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Edição 1050 - Já nas bancas!
10/05/2018

Geração de empregos é desafio para cidades do interior

Cenário nacional é de recuperação lenta da economia, com empregos tendo leves aumentos e recuos ao longo de um mesmo ano. Dentro desse contexto, cidades do interior têm o desafio de gerar empregos para população. Economista comenta alguns desses desafios

Geração de empregos é desafio para cidades do interior

No último ano, a economia brasileira tem mostrado sinais de recuperação, mas ainda pequenos para uma população que busca diariamente uma colocação no mercado de trabalho. Segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD), realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e divulgada no mês de abril, o Brasil possui 13,7 milhões de desempregados.

O número é menor do que no mesmo período do ano passado – no primeiro trimestre de 2017 eram 14,2 milhões -, mas se for comparado ao último trimestre do ano passado, quando havia 12,3 milhões, o desemprego aumentou no Brasil.

Em março, o Brasil fechou com uma população ocupada de 90,6 milhões de pessoas, número menor em comparação ao último trimestre de 2017, mas maior do que do início do mesmo ano.

Já nos postos de trabalho que surgiram é possível verificar que muitas pessoas conseguiram uma recolocação, mas sem carteira de trabalho. O número de pessoas com carteira de trabalho é de 32,9 milhões, menor do que do ano passado. Enquanto o número de pessoas trabalhando sem carteira de trabalho é maior do que comparado com o ano passado. De janeiro a março de 2017 eram 10,1 milhões e em 2018, 10,7 milhões.

O número de empregadores também cresceu. No trimestre de 2017, eram 4,1 milhões de empregadores. Em 2018, o número cresceu para 4,3 milhões.

Outro número que cresceu no último ano, mas diminuiu no início deste foi o de pessoas que trabalham por conta própria. No início de 2017, eram 4,1 milhões. O numero subiu para 4,4 milhões no final do ano passado, mas diminuiu no início deste ano, finalizando março com 4,3 milhões de pessoas trabalhando por conta própria.

Desafio

Dentro desse cenário nacional, com a economia tentando se recuperar, mas ainda de forma lenta, estão as cidades do interior, que encaram o desafio de ter postos de trabalho para sua população, e assim, ajudar a desenvolver os municípios.

A economista Mônica Aparecida Bortolotti, mestre em Desenvolvimento Regional (UTFPR)e doutoranda em Políticas Públicas (UFPR), explica que o comércio e a prestação de serviços costumam ser os setores que mais empregam nas cidades de pequeno porte. “Geralmente, o setor mais representativo na geração de emprego formal (com registro) é o terciário (comércio e prestação de serviço), seguido pelas vagas geradas na Administração Pública, posteriormente a indústria (setor secundário) e em último lugar o setor da agropecuária (setor primário)”, comenta.

Segundo a economista, dois fatores dificultam a geração de empregos formais. “A dificuldade de geração de empregos formais é consequência primeiramente da vocação econômica da região que é agrícola/pecuária -  poucas pessoas contratadas, ou seja, basicamente trabalho familiar -, e posteriormente, pela informalidade das vagas de trabalho, muitas pessoas trabalhando sem o registro formal”, analisa.

Irati

Em Irati, ela explica que os dados mostram que desde 2015 é possível ver o número de empregos diminuir. “É possível constatar que o município registrou o maior número de emprego formal em 2014 com 12.396, já em 2016 esse número caiu para 11.772, ou seja, reduziu 624 vagas de trabalho formal em dois anos. As vagas de emprego em Irati são predominantemente masculinas ao longo da trajetória, em 2016, 55,9% do total empregados eram homens”, relata.

Serviços, comércio e indústria são os principais responsáveis para a geração de empregos. “É o setor de serviço em Irati que mais gera emprego, seguido do comércio e da indústria, juntos os três representam aproximadamente 90% do total de vagas de emprego, ou outros 10% são da construção civil e a agropecuária”, disse.

Atração de investimentos

Um dos meios que os municípios tentam encontrar para criar mais postos de trabalho é atrair investimentos.

De acordo com a economista, essa busca de investimentos contará com diversos fatores que representarão o perfil do município. “Cada município vai atrair investimento em relação a outro, dependendo do seu diferencial, que pode ser a isenção fiscal municipal, as vantagens comparativas de recurso naturais, mão-de-obra qualificada, localização geográfica, entre outras”, comenta.

Um dos meios que os municípios encontram é a atração de indústrias, já que trazem grande número de postos de trabalho. Segundo a economista, é necessário que os municípios também se preocupem em manter o número de postos de trabalho já existentes. “É muito bom do ponto de vista político atrair indústrias para a geração de empregos, porém a manutenção das vagas já existentes também é relevante. É importante sempre se preocupar com o saldo positivo das vagas de emprego. Outra questão é qual o segmento de indústrias que os municípios estão atraindo, que vai determinar o salário médio dessa ocupação, bem como os recursos utilizados. Muitas indústrias estão se tornando itinerantes, ou seja, acaba o período de isenção fiscal municipal as mesmas buscam outro município para usufruir deste benefício”, diz.

Qualificação

De acordo com a economista, o principal fator para que os empregos sejam de qualidade é a qualificação profissional. “A qualificação profissional da população é determinante para o segmento das vagas de trabalho. Não se pode esperar que municípios que tenham baixo índice de escolaridade passam a atrair vagas de tecnologia e com altos salários, por exemplo. Quanto menor o nível de escolaridade, menor é a remuneração, em geral, o que representa também a maior rotatividade de pessoas na ocupação”, finaliza.

Texto/Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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