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Edição 1101 - Já nas bancas!
29/03/2018

Até quando?

Até quando?

A visita aos distritos policiais deixa evidente que as repartições estão com uma estrutura precária,pouco propícia para a investigação criminal. Mais que atividades de inteligência, imperam ali a burocracia, em que a função policial se confunde com a produção de documentos e cuidado dos presos.

Na região Centro Sul, predominam as delegacias superlotadas. Em um lugar que comportaria oito pessoas, 24 presos estão aglomerados e, devido à falta de espaço, precisam se revezar para conseguirem se deitar. Que tipo de ressocialização acontece em um espaço quatro por quatro? Nós respondemos: nenhuma.  Como vamos mudar o pensamento desses criminosos se os deixarmosamontoados, sem nenhum trabalho que possa ressocializá-loscom o mundo?

Muitos acreditam que quem está na prisão precisa sofrer porque cometeu um crime e deve pagar pelo que fez. Pagar pelos crimes cometidos é algo justo. Porém,é preciso questionar que tipo de cidadão esse preso, que não teve ressocialização, se tornará após a prisão?Certamenteesse bandido que vive aglomerado e sem trabalho voltará para as ruas com um único pensamento: o de se tornar um bandido com mais habilidades para o crime, já que dentro da cadeia só conseguiu aprender isso. Em vez de receber um indivíduo reabilitado, recebemos um bandido ainda mais treinado.

Não são apenas os presos que sofrem com a falta de estrutura das delegacias da região. Os investigadores estão passando por momentos difíceis, pois muitas vezes precisam deixar sua função de esclarecer crimes para cuidar de presos,e por consequência, processos se acumulam nas mesas, dificultando ainda mais o trabalho na delegacia. Outro fator preocupante é a falta de pessoal que faz com que serviços à população sejam prejudicados, como a realização de boletins de ocorrência.

Junto a todo esse cenário, as fugas constantes têm preocupado a população, que muitas vezes não para pra pensar nem da condição de superlotação das delegacias, nem da sobrecarga dos profissionais da polícia civil.

Todas essas informações não são novas para o poder público, que sabe da superlotação e da necessidade da transferência imediata dos presos que já foram julgados para penitenciárias – outro grande problema, já que não há vagas suficientes para todos. Há muitas leis não cumpridas em um cenário bem longe do ideal. Falta dinheiro para investimentos no sistema penitenciário. Falta interesse da população para se preocupar com presos, com ressocialização. E com isso, o problema vai aumentando a cada dia, assim como a sensação de insegurança entre as pessoas que moram em cidades como Irati e Rebouças, que convivem com carceragens na área central das cidades e fugas e rebeliões constantes. Até quando a realidade será essa?