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Edição 1080 - Já nas bancas!
01/03/2018

Consumido pelo fogo

Consumido pelo fogo

Na segunda-feira o Centro de Eventos Italiano amanheceu de modo diferente. Não encontramos a portaria com aquela fila gigantesca, não havia nenhuma músicanem pessoas dançando, as luzes não eram coloridas, elas eram laranja na cor do fogo, e o rosto das pessoas não era de felicidade. Em vez de alegria encontramos a tristeza, em vez de pessoas produzidas encontramos pessoas assustadas que olhavam sem acreditar no que estava acontecendo, em vez de camarotes lotados de gente jovem e bonita, encontramos calçadas cercadas de pessoas tristes, lamentando o ocorrido.

A alegria deu lugar à tristeza. As edificações muito bem feitas e decoradas foram ao chão, não se via mais os funcionários servindo bebidas, ou tocando um som para a galera dançar, mas se via muita união, muita gente ajudando, funcionários limpando os lugares onde o fogo não atingiu, a correria era grande.

Os bombeiros estavam usando o seu mais bonito traje, aquele de herói. A família proprietária do lugar parecia não acreditar, tudo estava no chão. Tudo ainda estava caindo. Não tinha mais nada. Não sobrou nada. A tristeza tomava conta do lugar.

Na sala ao lado, onde entrávamos para tomar doses de felicidades toda vez que iríamos em um evento por lá, aconteceu um “milagre”. Ou será apenas uma coincidência? Na parede no centro do escritório, no mesmo lugar onde sempre ficou, estava um crucifixo. Intacto, firme e forte no mesmo lugar. Tudo estava no chão, mas ele estava lá.  Em sua volta a parede continuava clara, limpa, como se tivesse tido proteção.

Uma fatalidade? Um crime? A suspeita é que o crime tenha sido provocadoa tragédia. O fogo começou na parte de trás, próxima ao prédio, em uma construção antiga, onde funcionava uma antiga gráfica. Ali costumavam ficar muitas pessoas sem abrigo, pessoas que buscavam um lugar quente e seguro para dormir, e nessas idas e vindas uma pessoa estava lá, uma pessoa foi pega pelas chamas, que consumiram seu corpo. Ainda não se sabe o seu nome, nemse era homem ou mulher, não se sabe de onde vinha ou que nome tinha, só se sabe que era uma vida, que tinha sonhos e planos como todos nós.

A tragédia poderia ter sido maior, poderiam ter morrido mais pessoas, poderiam ter queimado mais prédios, mas a família, aquela que estava com os olhos tristes, percebeu que o fogo estava vindo, e quase como um golpe de loucura tentava apagar aquele fogo gigantesco que insistia em crescer. A estrutura era bem feita, bem organizada, vários hidrantes facilitaram o trabalho dos bombeiros, que foi rápido e eficaz, fazendo com que as chamas fossem totalmente apagadas em poucas horas.

Agora só nos resta torcer para que o lugar continue contando belas histórias. Torcer para que o lugar renasça através das cinzas assim como a fênix renasceu. Aguardamos os próximos capítulos desse lugar que continuará sendo marcado por sorrisos. Que tal uma balada no Italiano daqui a alguns finais de semana?