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Edição 1005 - Já nas bancas!
16/10/2017

Consumidores de pontos altos de Irati reclamam da falta de água

A falta de água é um problema antigo em Irati e consumidores afetados têm ampliado os reservatórios domésticos para minimizar os transtornos

Consumidores de pontos altos de Irati reclamam da falta de água

A falta de abastecimento de água em alguns bairros de Irati é uma reclamação antiga de moradores que sofrem constantemente com este problema. Os mais atingidos são os moradores de pontos mais altos da cidade.

É o caso de moradores de Engenheiro Gutierrez. Edeni Mores conta que já chegou a faltar água mais de uma vez por semana. “Às vezes falta. Somente durante o dia fica sem água, mas sempre vem à noite. Eu tenho duas caixas grandes, então não falta. Mas quem não tem caixa, ou tem caixa pequena, ou direto da rua, aí fica sem água”, conta.

A caixa d’água é uma recomendação da própria Sanepar, que segue a orientação da ABNT, recomendando uma caixa d’água de pelos menos 500 litros para que se tenha abastecimento por pelo menos 24 horas.

No entanto, mesmo com a caixa alguns consumidores relatam que há desconforto com a falta de água. A moradora de Engenheiro Gutierrez Maria José Batista reside ao lado da casa do pai, José Ferreira de Camargo, e conta que a falta de água acontece geralmente aos sábados, após o almoço. Como esse corte de fornecimento é abrupto, sem aviso, os moradores não conseguem se planejar no gasto da água. “Um dia faltou e não deu pra lavar louça porque lavei roupa, e gastou tudo. De noite não tinha para lavar a louça”, relata. Ela conta que apesar do pai, já em idade avançada, usar as dependências da sua casa para as atividades do cotidiano, a falta de água fez com que ele adquirisse o hábito de guardar sempre um balde de água. “Tenho a caixa d’água. Sempre falo quando quiser pegar, mas ele não entende”, explica Maria. “Guardo no balde, se faltar, tem no balde”, disse José.

Moradoras da parte mais baixa do bairro, Doraci Gadens e Maria Gadens relatam que a falta de água acontece mais nos pontos altos. “Eu não tenho sentido falta de água. Depende a região. É para lá que falta água [aponta para cima]. Uma mulher que trabalha para mim diz que não tem água”, conta Doraci. “Quem não tem a caixa é o problema. Aí falta mesmo. A gente tem caixa, então acho que falta só quando preciso da mangueira”, relata Maria.

No bairro Rio Bonito acontece o mesmo. Moradora há mais 20 anos, Elza Beraldo, conta que o consumo das partes mais baixas do bairro pode afetar o fornecimento. “Enquanto eles tão gastando lá [na parte mais baixa], aqui não tem”, relata.

Sua vizinha, Margarete Serbaro, mora no bairro há dois anos e relata que ultimamente não tem faltado tanta água, mas que houve períodos em que a falta era constante. “Ano passado teve bastante falta de água. E nesse ano teve a falta daqueles dias que estavam comunicando no rádio”, disse.

Já num ponto mais alto do bairro, próximo ao cemitério, outros moradores relatam interrupções de fornecimento mais constantes e mais recentes, como no último mês. O principal problema são os moradores que possuem algum empreendimento junto às suas residências. É o caso de Benilson S. Costa que trabalha com transporte escolar. “É complicado. Temos calçada, temos a rampa para lavar, então uso bastante. Falta direto aqui no Rio Bonito, é um lugar bom de morar, mas falta direto. Não sei porquê”, comenta.

Ele conta que como tem residência junto à empresa, a caixa d’água instalada não suporta o consumo nos dias em que falta água. Por isso, ele planeja agora instalar mais uma caixa d’água. “Lá em cima [aponta para o topo da casa] não comporta uma caixa muito grande. Eu quero colocar uma caixa de água maior. Fazer tipo um pedestal para não ter mais problema”, conta.

O socorro vem na vizinha que também possui um empreendimento junto à residência. Iná Maria Ribeiro tem um salão de beleza e quando se mudou para o bairro há quatro anos viu que precisava solucionar a questão de falta de água, comprando com recursos do próprio bolso uma caixa d’água maior. “Quando eu vim morar aqui e percebi que faltava bastante água na época, faz quatro anos, eu peguei e comprei essa caixa. Daí quando falta na caixa de cima, ela manda. Eu sem água não fico, por causa da caixa grande”, explica.

O vizinho Amilton Souzek também tem um plano de comprar mais uma caixa d’água para suprir a falta de água. “Eu vou colocar uma caixa de 500 litros, aí vou ficar com 1000 litros. Na verdade é só se organizar. Tem gente com uma caixa de 200, 250 litros. É muito pouco. Ela não enche os 200 litros. E daí não funciona”, disse. Amilton, mora junto com sua esposa Irene Souzek, no mesmo terreno em que sua filha. Nos dias em que falta água, a caixa d’água de 500 litros é usada pelas duas famílias. “Nós somos duas famílias aqui. Minha filha mora ali. Temos uma caixa de 500 litros, e daí quando falta, falta até para nós porque é usada. Eles usam e nós usamos. Minha filha que tem um nenenzinho sente a falta porque ela trabalha e tem que lavar roupa quase todo o dia”, disse. Enquanto a nova caixa não é adquirida, eles tentam se virar quando percebem que pode faltar água. “Esses dias, faltou o dia inteiro. Vinha de madrugada. Quando voltava tinha que estar juntando. Juntava nos litros para botar para comida”, relata.

Além das interrupções momentâneas, a rede de abastecimento também possui as interrupções programadas que são avisadas por rádio. Essas interrupções acontecem por causa de falhas na rede de abastecimento e/ou manutenção da própria rede. Neste ano, em Irati, somente agosto não apresentou algum aviso de desabastecimento.

Sanepar

O jornal Hoje Centro Sul entrou em contato com a Sanepar para entender o que acontece na rede de abastecimento de Irati. Segundo a assessoria de imprensa da instituição, o relevo do município de Irati é bastante acidentado, o que faz com que a distribuição dependa do uso de bombeamento. “Devido a essa condição, há uma dependência significativa de estações de bombeamento de água tratada (tipo boosters, bombas), que têm por finalidade o acréscimo de pressão para se atender os pontos mais altos do sistema. Atualmente, temos 25 unidades de bombeamento distribuídas em diversos pontos da cidade para possibilitar o abastecimento dos imóveis, sendo que, a interrupção no fornecimento de energia elétrica influi diretamente em seus funcionamentos (essas bombas necessitam de energia elétrica para operar)”, disse a assessora de imprensa da Sanepar, Ediane Battistuz.

Ainda segundo a assessoria, todo o processo da Sanepar, desde a captação, o tratamento à distribuição de água, depende do fornecimento de energia elétrica. Isso fez com que alguns bairros fossem atingidos por paradas devido à queda de energia, que dificultou o bombeamento da água. “Além das paradas por necessidade de reparos nas redes de distribuição de água, também ocorreram suspensões de fornecimento de energia elétrica (seja por quedas de energia ou por manutenção das linhas de transmissão de energia), que afetam os sistemas de bombeamento de água tratada”, diz a assessora.

Outro ponto são as obras que estão ocorrendo. De acordo com a Sanepar, uma série de interligações de novas redes, projetadas e em execução, estão sendo realizadas no município. “Como grande parte dos serviços envolve seccionar redes operacionais e interligá-las nas redes recém-implantadas, há a necessidade de interrupção no fornecimento de água por algumas horas para a realização de tais serviços, o que compromete esse fornecimento durante o prazo das atividades, da retomada e da normalização do abastecimento”, explica.

É o que acontece em bairros como Nossa Senhora da Luz, Rio Bonito, Van Der Neut e Fósforo, segundo a assessoria. “Os bairros citados, inclusive, serão beneficiados pelas obras que vêm sendo executadas, motivo pelo qual ocorrem as paradas programadas no abastecimento para a execução de interligações. Quanto à qualidade das redes desses bairros, tratam-se de redes adequadas e de qualidade, não havendo necessidade de intervenções motivadas por má qualidade de materiais ou de sua execução”, relata.

Atualmente, em Irati, está sendo realizada uma obra de operacionalização do poço 03 e a execução de 8,6 quilômetros de rede adutora, uma rede de grande porte, que de acordo com a assessoria, já em fase de conclusão. “Irão proporcionar um aumento de 100 m3 por hora de água tratada para o sistema”, destaca. “Além disso, está em execução, na região do Bairro Aeroporto, um novo reservatório com capacidade de 1.600 m3 (um milhão e seiscentos mil litros), que será responsável pelo abastecimento da região sul do município, como os bairros Lagoa, Engenheiro Gutierrez, Riozinho, Vila Raquel, Jardim Aeroporto, Vila São João, Alto da Lagoa, Jardim Virgínia e parte dos bairros Stroparo e Fósforo. Também beneficiará esses bairros a execução de aproximadamente 12 quilômetros de rede. Ainda, serão executadas 6 novas estações elevatórias de água tratada, 5 válvulas redutoras de pressão (VRP´s), 4 medidores de vazão, além de novas interligações e travessias”.

Em relação às caixas d’água, a assessoria informou que a Sanepar está estudando uma alternativa para ajudar as famílias mais carentes a fazer, em parceria com o Governo do Estado, a instalação do reservatório domiciliar.

Texto/Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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