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Edição 1087 - Já nas bancas!
11/12/2017

Editorial - Restrições e fila para adoção

Editorial - Restrições e fila para adoção

Um dos fatores primordiais ao se decidir pela formação de uma família é a capacidade de amar, na qual se incluem a tolerância e o respeito às diferenças. Entretanto, não é isso que indica a análise dos dados do Conselho Nacional de Adoção em relação às pessoas e famílias dispostas a adotar.

 Há um excesso de exigências e restrições que afasta crianças e adolescentes aptos a serem adotados dos interesses dos pretensos pais. Estes, ainda esperam uma situação imaginária, julgada como ideal, ou seja, ter uma única criança de poucos meses de idade, ou até três anos no máximo, da cor branca ou parda, com saúde perfeita. Prova disso é que 65,26% dos pretendentes não aceitam adotar irmãos e o número de pretendentes que querem adotar crianças de 13 anos a 18 anos não chega a 1%.

Segundo dados do Conselho Nacional de Adoção, são mais de 41 mil pais querendo adotar, mas somente 126 pretendentes aceitam adotar crianças com até 13 anos. Já entre os dispostos a adotar adolescentes de até 15 anos, o número baixa para 48 pretendentes.

Com estas divergências entre o interesse dos pretensos pais e a realidade dos menores disponíveis para a adoção surge a fila. Muitos casais que querem adotar passam anos esperando pelo filho ideal, enquanto muitas crianças e adolescentes permanecem nas instituições à espera de família que possam lhes assegurar amor e educação adequada.

No Paraná, por exemplo, há 3.869 interessados em adotar, mas apenas 933 crianças e adolescentes podem ser adotados. Entretanto, as exigências dos pretendentes a adoção e a situação real destes menores nem sempre são compatíveis, o que faz com que a fila possa ser ainda maior. No Brasil, 59,49% das crianças para adoção possuem irmãos e 65,26% dos pretendentes não aceitam adotar irmãos.

Diante estas intolerâncias e padrões idealizados, permanecem as dificuldades para que pais e filhos adotivos tenham um “final feliz”, possam se encontrar e viver em harmonia, em família, como os bons exemplos que nossa reportagem de capa traz.