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Edição 1003 - Já nas bancas!
23/10/2017

Câmara de Irati vira palco para ofensas, bate-bocas e gafes

Vereadores acusaram e xingaram uns aos outros durante as últimas duas sessões. Debate intenso aconteceu após questionamento sobre o processo que culminou na absolvição de Wilson Karas

Câmara de Irati vira palco para ofensas, bate-bocas e gafes

As duas últimas sessões ordinárias da Câmara Municipal de Irati foram marcadas por acusações e xingamentos entre vereadores iratienses.

Os debates acalorados começaram na sessão ordinária do dia 10 de outubro, quando uma carta de repúdio do Diretório Municipal do Partido Verde foi lida durante a sessão. Na carta, Walter Trevisan, presidente do Diretório, repudiou a condução da votação da sessão de julgamento que absolveu o vereador Wilson Karas. “Não estamos questionando o mérito do relatório apresentado, nem mesmo a votação dos membros desta Casa de Leis, e sim a forma processual como ocorreu a votação”, disse em carta.

Na mesma sessão, os vereadores Marcelo Rodrigues, José Bodnar e Hélio de Mello se posicionaram contra a carta. “Não é do meu agrado, porque eu participei da Comissão Processante, tivemos um trabalho onde tivemos a orientação dos advogados; o vereador Rogério Kuhn participou da Comissão de Ética. Se houve algum equívoco, não resta, dentro dessa carta de repúdio, dizer que a Câmara conduziu de maneira errada”, disse o vereador José Bodnar. O vereador Marcelo questionou o envio do ofício. “O repúdio é nosso porque encaminhou o ofício errado”, disse.

No entanto, o pronunciamento do presidente da Câmara, Hélio de Mello foi mais contundente. “Se manifesta agora que não está questionando o mérito. Será? Será que se o resultado fosse pela cassação do vereador estaria se manifestando também. Acredito que é falta de coerência nesta atitude, independente do resultado. Deveria ter questionado a votação no recebimento da denúncia. Acredito ser uma nota tendenciosa. (...) O pior de tudo é quando você realiza um trabalho e algumas pessoas de forma pessoal, tentam denegrir a imagem de uma Casa Legislativa. (...) A impressão senhor Wilson, que é uma perseguição ao senhor mesmo. Acredito que dentro da legalidade e da vontade do que eu quero e do que eu imagino é muito diferente. E essa Casa sempre priorizou pela legalidade, pela transparência. Às vezes, quando existe o torcedor que seu clube perde é muito fácil colocar a culpa no árbitro”, disse Hélio.

O clima esquentou na fala do vereador Marcelo Rodrigues na Tribuna Livre. O vereador Marcelo usou o espaço para questionar o vereador Rogério Kuhn que havia feito um requerimento (junto com o vereador José Bodnar) para retirar de pauta o pedido de anulação da sessão de julgamento – que tinha sido feito por Rogério e seria colocado na pauta. No requerimento, o vereador Rogério disse que reapresentaria na próxima sessão que foi realizada no dia 17 de outubro.

Perseguição?

Durante o seu pronunciamento, Marcelo alegou que quem pede a anulação teria tido tempo de questionar durante o processo. No meio do seu pronunciamento, o vereador Wilson Karas pediu a palavra e acusou o vereador Rogério de perseguição. “A gente é perseguido por uma pessoa, que a gente nunca fez mal, como o Rogério Kuhn. (...) Desde o começo, tudo que vírgula ele achava contra mim. Nunca fiz nada contra ele, e ele sempre me perseguindo. É como falei, eu peguei um câncer e está difícil sair desse câncer, e o vírus tá aí. (...) O que eu tenho contra você Rogério? Não tenho nada. Por que você faz isso?”, indagou.

Gafes e ofensas

Na volta de seu pronunciamento, Marcelo continuou a questionar o pedido de anulação e disse que irá votar ao contrário caso o pedido de anulação seja apresentado. Ele então passou a acusar e questionar os projetos apresentado pelo vereador Rogério. “É muita gafe para essa Casa ficar vivenciando. Me desculpe senhores vereadores e vereador Rogério Kuhn, mas está na hora de vossa excelência colocar os parafusos da cabeça em ordem porque essa Casa não pode ficar nessa palhaçada que está ocorrendo. A cada instante sermos manchetes nas redes sociais e parece que estamos contra vossa excelência. Eu não estou contra. Não sei de que forma vossa excelência está sendo assessorado, mas precisa fazer uma reavaliação”, disse.

Depois do vereador Marcelo, foi a vez do vereador Roni Surek sair em defesa do vereador Wilson Karas. Com um tom de voz alterado, ele defendeu o processo e a assessoria jurídica que foi contratada. “A lei foi feita para ser interpretada e não houve dolo”, disse. No pronunciamento de Roni, o vereador Wilson Karas também pediu a palavra. “Essas pessoas que querem me ofender, um dia vai ter o troco. Não sou de ofender, mas Deus lá em cima sabe o que fazer”, disse.

Roni continuou o seu pronunciamento e finalizou fazendo alusão a uma passagem da Bíblia. “Lembro que há muitos anos, o povo por impulso, porque alguns fizeram a cabeça da população, livraram um ladrão da cadeia e acusaram, mataram, crucificaram, alguém inocente”, relatou.

O vereador Rogério Kuhn se pronunciou apenas na sessão seguinte, do dia 17 de outubro, quando se defendeu. “Como pode ser percebido, fui ofendido por alguns nobres colegas que dentre os vários adjetivos que recebi, fui acusado de estar perseguindo um vereador desta casa. Estou aqui para salientar que este fato é mentira. Nunca persegui ninguém e não o farei. Estou aqui para trabalhar em prol de uma Irati melhor para produzir leis mais eficazes e um Legislativo que funcione estritamente para a manutenção da ordem e prosperidade do município”, disse.

O vereador Rogério ainda justificou que não foi ele sozinho que denunciou Wilson Karas e que as decisões foram tomadas por todos que participaram das comissões. Ele ainda disse que os questionamentos são em relação ao rito processual e não ao mérito. O vereador ainda falou sobre a acusação recebida. “Na última sessão os dois vereadores que afirmaram seu apoio incondicional ao vereador que passou pelo processo, fizeram-me, taxaram-me de louco, disseram que eu precisaria apertar meus parafusos – até não duvido disso, mas não era bom em público – quebrando todo e qualquer respeito e decoro dentro desta Casa de Leis”, disse.

Ele ainda afirmou que os vereadores foram mal orientados juridicamente. “O que falar do advogado contratado para assessorar o rito que está sendo investigado por possível fraude na contratação. Nós fomos mal orientados, ele [Wilson Karas] foi mal orientado”, disse.

Rogério ainda negou ser mal assessorado na elaboração dos projetos de lei e disse que está aberto a correções. “Não vamos fazer uma competição de gafes”, disse. “Minha integridade física e moral está em jogo, não me sinto seguro em defender minha ideologia e meu trabalho dentro dessa Casa, sendo taxado de louco e perseguidor”, afirmou o vereador, que disse que não irá reapresentar o pedido de anulação da sessão de julgamento.
Bate-boca

Em seguida, Roni Surek fez um dos pronunciamentos mais acalorados das últimas sessões. Isso porque durante seu pronunciamento ele discutiu da tribuna com alguns membros do Observatório Social de Irati, que estavam na plateia. A discussão começou depois de o vereador acusar o presidente do Observatório, Gerson Musial, de ter chamado os vereadores de idiotas em uma postagem no Facebook. “Senhor presidente do Observatório Social, Gerson Musial - vou falar até porque o senhor está aqui. Vi uma postagem do senhor nessa semana, nas redes sociais, e fiquei indignado”, disse.

Nesse momento, Roni começou a responder, em tom alterado, as intervenções que vinham da plateia. “É...fala a verdade, as minhas crianças tem que ouvir, mas dê nome aos bois como eu falo aqui. Eu dou nome. Eu não chamo os outros de idiota por tabela. Quem são os vereadores idiotas?”, disse. “Gostaria que permanecesse até o final da sessão para o senhor falar olhando nos meus olhos e dizer: ‘vereador Roni, você é idiota’, porque eu represento 822 eleitores. Porque um sou eu. Foi feita uma carta notarial, que será enviada ao Observatório Nacional e ao Estadual. Senhor presidente eu gostaria de pedir ordem na Casa. Não sei porque a Guarda Municipal não está presente hoje”.

Imediatamente, o vereador Rogério também se manifestou. “Gostaria também de pedir ordem na casa”, disse. Roni continuou seu pronunciamento e acusou o vereador Rogério de falar sobre o assunto quando o vereador Marcelo não estava presente, sem poder se defender–ele  estava de licença neste dia, devido ao fato de estar acompanhado o prefeito em viagem a Brasília. Rogério quis indagar novamente, mas Roni interrompeu. “Gostaria que o senhor não se manifestasse, até porque não concedi aparte para o senhor e o senhor não pediu aparte”, disse.

Roni ainda disse que não ofendeu Rogério. “Tenho até o vídeo [do pronunciamento] recortado para mostrar”, disse se dirigindo ao vereador.

A sessão foi finalizada, mas a discussão continuou nos corredores da Câmara Municipal. Ainda no saguão de entrada o presidente do Observatório Social, Gerson Musial e o vereador Roni Surek discutiram fortemente. Um vídeo que circula nas redes sociais mostra os dois exaltados e apontando um para o outro.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro

Foto: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul