficou chocado com a notícia da morte de uma celebridade, mas só viu apenas uma página falando sobre isso? Ou eles deram um grande furo de notícia ou estão apenas a compartilhar boatos.Para tirar suas dúvidas, procure a chamada no Google e verifique quantos – e quais são – os sites que publicaram uma nota semelhante. Notícias importantes se alastram rapidamente, portanto, se apenas um site está falando sobre isso, é muito provável que seja fakenews.

8. Confira a data de publicação dos posts

Apesar de importante, muitas pessoas se deixam levar e compartilham uma notícia velha como atual. Ou seja, a notícia já aconteceu a tanto tempo que, caso publicada atualmente, se torna uma notícia falsa. Por conta disso, sempre verifique a data de publicação antes de clicar no botão de compartilhar e suspeite caso essa data não esteja clara no site de origem.

9. Na dúvida, não compartilhe

Se você receber uma mensagem e desconfiar que talvez possa não ser verdade, não compartilhe. Compartilhe mensagem que você tenha 100% de certeza que são verdadeiras.

Texto: Silmara Andrade e Karin Franco/Hoje Centro Sul

Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul e Unsplash

 

Galeria de Fotos