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Edição 1041 - Já nas bancas!
11/04/2018

Empresários, sindicatos e população discutem possibilidade de abertura do comércio aos domingos em Irati

Empresários, sindicatos e população discutem possibilidade de abertura do comércio aos domingos em Irati

A possibilidade de abrir o comércio e supermercados aos domingos em Irati sempre foi um assunto discutido entre os empresários do município. Para alguns, a abertura traz mais uma opção aos munícipes, já para outros, a demanda de compra no fim de semana não é muito grande.

Um dos lugares em que este debate tem ocorrido é no Centro Comercial G-Center. No local, atualmente, apenas a Praça de Alimentação tem aberto aos domingos. O comércio, que até ano passado abria aos domingos, tem fechado.“Está fechado até ver se todos concordam, porque não adianta uma ficar aberta e outra ficar fechado porque acaba bagunçando”, relata a vendedora e uma loja de acessórios, Larissa Carolina Karvoski.

Segundo ela, para eles, o comércio aos fins de semana possui uma rentabilidade, mas por questões de horários diferentes, as lojas optaram por fechar até se chegar a um acordo comum.

A gerente de uma loja de assistência técnica, Barbara Leticia Gardin, conta que para eles não há muita demanda e por isso houve a decisão de fechar aos domingos. “Nós não abrimos aqui porque trabalhamos até o sábado à noite e domingo seria o único dia para descansar”, conta.

Já para o setor alimentício, a demanda é grande no fim de semana, fazendo com que esses dias sejam os de maior faturamento. “Sexta, sábado e domingo são os melhores dias de movimento”, relata o gerente de uma pastelaria, Edgar Lechinski Junior.

Ele conta que já era costume da empresa trabalhar aos fins de semana e que a empresa possui toda uma escala de trabalho para que consiga funcionar de segunda a segunda. “Temos escala de trabalho. Não forçamos. Eles trabalham na média de 6 horas por dia e recebem integral”, relata.

O gerente de um restaurante, Davi Simionato, explica que para eles, o local é mais opção. “Desde que a gente abriu o restaurante, achamos importante porque é mais uma opção para as pessoas de Irati. Como Irati é uma cidade que não é tão grande, as pessoas precisam que um comércio aberto para ter opção”, disse.

Esse também é o pensamento de Ângela Aparecida Ayabe que abriu recentemente mais um empreendimento na praça de alimentação. “Eu acho que tem que ter algo aberto no domingo, porque em Irati tem campo pra você trabalhar no final de semana ou no domingo. Se você não abre, os clientes vão pra fora, então a gente tem que abrir”, diz.

E ela vai mais longe, defende que todos os segmentos devem abrir domingo. “É importante o comércio abrir, seja em qualquer segmento, o comércio tem que estar aberto no domingo, para que as pessoas tenham a disposição em tudo que necessitam”, enfatiza Ângela.

Empregos e vendas

O presidente do Sindicato do Comércio Varejista de Irati (Sindirati), Airton José Trento, acredita que a abertura aos domingos poderá trazer mais empregos e incentivar o comércio, para que consiga atrair as pessoas que saem para outras cidades comprar. “Aumenta a remuneração dessas pessoas, e traz a consequência muito justa, que vai aumentar o emprego. As pessoas não vão conseguir manter o mesmo quadro de funcionários. A tendência é aumentar o movimento”, disse.

Contudo, ele destaca que a discussão acontece especialmente entre os sindicatos patronais e de empregados. “Não depende tanto a discussão entre as pessoas e a comunidade, mas fundamentalmente, a discussão entre os sindicatos, principalmente os sindicatos dos trabalhadores de todas as categorias, possam quebrar esse paradigma”, disse.

Já o presidente da Associação Comercial e Empresarial de Irati (Aciai), Oscar Muchau, é mais cauteloso. Segundo ele, as empresas precisam analisar a demanda. “Minha opinião,  hoje em virtude dos custos elevados da hora paga aos colaboradores e também horas-extras, existe toda uma questão de sabermos o que estamos fazendo. Agimos pelo impulso, isso não é ideal. Não acredito que neste momento haverá uma demanda para que todos os lojistas abram nos finais de semana, sábados à noite, ou até mais tarde, ou nos domingos. Porque haverá uma migração das compras, ou seja, quem iria comprar numa segunda-feira ou terça-feira, sabendo que vai abrir o comércio no domingo poderá migrar para o domingo. Essas compras custarão muito mais para o lojista, então tem que também saber botar na ponta do lápis a viabilidade disso”, explicou.

O presidente do Sindicato dos Comerciários de Ponta Grossa e Região, João VendelinKieltyka, que representa os empregados no comércio e supermercados de Irati, destaca que para as lojas do comércio que querem abrir aos domingos, há possibilidade de acordo. “As lojas que quiserem abrir, qualquer domingo, eles deverão comunicar com antecedência de 10 dias para o sindicato - nós temos uma sub-sede em Irati -, e faz–se um acordo. Para as lojas que eventualmente quiserem abrir no domingo, há a possibilidade de fazer esse acordo”, disse.

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Maior divergência acontece com os supermercados

A maior divergência está em relação ao funcionamento dos supermercados nos domingos. Atualmente, os supermercados não estão abrindo aos domingos. SegundoJoão VendelinKieltyka, a abertura é liberada após acordo coletivo. “Não pode abrir enquanto não tiver uma convenção coletiva. No setor de supermercado, existem alguns que abriram e que tem um acordo coletivo, que permite em determinado momento abrir, e ainda podem fazer um acordo coletivo com o sindicato, individual com os supermercadistas e mais outros mercados que queiram fazer. Mas existe também uma ação, que foi juntada todas essas ações e vai ser discutido, isso via judicial, uma abertura ou não. Talvez chegue a um consenso de abrir aos domingos até o meio dia, mas ainda por enquanto não tem nada”, relata.

Já para Antônio Marcos Correia, superintende do Sindi Mercados PR, representante dos supermercados, os estabelecimentos têm direito de abrir aos domingos. “A abertura dos supermercados no domingo não tem nenhum impedimento. Toda a legislação do comércio varejista, de alimentos principalmente, autoriza essa abertura, tanto a lei nº 60.549 quanto a lei nº 10.101/2000, então não tem nenhum impedimento legal para que o supermercado funcione nos domingos. Existe apenas uma questão com relação a feriados a ser observada, mas para os domingos, a legislação é bem clara. O que deve ser aplicado para as empresas são os dispositivos legais da CLT, de estar concedendo a folga compensatória ou a remuneração com 100% das horas trabalhadas para o domingo”, disse.

Para João, a preocupação do sindicato neste assunto é o trabalhador. “Nós sempre fazemos essa pesquisa, levantamento com eles, como que fica o trabalho no domingo? Como que fica o lazer? Para alguns, em mercados grandes, até vai aumentar o número de vagas porque vai trabalhar no domingo, mas também tem que ver a demanda do consumo, se vai ter essa demanda ou só vai dividir durante a semana. Ele vai ter que ter mais funcionários, por outro lado vai ter que dar uma folga obrigatória durante a semana, tem que ver como fica o custo-benefício”, disse.

Outra questão que ele destaca é a de que essa abertura poderia prejudicar pequenos comércios. “Abertura do comércio de supermercado grande quebra os pequenos. Os de vila dependem da venda que acontece domingo de manhã, então alguns mercados pequenos, que é da família, sempre se mantém com essa venda no domingo, porque de manhã vende uma carne assada, vende algum outro petisco e consegue sobreviver. Mas com os grandes, vai acontecer que nem aconteceu em Ponta Grossa. Em Ponta Grossa, por exemplo, mercados pequenos, é um ou outro que sobrevive. E a maioria está fechando em Ponta Grossa. Porque os grandes que estão abrindo no domingo pegam toda a economia desses pequenos e não conseguem sobreviver os pequenos”, comenta o sindicalista.

Para Antônio, os supermercados obedecem a livre concorrência. “O sindicato se posiciona na livre iniciativa e na livre concorrência que são diretos garantidos pela constituição, então o sindicato se põe neste aspecto. Ele não vai negociar nenhum tipo de restrição às empresas trazendo algum cerceamento dessa liberdade”, disse.

 

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O exemplo da Tudo Casa

A loja de roupas, acessórios, decoração e artigos domésticos, Tudo Casa, pertencente ao grupo Ivasko, existe há seis anos em Irati. A empresa já foi criada com o conceito de oferecer atendimento aos domingos. A experiência deu tão certo que, tempos depois, uma filial foi aberta no município de Prudentópolis.

De forma geral, os colaboradores da empresa acreditam que o conceito é positivo. Jocelaine de Camargo Giliczynski trabalha na Tudo Casa desde a abertura da loja e comenta que os clientes estão satisfeitos com a opção de compras aos domingos. “A loja é diferenciada, já começou com o domingo, para ela ser diferente na nossa cidade, e o povo aderiu, porque tem muito movimento no domingo, como eles falam:  ‘é o shopping de Irati’.  A Tudo Casa entrou na vida das famílias de Irati, para fazer a diferença, porque eu vejo por eu mesma, quando eu precisava de um coisa no domingo as vezes não tinha”, comenta.

Ela conta que o fluxo de pessoas na loja é bem maior no domingo do que nos dias de semana e que costumam vir clientes de outras cidades como Imbituva, Rebouças, Rio Azul, dentre outras.

“Sábado e domingo vem muita gente, o fluxo de gente é bem maior, eles pra passear, para comprar também, sempre no domingo sai bastante presente para aniversário, para chá de bebe. E tem o playground, que os pais trazem os filhos e tem a moça que cuida. Daí os pais conseguem sair fazer compras bem sossegado, então, tem cliente assim assíduo”, relata.

Jocelaine  ainda cita que, para o funcionário, o ganho maior por trabalhar domingo é importante. “O domingo representa para mim bastante, porque faz o diferencial no meu salário”, conta.

Andressa Carolina Cerbaro, outra colaboradora da empresa, comenta que gosta de ter um dia livre na semana, por trabalhar domingo.  “Eu particularmente gosto muito, não só pelo dinheiro, que é uma renda a mais, que a gente ganha hora extra, mas pelo descanso semanal, porque é uma coisa diferenciada que a gente tem. Tenho um dia livre para que eu possa organizar as minhas coisas, para que eu possa fazer um pagamento, alguma coisa no banco”, afirma. Ela conta que faz um curso e aproveita estes momentos de folga para estudar.

Além disso, os funcionários não trabalham todo domingo, como explica Maria CristinaTymicly. “Você trabalha um domingo sim, um domingo não. Um domingo você trabalha e tem a folga e o outro domingo tem o lazer pra ficar em casa. Eu trabalho dois domingos no mês e folgo dois. É assim que funciona”, relata.

Outro aspecto defendido por Maria Cristina, que também já trabalha há vários anos na Tudo Casa, é a importância de estar empregada.  “Eles deram essa oportunidade de emprego, que foi o meu primeiro emprego e eu não tinha experiência nenhuma. Desde que entrei, eu já entrei sabendo que teria que trabalhar nos domingos. Eu gosto porque além de eles pagarem 100% de hora-extra, eu gosto também pela folga que a gente tem na semana”, afirma.

 

Enquete

O que você acha de abrir o comércio aos domingos?

“Eu trabalho domingo e feriado.Faz 14 anos que eu trabalho, e trabalho em feriado, e acho normal. [No trabalho] quase ninguém fica. Funcionários antigossão poucos por causa do trabalhar no domingo. A maioria das pessoas não quer.”

Célia Jansen, coordenadorade restaurante

“É bom. Nós que trabalhamos, eu, por exemplo, trabalho direto, às vezes, folga só no domingo. A gente acha bom que a gente faz algumas coisas também.”

Dirceu dos Santos, trabalhador rural 

“Eu sou contra. O povo já trabalha de segunda a sábado até 3 horas da tarde e não vai ter tempo de passar com a família? Eu, se fosse trabalhar no comércio, não teria tempo pra ficar com meu filho, mas nos domingos ia ter.”

Tatiane Lang, cabeleira 

“Eu sou contra. Porque todo mundo merece um dia de descanso.”

Vanda Freitas, aposentada 

“Eu trabalho nos domingos e não é fácil. Mas acho bom. Porque às vezes durante a semana tem aquela correria, quem trabalha não tem tempo pra fazer uma compra. No domingo, teria tempo para sair.”

Marina Hul, cuidadora de idoso

“Acho ótimo, porque às vezes não temos como vir durante a semana. Loja, mercado seria bom estar aberto, nem que fosse só de manhã, ou só depois na hora do almoço. Era uma boa.”

Sueli Silva 

“Mercado faz falta estar aberto”

Anita Silva 

 “[Estados Unidos] Depende da área. Acho que muitos lugares estão abertos no domingo. Mas nós, como missionários, gostaríamos de ter os comércios fechados no domingo.”

AllieRichael, missionária da Igreja Mórmon dos Estados Unidos em Irati

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco e Letícia Torres/Hoje Centro Sul

 

 

 

 

 

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