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Edição 1063 - Já nas bancas!
21/03/2018

Centro de Irati tem pontos de alagamentos após fortes chuvas

Empresários e moradores falam sobre alagamentos que ocorreram na tarde de quarta-feira (14). Secretário de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Dagoberto Waydzik, destaca ações que serão feitas

Centro de Irati tem pontos de alagamentos após fortes chuvas

A manhã de quinta-feira (15) foi de muita limpeza para os atingidos pelos alagamentos que aconteceram na tarde de quarta-feira (14) em Irati. Os alagamentos afetaram diversos pontos do centro e ruas tiveram que ser interditadas para evitar a passagem de veículos.

Os alagamentos ocorreram em pontos que sofrem constantemente com as chuvas de maior volume. Um deles é a rua Carlos Thoms, que foi novamente uma das principais atingidas. O trecho próximo à Praça da Bandeira e à Receita Federal ficou alagado e a altura da água chegou perto de 30 cm em alguns locais.

Os empresários contam que tiveram que colocar placas com vedação em todas as portas para evitar que a água invadisse os imóveis. “Faltam uns dois dedos para entrar água. Para nós nunca chegou a entrar água, mas já são três enchentes que dá esse desespero”, conta Paulino Ferreira Bueno, proprietário da panificadora Mundial.

Os empresários contam que a falta de escoamento no trecho é um dos complicadores, especialmente porque o local acaba recebendo a água dos lugares mais altos da cidade. “A água vem, ela não consegue escoar, ela para aqui e a tendência é só subir”, relata Álvaro Pedroso, da Irabox.Segundo a prefeitura de Irati, os alagamentos nessa região aconteceram porque a antiga galeria subterrânea, feita nos anos 50, há anos não comporta mais o volume de água de intensas precipitações, principalmente aquele proveniente de pontos mais altos da cidade que acaba desembocando ali.

João Francisco Gadens, do restaurante e açougue Marama, disse que os recorrentes alagamentos já fazem com que ele pense em fechar o negócio. “A casa de carnes aqui eu vou fechar, porque não aguento mais. Chega. Meus filhos não vão precisar e para mim, esgotou. Não adianta. Toda a vida a mesma coisa. Por sorte ontem foi de dia quando estava com os funcionários. Mas e se fosse de noite?”, relatou.

Além disso, muitos empresários reclamaram que houve demora parainteditar as ruas alagadas, para impedir que veículos passassem e empurrassem a água para dentro dos imóveis. A equipe do jornal Hoje Centro Sul entrou em contato com a Guarda Municipal ainda na tarde de quarta-feira, que informou que estava atuando nas principais ruas, conforme a demanda e efetivo. Polícia Militar e Iratran também participaram do monitoramento e orientações.

Os alagamentos também atingiram moradores da área central da cidade. José Leandro Camargo e Sônia Camargo moram na rua Carlos Thoms, em uma casa de madeira alugada. Durante a forte chuva, o muro do vizinho caiu no terreno e alagou o imóvel. A água cobriu o solo da casa e também atingiu o banheiro. “Umedeceu o soalho. A porta já não está querendo fechar. Se eu não tivesse chegado a tempo e aberto o portão, tinha entrado mais água. Eu tinha ido buscar meu filho na catequese e o portão estava fechado. Passei três horas e estava normal, mas o muro por baixo é feito para a água vir pra cá quando enchesse, só que encheu de cisco e foi levantando. Enquanto fui buscar ele, o muro caiu e encheu tudo”, relata José.

Moradores de outros pontos também sofreram com alagamentos por causa da dificuldade de escoamento da água. É o caso de Ana Rita Chuproski, que mora próximo à ruaPadre Paulo Varcovcz. Uma das construções de seu terreno chegou a ter aproximadamente um metro de alagamento, inutilizando diversos móveis. “Acho que está no terceiro guarda-roupa”, conta. Além dos móveis, a família de Ana também perdeu diversos materiais usados para obter a renda familiar, como materiais para artesanatos e de carregamento de cartuchos para impressoras. “Minha filha tem um negócio de cartucho, que meu piá trabalha pra ela, está legalizado, mas olha o que virou. Eu também lido com artesanato. Isso é do artesanato do natal, e os de páscoa eu abaixei e separei o que vou usar”, conta Ana, mostrando a sala arruinada pelo alagamento.

Outras partes foram atingidas na quarta-feira como a Rua Conselheiro Zacarias, proximidades da Copel, Rua dos Operários e Rua da Liberdade. Comércios da Rua da Cidadania também registraram alagamentos. Na Dr. Munhoz da Rocha, os bueiros também não aguentaram o volume de água e lojas que estavam no nível da calçada também sofreram com alagamentos. No estádio Coronel Emílio Gomes, o campo também alagou, adiando o jogo entreIraty e Batel, pela sétima rodada da divisão de acesso do Campeonato Paranaense.

Prefeitura

Segundo a prefeitura de Irati, a água recuou rapidamente em muitos pontos de alagamentos onde já foram realizados trabalhos de prevenção. Um deles é a Rua Conselheiro Zacarias, onde foram realizadas obras de tubulações nas regiões próximas. No local, a água levou menos de 12 minutos para escoar, após a precipitação parar.

O secretário de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, Dagoberto Waydzik, lembrou que este é um problema de décadas, mas que obras ajudaram a não ter um cenário pior. “As obras feitas no ano passado salvaguardou maiores enchentes, como nas Canisianas, Vila Nova, deu um pequeno alagamento, mas não enchente maior”, disse.

No entanto, apesar das obras, a dragagem no Rio das Antas está parada. O secretário explica que já está sendo feita uma licitação que contratará mil horas de uma escavadeira hidráulica para continuar a dragagem, da Vila Nova até o centro. “Nós fazemos de acordo com a disponibilidade financeira, mas esse serviço é permanente. É muita sujeira e muita construção no alto. Cada vez a permeabilizaçãodo solo está aumentando mais”, explica.

Ponte de Safena substituirá galerias

Uma licitação já está em andamento para a realização de um canal hídrico, chamado de Ponte de Safena, entre a Dr. Munhoz da Rocha e a Conselheiro Zacarias. Esse canal deverá substituir as galerias antigas. “Estas galerias antigas, de pedra, já cumpriram seu papel no passado, mas hoje dependem de outras canalizações para conseguirem escoar a água de uma Irati cada vez mais impermeabilizada por asfalto e edificações. Não há hoje, também, como derrubar as construções que existem em cima deste sistema”.

Entretanto, Derbli alerta que a obra do novo canal terá um impacto enorme na realidade central da cidade durante sua execução, pelo tamanho e complexidade. “Serão aproximadamente 200 metros de extensão, começando nas proximidades do Marama, entre o passeio e a Rua Carlos Thoms, para confecção de galerias de 1,5 metro de altura por quatro metros de largura”.

O prefeito também detalhou sobre a confecção de bocas de lobo maiores naquele trecho da Munhoz da Rocha, para escoamento neste canal hídrico, passando em frente à Irabox, e descendo à esquerda da Praça da Bandeira, até cruzar a Conselheiro Zacarias, antes da rede ferroviária. “Esta galeria vai ter condições de tirar toda essa água dali, além de outros ramais que faremos na Munhoz da Rocha para desembocar também nesta grande obra, para dar mais vazão à água”, complementou.

Fiscalização

Um dos problemas em Irati é a construção irregular. Muitos córregos e rios são aterrados sem um estudo técnico, o que prejudica o escoamento da água. Segundo o secretário, Dagoberto Waydzik, a pasta tem fiscalizado as construções. “A partir dessa gestão nós estamos fiscalizando o máximo possível. Alguma coisa passa porque começam a construir e não dá tempo de segurar. Mas a partir dessa administração está sendo fiscalizado rigorosamente. Ocorre que foram feitas muitas construções, ali na perimetral mesmo inadequadamente, afogando córregos e rios”, explica.

O secretário orienta que a população pode denunciar casos à Defesa Civil e ao Ministério Público. “Logicamente se houver construções que dêtempo de segurar, a Secretaria segura. Mas se a pessoa estiver morando é difícil segurar”, disse.

Chuva

De acordo com dados do Inmet, a estação convencionada localizada no Colégio Florestal em Irati registrou um acumulado de 75,6mm de quarta-feira (14) para quinta-feira (15). Ao todo, já foram 136,7mm de chuva somente em março. Segundo a Secretaria de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo, alguns pontos chegaram a registrar 92mm em apenas uma hora.

Apesar do sol entre nuvens, a previsão é de chuva para os próximos dias, com chuvas e trovoadas principalmente à tarde.

Ações realizadas e serviços programados

A Secretaria de Arquitetura, Engenharia e Urbanismo divulgou ações que foram feitas:

Foi realizado, em 2017, um canal hídrico dentro da propriedade da madeireira Dallegrave, após a rede ferroviária, com tubulações (manilhas) duplas de um metro de diâmetro, que ajudou a amenizar antigas inundações na Rua Marechal Floriano e imediações.

Foi realizada, em 2017, a dragagem do Rio das Antas, no trecho entre a ponte da BR-277 até a Vila Nova, com extensão de 3.708 metros, que aumentou o escoamento das águas pluviais.

Em 2018, já foram liberadas pelo prefeito Jorge Derbli mais 1.000 horas de escavadeira hidráulica para continuidade dos serviços de dragagem do rio, do Bairro Vila Nova até o centro da cidade. Esta nova etapa do serviço deverá iniciar entre 10 e 15 dias.

Também está prestes a ser homologado o contrato do canal hídrico da Rua Carlos Thoms, extensão entre a Rua Munhoz da Rocha e a linha férrea, para melhor escoamento do Arroio dos Pereiras. Já existe vencedora do certame, porém, está sendo reanalisada a habilitação técnica da empresa, para assinatura da Ordem de Serviço. De acordo com o setor de Licitações da Prefeitura de Irati, o projeto envolve valor de R$ 1.176.285,76.

Entre 2017 e 2018 foi licitado o Plano de Macrodrenagem, onde existe vencedora da licitação, que está aguardando a assinatura da Ordem de Serviço pela Prefeitura Municipal. Este plano estudará a contribuição de cada bacia hídrica, e as futuras soluções para que a velocidade de escoamento de águas pluviais seja eficiente e evite inundações ou enchentes.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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