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Edição 1003 - Já nas bancas!
20/10/2017

Editorial - Mobilização

Editorial - Mobilização

Fragilizada, a saúde pública depende de que cada participante da rede de atendimentos faça a sua parte. Mesmo assim, a escassez de recursos, a demanda maior do que possibilidade de  tempo dos profissionais, dificulta e faz com que a insatisfação para com o setor venha a preocupando os cidadãos há muito e muito tempo.

Recentemente uma decisão liminar da Justiça Federal de Brasília motivada por uma ação movida pelo Conselho Federal de Medicina (CFM)  proíbe que enfermeiros de unidades públicas de saúde façam diagnósticos e solicitem exames. Em uma realidade onde faltam médicos, faltam enfermeiros, restringir a possibilidade de atuação daqueles que estão mais próximos das pessoas e podem se dedicar a iniciativas voltadas à prevenção traz preocupações.

Em meio à Campanha Outubro Rosa, em que grande parte dos exames depende dos profissionais da enfermagem, a liminar impossibilitou algumas das ações programadas. Um dos exemplos é em Irati, que havia disponibilizado o período da noite para a realização dos exames. Como os enfermeiros não poderão colher os exames, a programação especial foi cancelada nas unidades de saúde do município.

Conscientizar as pessoas sobre a necessidade de diagnóstico precoce já é difícil, ainda mais se os horários para a realização de exames diminuem. É um triste fato.

Caso a disponibilidade de médicos fosse condizente com a resolução, não haveria problemas, mas penalizar a população que depende do atendimento através Sistema Único de Saúde (SUS)  devido a uma briga entre atribuições profissionais é temerário. Sobretudo quando não se tenha substituto para fazer o que foi restringido de atendimentos aos enfermeiros no Sistema Único de Saúde.

Caso seja mantida a liminar, deveriam ser destinados recursos extraordinários para cobrir a lacuna que fica. O que não pode acontecer -  e todos nós temos que nos mobilizar para que não ocorra - é que o atendimento que já não é totalmente satisfatório,  ou, em alguns municípios não é minimamente satisfatório, piore.