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Edição 1026 - Já nas bancas!
07/02/2018

Preço da gasolina aumenta pela décima semana seguida

Levantamento realizado pelo Jornal Hoje Centro Sul em vários municípios da região, verificou que é em Irati onde estão os preços mais altos. Representantes dos setores comentam os aumentos de preços

Preço da gasolina aumenta pela décima semana seguida

O preço de gasolina comum no Paraná subiu pela décima semana seguida, segundo dados da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Em novembro do ano passado, o preço médio do litro era de R$3,926. Na semana passada, o preço médio no estado chegou a R$4,138/litro, com um preço máximo de R$4,49.

Na região, a situação é pior. Um levantamento feito pela equipe do Jornal Hoje Centro Sul nesta quarta-feira (31) constatou que, dentre os municípios pesquisados, Irati é o que possui a gasolina mais cara, com preço maior do que em muitos municípios do estado.

Em Irati, o preço médio por litro foi de R$ 4,478, com preço máximo de R$ 4,550 e preço mínimo de R$ 4,390. Logo após vem Inácio Martins, onde o preço médio da gasolina chega a R$ 4,470.

O município com o preço mais barato da gasolina comum é Fernandes Pinheiro, com o litro custando R$4,320.

Se comparar com outros municípios do estado, Foz do Iguaçu é o que tem o preço mais próximo do que é praticado na região, sendo que o preço médio da gasolina está R$ 4,349.

Em Ponta Grossa, o preço médio do litro está em R$4,25, sendo que o preço máximo é de R$ 4,39. Em Curitiba, o preço médio da gasolina é de R$4,036.

A diferença dos preços da gasolina comum em diversos lugares tem movimentado discussões nas redes sociais. Em Irati, internautas estão se mobilizando nas redes sociais para realizar um protesto na manhã deste sábado (03), às 10h, no centro do município, contra o aumento da gasolina.

Postos de combustíveis

O Jornal Hoje Centro Sul entrou em contato com o Sindicato dos Revendedores de Combustíveis e Lojas de Conveniências do Estado do Paraná (Sindicombustíveis-PR) para saber o motivo do aumento dos preços. Em nota, o Sindicombustíveis-PR destaca que o preço final aos consumidores é influenciado por diversos fatores, e que os postos de combustíveis não são os culpados pela elevação dos preços.

“Em primeiro lugar, lembramos que no Brasil a carga de impostos sobre os combustíveis é extremamente grande. No caso da gasolina, os tributos estaduais e federais representam cerca de 50% do valor final. Para agravar esta situação, no ano passado o governo federal mais que dobrou o imposto PIS/Cofins, e isto teve reflexo imediato nos preços”, explica.

Por meio de nota, o sindicato também relatou que a elevação vista nos últimos meses é reflexo de uma decisão da Petrobrás. No ano passado, a estatal anunciou que mudaria a sua política de preços, aumentando a frequência de ajustes de preços, que segundo o site da companhia, ajudaria a trazer maior aderência dos preços do mercado doméstico ao mercado internacional no curto prazo, possibilitando a companhia competir de maneira mais ágil e eficiente. Segundo oSindicombustíveis-PR, o que se viu foi a alta dos preços. “Desde julho do ano passado, a estatal vem realizando alterações quase diárias. Apesar de trazer algumas baixas, a tendência geral foi de grande alta. De julho para cá, a gasolina nas refinarias aumentou mais de 20%. Vale lembrar que o Governo Federal é o maior acionista da Petrobras, empresa que teve prejuízos imensos com a corrupção nos últimos anos”, explica nota.

O Sindicombustíveis-PR alega ainda que as distribuidoras acabam não repassando os preços aos postos de combustíveis. “Os postos não compram seus produtos diretamente das refinarias. Compram das distribuidoras. Estas grandes companhias têm repassados os aumentos com agilidade, ao mesmo tempo que demoram ou não repassam as baixas”, destaca nota. “A alta de combustíveis não é culpa dos postos, e sim do Governo Federal, Petrobras e companhias distribuidoras”, afirma em nota.

O sindicato diz que a diferença vista entre cidades é causada pelas distribuidoras que trabalham com diferentes preços em diferentes lugares. “Outros fatores são os custos que cada cidade oferece, que vão do transporte do produto e aluguel do ponto até seguros, e o volume de venda. Em Irati, por exemplo, temos um grande número de postos em relação ao tamanho da população - são 16. Com isto, o volume de litros vendidos de cada posto é muito mais baixo do que em outras cidades, conforme relatos de postos locais. Com um volume menor de vendas, para conseguir sobreviver a empresa pode ter que operar com uma margem maior no produto. Mas ressaltamos que o mercado é livre, não existe tabelamento, e estas margens variam muito, conforme a decisão de cada revendedor”, explica em nota.

Plural

A Associação Nacional das Distribuidoras de Combustíveis, Lubrificantes, Logística e Conveniência (Plural) disse em nota que não comenta os preços praticados pelas distribuidoras.

No entanto, ainda em nota, explicou que a composição do preço é complexa. “Leva em conta cinco variáveis (preço de aquisição do produto, tributos, logística, remuneração dos distribuidores e remuneração dos revendedores) e está sujeita às oscilações de oferta e demanda de um mercado livre. Apenas duas dessas variáveis, custo do produto e tributos, são responsáveis por mais de 80% do preço final, e a margem média dos distribuidores representa menos de 5%, de acordo com informações publicadas pela ANP. Finalmente, vale registro que os preços são livres e determinados pelo mercado. Dessa forma, os preços finais podem mudar diariamente, para cima ou para baixo, independentemente de ocorrerem ou não reajustes na refinaria”, afirma por meio de nota.

Petrobras

Segundo a assessoria da Petrobras, a política do preço da gasolina foi mudada no ano passado para acompanhar o mercado internacional. “A política de preços para a gasolina e o diesel vendidos em nossas refinarias às distribuidoras tem como base o preço de paridade de importação, que representa a alternativa de suprimento oferecido pelos nossos principais concorrentes para o mercado - importação do produto. Além de uma margem que considera os riscos inerentes à atividade de importação como volatilidade da taxa de câmbio e dos preços”, destacou a assessoria.

A Petrobras justifica que a frequência dos reajustes é baseada em análises do mercado interno e internacional. “Em busca de convergência no curto prazo com a paridade do mercado internacional, analisamos nossa participação no mercado interno e avaliamos frequentemente se haverá manutenção, redução ou aumento nos preços praticados nas refinarias. Sendo assim, os ajustes nos preços podem ser realizados a qualquer momento, inclusive diariamente”, relata.

Atualmente, segundo a empresa, o preço da gasolina "A" para os distribuidores pode ser representado pela soma de duas parcelas: a parcela valor do produto Petrobras e a parcela tributos, que são cobrados pelos estados (ICMS1) e pela União (CIDE2, PIS/PASEP3 e Cofins4).

A Petrobras ainda destaca que devido aos tributos estaduais, os preços podem diferenciar para o consumidor final, sem que a companhia tenha participação. “Os preços cobrados por estes produtos não dependem exclusivamente da Petrobras. Tributos e margens de comercialização são alguns dos componentes do preço final ao consumidor. Na maior parte dos Estados, o cálculo do ICMS é baseado em um preço médio ponderado ao consumidor final (PMPF), atualizado quinzenalmente pelos seus governos. Isso significa que o preço nos postos revendedores pode ser alterado sem que tenha havido alteração na parcela do preço que cabe à Petrobras”, explica.

A assessoria ainda esclarece que no preço final ao consumidor está também o valor do Etanol Anidro. “No preço que o consumidor paga no posto pela gasolina C, além dos impostos e da parcela da Petrobras, também estão incluídos o custo do Etanol Anidro (que é fixado livremente pelos seus produtores) e os custos e as margens de comercialização das distribuidoras e dos postos revendedores”, finaliza.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos:

1 - Bruno Vivi/Hoje Centro Sul

2 - Edson S. de Paula/Hoje Centro Sul

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