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Edição 1086 - Já nas bancas!
18/05/2018

Pesquisadora recebe Menção Honrosa por trabalho sobre tradições culinárias polonesas

Pesquisadora recebe Menção Honrosa por trabalho sobre tradições culinárias polonesas

No início deste mês, a pesquisadora Neli Teleginski recebeu uma Menção Honrosa no I Prêmio Ecléa Bosi de História Oral, realizado no encerramento do XIV Encontro Nacional de História Oral, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), no dia 04 de maio.

A premiação foi concedida ao trabalho realizado em sua tese de doutorado, quando pesquisou as tradições alimentares dos poloneses da região, que transmitem seus conhecimentos de forma oral. “Foi uma emoção e uma conquista pessoal muito significativa, coroando uma pesquisa que realizei entre 2012 e 2016, onde busquei registrar o patrimônio alimentar dos poloneses da região Centro Sul. Foi também um momento de reconhecimento do valor das tradições culturais eslavas e das pessoas que se esforçam para preservá-las no seu dia a dia. Esta sociedade se tornou ainda mais visível neste momento perante a comunidade acadêmica”, disse.

Pesquisa

A pesquisa foi compilada na tese intitulada “Sensibilidades na cozinha: a transmissão das tradições alimentares entre descendentes de imigrantes poloneses no centro-sul do Paraná", defendida na Universidade Federal do Paraná (UFPR) em 2016 e disponível para consulta pública no site do Programa de Pós-Graduação em História da UFPR.

O trabalho traz relatos de descendentes de poloneses de Irati, Mallet e Prudentópolis, que contaram as memórias e histórias das famílias relacionadas à culinária polonesa. Além de receitas, o trabalho reúne a tradição do alimento nas festividades, como Natal e Páscoa, bem como seus significados. “Pude verificar que muitos desses saberes e alimentos artesanais estão perdendo espaço para o consumo de produtos industrializados. Um exemplo disso são os fermentos naturais que as ‘babas’ utilizavam para fazer pães, broas e "cuques" de forno à lenha e que foram substituídos por fermentos industrializados”, relata.

Ela destaca também que, ao mesmo tempo, ainda há um trabalho de preservação desta cultura. “Um lócus importante desta preservação ocorre na feira de produtores de Irati, onde muitos destes produtos artesanais e da tradição alimentar eslava como as broas, os embutidos, as geleias e conservas continuam sendo comercializados e devem ser valorizados. Há também muitas mulheres na nossa região que complementam a renda de suas famílias comercializando os ‘pierogues’ congelados nos supermercados ou em empresas que se especializarem no comércio de massas artesanais. A Braspol também tem um papel importante na preservação das tradições alimentares, sobretudo quando promovem jantares típicos e o Natal polonês, convidando as cozinheiras e cozinheiros da região para preparar deliciosos pratos”, acredita.

A pesquisadora conta que tem intenção de dar continuidade à pesquisa. “Quero dar continuidade a estas pesquisas e espero que esta região abrace seu patrimônio, preserve-o e mantenha incentivando as novas gerações a continuarem nesta seara. Que possamos valorizar mais aqueles que plantam, colhem e cozinham nossa comida. Eu cresci e vivi a maior parte da minha vida na cidade de Irati. Vi as mulheres da minha família cozinhando os alimentos que plantavam.Sou de uma família inteira de agricultores e de pessoas dedicadas a plantar, criar animais e de cozinhar comidas deliciosas. Este trabalho busca valorizar também os agricultores da nossa região, pois umas das heranças dos imigrantes europeus que legamos foi o trabalho na terra”, disse.

Livro reúne histórias de armazéns e bodegas de Irati

Antes da realização da tese, a pesquisadora Neli Teleginski reuniu em livro a pesquisa feita sobre a história dos armazéns e bodegas da cidade de Irati. O livro "Os dois lados do balcão: armazéns, bodegas e cotidiano em Irati-PR (1907-1970)", publicado ano passado, reúne informações sobre as mudanças ocorridas ao longo do tempo no comércio iratiense e também em suas leis, transformações urbanas, indústria extrativista de erva-mate e madeira entre outras práticas do cotidiano em Irati ao longo do século XX.

“No livro eu também escrevo sobre comida, mas conto ainda diversas outras histórias vividas entre comerciantes e fregueses das antigas e das ainda presentes bodegas da cidade. Eu estudei documentos do início do século XX que tratavam dos estabelecimentos comerciais que vendiam "um pouco de tudo", que serviam como fornecedores de produtos. Estes estabelecimentos também eram pontos de encontro para jogar, beber, conversar e saber das notícias em um período da história da cidade em que quase tudo chegava e saia através dos trens. Somente no final da década de 1960 é que começaram a abrir os primeiros supermercados da cidade, mas até então tudo se comprava nos armazéns e nas bodegas”, conta.

O livro está disponível para compra no site da Alameda Editorial, da Livraria Cultura e Amazon. Também é possível deixar pedidos no sebo ou através do e-mail nteleginski@yahoo.com.br.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Foto: Divulgação

 

 

 

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