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Edição 998 - Já nas bancas!
02/10/2017

Produção de soja deve diminuir, mesmo com aumento de área

Estimativas para safra de verão revelam que a região deverá seguir a previsão estadual de diminuição da produção de soja. Confira também as estimativas para as outras culturas.

Produção de soja deve diminuir, mesmo com aumento de área

Dados do Núcleo Regional de Irati da Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento (SEAB) mostram que apesar de aumento na área estimada de plantio da soja, a região deve seguir a previsão do estado que terá diminuição na produção nesta safra de verão.

No estado, a previsão é que sejam plantados 5.435.332 hectares de soja, um aumento de 3% em relação ao mesmo período da última safra. Porém, a produção deve diminuir cerca de 2%, sendo que a estimativa é que sejam colhidos 19.463.184 toneladas de soja.

Na região, os números seguem também essa perspectiva. A cultura de soja teve um aumento de 5% na estimativa de área plantada na região. É esperado que sejam plantados mais 172 mil hectares de soja. Os municípios de Imbituva e Teixeira Soares continuam como os principais produtores.

Já na produção, a região espera colher 569.250 toneladas, 0,88% a menos do que o estimado no ano passado. Na produtividade, a média esperada na região é 140 sacos por alqueire.

Segundo a engenheira agrônoma da SEAB, Adriana Baumel, a explicação está nos anos anteriores. “Tivemos nos últimos anos médias históricas, que bateram recordes de produção”, disse. Segundo ela, a comparação com os anos anteriores fazem com que a estimativa possa cair, mas a produção continua com a previsão de colher mais de 19 milhões de toneladas no estado.

O período do Vazio Sanitário, que estabelece um período para o começo do plantio da soja no estado, foi antecipado neste ano para o dia 11 de setembro. No entanto, na região os agricultores deverão começar o plantio a partir da segunda quinzena de outubro, mesmo que alguns tenham tido a intenção até de antecipar. “Esse ano eles até tinham a intenção de começar antes, já que não é mais possível a safrinha. Antecipando o plantio da soja, ele pode colher e fazer uma segunda safra de feijão.”, comenta Adriana.

Milho e feijão

O tempo seco prejudicou o início do plantio do milho e do feijão. “Iniciamos na região o plantio do feijão e do milho, só que agora quem já havia começado deu uma parada, porque está com dificuldade de desenvolvimento devido à falta de umidade”, explica.

As duas culturas também tiveram diminuição na estimativa de área plantada. No milho, a área estimada para o plantio na região diminuiu 17,64%, sendo que serão plantados 28 mil hectares de milho nesta primeira safra. A produção também deve diminuir, sendo que a expectativa é que sejam colhidas 228.200 toneladas esse ano, uma diminuição de 18,14%. A produtividade prevista é de 330 sacos por alqueire.

No feijão, a expectativa é que sejam plantados 28 mil hectares nesta primeira safra, uma diminuição de 8,34%. A produção também deve diminuir, sendo esperados que sejam colhidos 50.400 toneladas, com produtividade de 700 sacos por alqueire.

No milho, os números seguem a previsão estadual de diminuição da área plantada e da área colhida. Já no feijão, a previsão estadual é de aumento de área e produção, sendo que estão sendo esperados um crescimento de 3% da colheita, com uma produção de mais de 377 mil toneladas.

Batata e cebola

O longo período sem chuvas também prejudicou os agricultores que plantam cebola e batata, que está em fase de desenvolvimento na região. A maior dificuldade é o aumento do custo por causa da irrigação. “Com o tempo seco são em sua maioria irrigadas, principalmente a batata. Os agricultores se preocupam com a irrigação por causa da água, já que os córregos estão mais secos, estamos com uma estiagem. É um custo a mais para o produtor. Gasta diesel, já que a irrigação não é elétrica. Então, o agricultor estava tendo a preocupação em manter a umidade do solo, para manter a produtividade, mas também é um custo a mais”, explica Adriana.

Apesar das dificuldades climáticas, a cultura da batata é uma das únicas com números positivos na região, indo ao contrário do que foi previsto a nível estadual – diminuição de área e produção. A área estimada aumentou em 20%, sendo que 1.200 hectares devem ser destinados à cultura na região. A produção também deve aumentar em 16,12%, com uma safra prevista de 36 mil toneladas de batata.

Já a cebola também segue com as previsões estaduais. Na região, são esperados 980 hectares destinados à cultura, e a produção deve chegar a 27.440 toneladas, uma diminuição de 8% em relação ao ano passado.

Segundo Adriana, o agricultor deverá basear o seu plantio de acordo com o preço que existe no momento, por isso as estimativas podem ser diferentes ao final da safra. “A cebola e a batata são duas culturas que na última safra tiveram um preço abaixo do esperado. No caso da batata, deu prejuízo pros produtores. Então, não sabemos como será essa safra porque às vezes quando o produtor está plantando, a cultura ainda está em desenvolvimento, o preço está bom, e quando está colhendo o preço cai”, explica.

Fumo

Outra cultura que apresentou leve crescimento na região é a cultura do tabaco que possui uma área estimada de plantio em 25 mil hectares nesta safra, um aumento de 0,4% . A produção deve aumentar consequentemente, com uma previsão que seja colhida 56.250 toneladas de fumo.

No entanto, o tempo seco pode alterar os números finais. “A cultura agora está sendo transplantada. Estima-se que 60% foram transplantadas. O tabaco, primeiro é semeado no canteiro, nas bandejas, onde não há problema da falta de água porque fica nas bandejas, flutuando nas águas das piscinas. Mas a partir que é transplantado pro campo, o fumo na nossa região não tem irrigação, não é costume. Então, o produtor está preocupado”, alerta Adriana.

Clima

A região passou por um período de estiagem, que foi amenizado por chuvas localizadas no último dia 23 de setembro. Segundo boletim da Simepar, para os próximos três meses, a previsão é que o clima continue com uma grande variação, algo característico da época. “As alternâncias ou variações nas condições atmosféricas tendem a ser uma constante, ou seja, os períodos de tempo sem chuvas podem dar lugar a outros com chuvas rápidas as quais podem trazer volumes consideráveis de precipitação acumulada”, diz o boletim.

De acordo com a Simepar, a chuva na região deve manter-se na média histórica, com precipitações maiores em outubro e novembro e diminuindo em dezembro. No entanto, o boletim alerta que é possível que em algumas regiões possa haver variação, por causa das alternâncias típicas da época.

Ainda segundo a Simepar, a previsão é que neste sábado (30) a chuva volte novamente a Irati, com pancadas e trovoadas. O céu volta a ficar nublado no domingo (31).

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Arquivo/Hoje Centro Sul

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