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Edição 1010 - Já nas bancas!
04/12/2017

Ex-treinador da Assifusa projeta futuro após encerramento das atividades desse ano

Ex-treinador da Assifusa projeta futuro após encerramento das atividades desse ano

A equipe da Associação Iratiense de Futebol de Salão (Assifusa) fez no ano de 2017 a sua melhor temporada. O clube conseguiu um inédito quarto lugar na Série Prata de Futsal e por muito pouco não conseguiu a classificação para a tão sonhada Série Ouro 2018. Apesar dos problemas financeiros que o clube sofreu durante todo o ano, o que também ocasionou a perda de vários atletas, a equipe se uniu e conseguiu se classificar para a semifinal da Série Prata. Agora o clube deu uma pausa no seu projeto por não ter condições financeiras para continuar. O treinador André Demczuk comenta sobre a trajetória da Assifusa ao longo dos 11 anos de história da associação.

Como surgiu a ideia de criar a Associação Iratiense de Futebol de Salão (Assifusa)?

A ideia da Assifusa veio quando eu percebi que nós não poderíamos ficar reféns só do poder público, a gente precisava de um investimento maior e, para que isso acontecesse, nós precisávamos de uma força maior, um respaldo maior, e surgiu a ideia dessa associação. Eu fiz um churrasco na casa dos meus pais e reuni pessoas que gostavam de esportes para que elas fizessem parte. Repassamos essa ideia para eles e a partir daí foi criada a Assifusa. O nome Assifusa vem de Amafusa, que a gente conheceu na época, que era a Associação Maringaense de Futebol de Salão. Como a ideia era a mesma, resolvemos fazer a Assifusa, Associação Iratiense de Futebol de Salão. Todo mundo gostou da ideia, escolhemos cores, escudo.

Desde 2014 a equipe enfrentou muitas dificuldades financeiras para conseguir manter o projeto até hoje. Como foi isso?

A partir de 2014, a gente trouxe o projeto de novo com a chave bronze. Ficamos em quarto lugar na chave bronze, o acesso para a chave prata. E, desde então, três anos na chave prata, com um sétimo lugar, um quinto e um quarto. Fomos melhorando, fomos trazendo as colocações melhores, esse ano passamos perto do acesso, mas infelizmente a estrutura é inadequada para que a gente tenha uma equipe adulta aqui na nossa cidade. A questão do apoio do poder público, eu sou contra o poder público apoiar financeiramente as equipes, mas ele tem que dar toda a estrutura e hoje nós não temos essa estrutura, a estrutura de ginásio, estrutura de professores, de repente de treinador, isso eles podem fazer, estrutura de um alojamento para os atletas, estrutura de limpeza, estrutura de materiais, tudo isso a prefeitura pode te dar, e a gente não vê isso.

Muitos acham que se a Assifusa estivesse na Série Ouro, ano que vem iria ter um apoio maior, mas vemos que algumas equipes que disputam a elite cogitam não participar em 2018 por problemas financeiros, como o CAD/Guarapuava, entre outras equipes. O Keima foi vice-campeão da Série Ouro e no ano seguinte já não participou. Então esse problema de falta de recursos para apoiar o futsal ainda é muito grande?

Se você parar para analisar, esse problema está muito na nossa região. A nossa região é muito pobre, não só de dinheiro, mas também de pensamento, um pensamento muito pobre. Não entende o esporte como um investimento, entende como gasto.  E isso é mentira, o esporte tem sim que ser um investimento, quanto mais você pratica esporte, menos você precisa da saúde, são pessoas mais saudáveis, pessoas menos estressadas, pessoas mais educadas, porque o esporte te ensina a respeitar regras, a ter educação, respeito pelos colegas de equipe, tudo isso. Então, a gente tentava ajudar através do esporte. Infelizmente mesmo se nós subíssemos para a Chave Ouro, era praticamente certo que nós não participaríamos, porque a diferença de investimento é muito grande da chave prata para a chave ouro e a nossa região é muito pobre no pensamento e no investimento.

Você pretende nos próximos anos treinar alguma outra equipe ou vai parar de ser treinador por algum tempo?

Eu sou professor de Educação Física, amo futsal. Surgiram alguns convites de cidades vizinhas, tem três cidades que conversaram comigo, mas eu vou apenas se for alguma coisa boa realmente, senão vou dar um tempo pra família, porque são 10 anos que eu estou à frente de equipes de futsal. Isso te toma um tempo, todo final de semana. A minha filha já está com 9 anos, você perde muitas coisas com eles. Os convites [para ser treinador] existem, fico muito agradecido, muito contente em ter recebido, mas ainda não sei se vai vingar alguma coisa, se for alguma coisa boa, uma equipe competitiva, que me dê a possibilidade de fazer algo bom pela região irei. Mas quero alguma coisa que esteja mais concreta, mais sólida, que a gente tenha um respaldo e tenha para onde correr, aonde precise me preocupar apenas com o treinamento, coisa que aqui eu não fazia, tinha que se preocupar com o treinamento, com pagamento de atleta, montar projeto, pedir patrocínio, então tinha muitas preocupações e não conseguia dar 100% dentro de quadra pra montar o treino, assistir os jogos dos adversários, toda uma preparação que você tem que ter para que possa fazer um bom trabalho.

Dos atletas que disputaram esse ano, tem algum que já tem propostas de outros clubes?

Eu tenho conversado com eles, surgiram algumas coisas para eles, mas nenhum tem nada fechado ainda, acho que eles estão aguardando o encerramento dos campeonatos e com certeza já tem conversas, mas certo ainda nenhum tem nada.

Texto/Foto: Bruno Vivi/Hoje Centro Sul