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Edição 1003 - Já nas bancas!
30/10/2017

Angiolife realiza Simpósio sobre o Tratamento e Prevenção de Feridas

Angiolife realiza Simpósio sobre o Tratamento e Prevenção de Feridas

Na sexta-feira (20) foi realizado o 1º Simpósio sobre o Tratamento e Prevenção de Feridas, em Irati, promovido pela Angiolife Saúde Vascular. O evento ocorreu no hotel Sollievo e contou com diversos palestrantes que abordaram vários aspectos do tratamento de feridas.

“A ideia desse evento foi colocar à disposição dos profissionais e dos gestores que trabalham na área de saúde um projeto que vá tratar e prevenir feridas. Esse é apenas um início, um start, de uma série de outros eventos que irão acontecer, a partir da hora que houver uma adesão por parte dos municípios, dos gestores, pra gente desenvolver isso”, explica o cirurgião vascular Cristiano T. Barbosa Pinto, responsável pela Angiolife.

Durante o evento, também foi apresentada uma proposta de parceira para o tratamento das feridas, através de um centro de pesquisas. Localizado no hospital Agnus Dei, em Irati, o centro possui duas salas: uma sala multidisciplinar e outra sala onde são realizados diagnósticos, avaliações e recuperações, que possui um aparelho de ultrassom.

 “A ideia dessa parceria é fazer com que a Angiolife seja uma interface no processo de seleção de pacientes que podem ter um risco elevado, mas que ela esteja tutelada pelo Adriano Mehl Consultoria, no sentido dos protocolos das indicações mais atuais, de melhor performance para que esse indivíduo seja resgatado o mais rapidamente e volte pra sociedade”, comenta Adriano Mehl, médico especialista em tratamento de feridas.

Segundo Cristiano, o objetivo também foi conscientizar os gestores sobre a necessidade de olhar para esta questão. “A gente precisa conscientizar que o gestor também faz parte da equipe de saúde”, disse.

Palestras

Além de palestras sobre o correto diagnóstico e modos de reabilitação, o simpósio também mostrou o impacto que o tratamento de feridas tem na saúde pública e como desenvolver uma equipe.

Segundo o palestrante Adriano Mehl, as feridas podem se tornar uma porta de entradas para outras doenças se não forem bem tratadas e atualmente o sistema de saúde não está preparado para tratar isso. “É uma soma de fatores que fazem com que alguém que tenha uma ferida crônica conviva com ela por meses, anos ou décadas sem ter essa interrupção. Isso causa uma série de malefícios, não só para o próprio portador de uma lesão que começa muitas vezes com uma batida na perna, mas quando não existe um protocolo ideal de tratamento, quando não existe uma ação direcionada, essa ferida cronifica, e ela é personificada na incapacidade de nós profissionais interrompermos esse fator de deletério de cicatrização”, disse.

A fisioterapeuta Rhayine Lunara Sultane também abordou a reabilitação dos pacientes com lesões. Ela explicou como a fisioterapia auxilia principalmente na ativação das bombas venosas dos membros inferiores. Um dos meios de tratamento para isso é a drenagem linfática. “A drenagem linfática dará esse estímulo ao sistema linfático e ele consegue carrear toda essa retenção de líquido, porque uma vez que a gente ativa a bomba muscular da panturrilha, a contração do músculo faz que haja uma contração da célula sanguínea e essa célula sanguínea vai conseguir mandar bem o sangue, vai conseguir fazer essa circulação normal e além dela, ativar a corrente sanguínea, também ativa o sistema linfático, porque os dois estão interligados entre si”, explica.

A gestão da saúde pública também foi abordada pelo palestrante Giordano Poletto. Segundo ele, muitos tratamentos são prejudicados porque não há uma boa gestão dos recursos da saúde pública. “Os gestores precisam aprender a lidar com as verbas de média complexidade. Um gestor público municipal normalmente é um cargo de indicação, são poucas as pessoas técnicas, efetivas, que estão hoje na área da saúde. O gestor, se ele for uma indicação, ele precisa se especializar, ir atrás das formas de como fazer. A partir do momento que ele entende como faz, ele consegue encontrar os caminhos”, explica.

Ele deu como exemplo Irati, que registra 17 mil curativos por ano. “O município de Irati registra isso na atenção básica como código de curativo grau 1. O código de curativo grau 1, por ser um código da atenção básica, ele não tem um registro de valor. Diferente do código de curativo grau 2, que é da média e alta complexidade e que tem registro de valor, R$ 32,40. Curativo grau 1 é retirada de ponto, é menino que caiu de bicicleta e ralou as costas. É impossível que 17 mil pessoas em Irati tenham se ralado e tenham ido à unidade básica de saúde. Então, é óbvio que essas feridas que estão sendo tratadas nas unidades básicas de saúde são feridas crônicas”, disse.

De acordo com ele, isso faz com que o custo por paciente suba. “Esse paciente está sendo tratado na unidade básica de saúde, com o recurso errado, porque ele tem uma ferida de média complexidade. Teria que estar sendo tratado num laboratório de média. Mas ele está sendo tratado na atenção básica, com recurso que deveria ser utilizado para prevenção. O município perde duas vezes. Perde porque usa o dinheiro da atenção básica para tratar um procedimento de média e alta complexidade, porque não registra o procedimento de média e alta complexidade”, explica.

A tarde ainda contou com palestras do cirurgião vascular Cristiano T. Barbosa Pinto sobre o centro de pesquisas e com o consultor Noberto Rotter que deu dicas de desenvolvimento de equipe.

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

Foto: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

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