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Edição 998 - Já nas bancas!
09/10/2017

Recenseadores iniciam coleta de dados na região para o Censo Agropecuário

Em torno de 100 profissionais estão envolvidos na região para coletar informações que trarão um retrato de como está a agricultura brasileira

Recenseadores iniciam coleta de dados na região para o Censo Agropecuário

Desde segunda-feira (02), os agricultores de todo o Brasil estão recebendo nas suas propriedades a visita de recenseadores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Eles fazem parte de uma equipe mobilizada para realizar o Censo Agropecuário 2017, que trará um retrato de como está a agricultura brasileira a partir dos dados levantados.

Na região de Irati, são em torno de 100 profissionais dedicados a realizar esse trabalho, seja fazendo as entrevistas com os agricultores, supervisionando ou coordenando o trabalho. No país, são quase 19 mil recenseadores fazendo as entrevistas.

Um deles é o recenseador Caio Miguel Viante que conta que o processo está tranquilo nesta primeira fase. “A gente está conseguindo chegar tranquilamente nos lugares. Está tendo uma receptividade do povo porque em certa medida eles ficaram sabendo por intermédio da imprensa”, relata.

Ele conta que os recenseadores ainda estão se adaptando ao aparelho eletrônico chamado de Dispositivo Móvel de Coleta (DMC), usado para a coleta de dados. “A gente está num processo embrionário, estamos nos adaptando ao aparelho. Acredito que esse desenvolvimento vai acontecendo, embora o treinamento já tenha sido realizado com sucesso”, comenta.

O aparelho DMC permite que a coleta de dados seja totalmente digital. O equipamento ainda possui GPS, o que permite o rastreamento do recenseador e do local em que está sendo feita a entrevista.

O recenseador localiza os pontos pré-cadastrados no sistema a partir da tela do DMC, que usa base de dados do Censo Agropecuário 2006 e o Censo Demográfico 2010. No entanto, o recenseador também pode incluir novos pontos que encontrar.

A possibilidade de rastreamento do recenseador trará a oportunidade de atualizar os mapas das estradas rurais, especialmente os acessos secundários que ainda não estão atualizados nos mapas dos municípios. “Com o rastreamento do GPS, a gente espera não só mapear os pontos dos estabelecimentos, mas mapear as estradas rurais também, porque vai ser coletado o rastro do recenseador. Com isso a gente espera ter um detalhamento melhor”, explica o técnico Carlos Eduardo Jarema Bozza.

Carlos Eduardo ainda explica que os dados coletados ficam no aparelho até serem transmitidos para o sistema através da internet wireless. Como o censo é realizado no interior do Brasil e há localidades em que não há sinal de internet, o aparelho permite que o recenseador faça essa transmissão em outro momento. “Ele vai, coleta a informação, volta para a casa dele, ou se morar em área rural e não tiver internet, pode pegar emprestado da prefeitura. Os dados são guardados temporariamente no aparelho e criptografado para garantir o sigilo do entrevistado. Até a transmissão do setor, os números parciais continuam no aparelho. Fechou o setor, transmitiu, sai do aparelho e fica no sistema”, disse.

A agente censitária supervisora, Thais Szczepank, explica que as dificuldades devem aparecer ao longo do processo. “Estamos começando os trabalhos. Por enquanto ainda não encontramos muitas dificuldades. Eles ainda estão recenseando perto dos centros urbanos, por isso o acesso está bom. Conforme vai ocorrendo os locais mais remotos, eles vão tendo mais dificuldades”, relata.

O chefe da agência IBGE de Irati, José Leocádia Pedroso, disse chegou haver problemas na informatização, mas o problema foi solucionado. “Começou bastante corrido. Estava com dificuldade de acesso à internet. Todo esse processo envolve você baixar programa, cadastrar o pessoal, é tudo informatizado. Mas esse primeiro passo já foi resolvido”, disse.

Questionário

O Censo Agropecuário 2017 trará um amplo questionário que deverá ser preenchido pelos recenseadores com base nas informações dadas pelos agricultores. É garantido o sigilo da identidade do agricultor e as informações não podem ser usadas em processos judiciais.

Os itens perguntados abordam diversos aspectos da produção agrícola, como a área da propriedade, o tipo de cultura, o que há na propriedade, as reservas ambientais que existem, maquinário, pessoas que trabalham na propriedade e quantidade de animais. “A pesquisa aborda muitos itens, ela é igual para todo mundo. Mas conforme a produção de cada estabelecimento agropecuário ela vai abrindo os campos. Por exemplo, se não tem certa produção de um campo, ela desaparece”, explica Thais.

Estabelecimentos

Os dados serão coletados de todos os estabelecimentos agropecuários que possuem algum tipo de atividade de produção.

De acordo com Carlos Eduardo, a novidade nesta edição é que não haverá área mínima para as propriedades que serão incluídas no censo. “Serão investigados todos os estabelecimentos independente da área, diferente dos censos anteriores que tinha uma área mínima. Não existe mais área mínima. Todos os estabelecimentos agropecuários para serem um estabelecimento têm que ter uma atividade agropecuária para venda ou subsistência”, explica.

Ele destaca que com isso, muitas propriedades com agricultura familiar poderão ser incluídas no censo. “É esperado um crescimento da agricultura familiar”, disse.

Coleta

A coleta dos municípios de abrangência da agência do IBGE de Irati está sendo realizada por duas equipes. A equipe sediada em Irati realiza a coleta do interior do município, além de Rebouças, Teixeira Soares, Fernandes Pinheiro e Inácio Martins. Já a equipe sediada em Prudentópolis, realiza a coleta no interior do município e também de Guamiranga, Ivaí e Imbituva.

“O que nos preocupa é Prudentópolis. São mais de 8 mil estabelecimentos. Nós aqui em Irati estamos com uns 3 mil”, relata o chefe da agência IBGE de Irati, José Leocádia Pedroso.

Dados

A coleta de informações acontecerá até fevereiro de 2018 e resultados preliminares deverão ser divulgados no primeiro semestre do mesmo ano. A previsão é que até 2019 todos os resultados já tenham sido divulgados.

Segundo Carlos Eduardo, os resultados terão grande utilidade na sociedade. “A prefeitura com certeza será um dos maiores beneficiados com dados do censo, de distribuição de verba, até mesmo as empresas podem aproveitar esses dados para ver onde se instalará, onde tem mão de obra, onde tem área disponível, as culturas cultivadas, as técnicas utilizadas”, disse.

“O censo é uma base para que você possa fazer um planejamento tranquilo para diversas coisas”, complementa Pedroso.

Como identificar um recenseador?

- Todos os recenseadores usam um colete azul com os logos do IBGE.

- O colete ainda possui um crachá com as informações do recenseador como o nome completo e matrícula.

- O crachá possui um número de telefone (0800-721-8181) e a pessoa pode ligar para confirmar a identidade do recenseador. Há também um QR Code onde as pessoas que possuem um celular com um aplicativo que lê este tipo de código, podem escanear e automaticamente será aberto o site do IBGE, onde a identidade do recenseador poderá ser confirmada.

- O questionário também é feito através de uma máquina com um protetor azul, também identificado com o logo do IBGE.

- A identidade do agricultor será sigilosa e as informações colhidas não podem ser usadas judicialmente.

Texto/Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

 

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