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Edição 1010 - Já nas bancas!
07/08/2017

Entidades esclarecem porque a unidade do Erasto em Irati ainda não começou a funcionar

Entidades esclarecem porque a unidade do Erasto em Irati ainda não começou a funcionar

Há cerca de um ano a população regional espera o início dos trabalhos da unidade avançada do Hospital Erasto Gaertner em Irati. A promessa é que a unidade ajudará a diminuir a quantidade de pessoas que vão de ônibus para Curitiba para realizar tratamento contra o câncer.

No entanto, diversos entraves têm feitocom que a data de início de trabalho seja adiada. Questões burocráticas, escolha de local e adaptação do novo hospital foram alguns dos motivos.Atualmente, as adaptações no prédio da Anapci, onde funcionará a unidade avançada, já estão prontas. O prédio também já está equipado com as cadeiras e macas que serão utilizados nos tratamentos. Contudo, agora é a burocracia que tem dificultado a situação.

Segundo a assessoria do Hospital Erasto Gaertner, um problema burocrático que travava o funcionamento foi resolvido em Brasília na última semana. E por isso a previsão de início continua a ser em agosto, mas sem data para ser divulgada.

Já em nota, a assessoria da Secretaria de Estado da Saúde explicou que o processo para viabilização da unidade está em trâmite. A nota ainda explicou todo o processo burocrático que houve para que tentasse realizar o funcionamento da unidade em Irati.

Segundo Secretaria de Estado da Saúde, houve um impasse. “Não é possível a realização de convênio por se tratar de hospital sob a gestão SUS do município de Curitiba e pela natureza dos serviços a serem prestados.A portaria ministerial que habilita novos serviços pelo SUS não permite a inclusão de Serviço de Oncologia Clínica sem a retaguarda de estrutura hospitalar necessária, que neste caso está presente no Hospital Erasto Gaetner, em Curitiba.Para solucionar o impasse, a Secretaria de Estado da Saúde oficializou o Ministério da Saúde sobre a possibilidade de realização de alguns procedimentos fora da unidade hospitalar, como consultas, exames e quimioterapia oral. No entanto, a habilitação dessa atividade necessita de mudança de portaria ministerial, o que ainda não aconteceu”, diz a nota.

A Secretaria de Estado da Saúde informa que será destinado um recurso extra de R$ 200 mil ao mês para o funcionamento em Irati. “Atualmente, a Secretaria de Estado da Saúde já destina ao hospital R$ 2,4 milhões ao ano em incentivos. O recurso faz parte do programa estadual Hospsus, que dá apoio aos hospitais que oferecem tratamento oncológico no Paraná”, diz nota.

No entanto, para que o recurso extra seja destinado é necessário também que seja publicada uma resolução. “A resolução que destina os recursos extras para essa atividade em Irati está em trâmite legal nos órgãos internos do Governo do Estado. Assim que for publicada a resolução, o recurso poderá ser repassado para que as atividades sejam iniciadas.A Secretaria de Estado da Saúde tem interesse em viabilizar essa parceria o mais rápido possível para que possa ser iniciado o atendimento oncológico da população na região”, finaliza nota.

Rede Feminina

Enquanto isso, entidades em Irati se preparam para receber as instalações. Uma das últimas preparações foi a criação da Rede Feminina de Combate ao Câncer.

A Rede é formada por um grupo de voluntárias que ajudam no atendimento aos pacientes. “Se você chega no hospital, a pessoa que te atende lá é uma voluntária. Aquelas senhoras vestidas de cor de rosa que vão conversar com você, vão te encaminhar para onde precisa ir, estão distribuindo um lanche, um chá, uma bolacha, elas estão na área administrativa”, disse Ieda Waydzik, vice-presidente da Anapci e presidente da Rede Feminina de Combate ao Câncer de Irati. A Rede criada em Irati é vinculada às redes estadual e federal.

Como esta rede é a única de rede de voluntários que podetrabalhar dentro do hospital, foi pedido para que Irati criasse a sua, que deverá fazer atendimentos na unidade avançada.“Foi uma exigência do hospital para que funcionasse nos mesmos moldes de Curitiba. Eles queriam que nos acabássemos com a Anapci e passasse a ser Rede”, disse Ieda.

No entanto, a transformação foi negada pela Anapci, especialmente porque o trabalho das duas entidades é diferente. “A Anapci foi fundada há 11 anos e é uma instituição sem fins lucrativos e tem uma finalidade social, ou seja, a gente ajuda o paciente de câncer e as famílias deles com cesta básica, atendimento psicológico, jurídico, remédios, faz visitas domiciliares, eles vem posar na Anapci, mas é tudo para a família e na área social”, explica Ieda.

Outro problema era a questão dos recursos. Enquanto que na Anapci os recursos adquiridos em campanhas servem para a manutenção da associação, os recursos obtidos pela Rede deverão ajudar o hospital.

Segundo Ieda, os serviços da Rede e da Anapci irão se complementar. “Porque essas senhoras novas que vieram vão poder participar da Anapci. Vão ter campanhas de prevenção, vão ter campanhas de festas para arrecadar fundos, vamos estar na rua distribuindo panfletos. Nós vamos mesclar as atividades da Anapci com a Rede”, disse

Uma assembleia em julho deu início aos trabalhos de criação da Rede, com a aprovação de um estatuto. A participação de voluntárias surpreendeu a nova diretoria, principalmente porque havia a exigência de que tivessem 15 mulheres para iniciar a Rede. “Foi numa quinta-feira que a gente decidiu que iria fazer a reunião. E tinha que ser rápido. Ficou combinado para fazer a reunião na segunda-feira. Tinha pouco tempo para convidar. Foi mandando convite via WhatsApp em diversos grupos. Eu recebi em três grupos e dizia ‘passe para frente’. E a gente: ‘tomara que dê as 15 pelo menos’. Quando eu cheguei lá, ainda tinha gente chegando, a sala ficou cheia. Foram 61 mulheres”, disse a vice-presidente da Rede, Karla Osinski Ferreira.

Com o estatuto aprovado em assembleia, há ainda a necessidade criar o CNPJ. A previsão é que a posse da nova diretoria seja junto com a inauguração da unidade avançada.

Nesse meio tempo, os voluntários tem se organizado e tentado angariar mais pessoas para a Rede. Para ser voluntário é necessário preencher alguns requisitos: não fumar, não estar em tratamento oncológico e cumprir quatro horas por semana de trabalho na Rede. Os voluntários também passam por uma análise para verificar a estrutura emocional. Entre as atividades dos voluntários está o acompanhamento do paciente, dando um tratamento mais humanizado a ele, o trabalho administrativo, além de trabalhos de campanhas, divulgação da entidade e de arrecadação de fundos.

Expectativa

Para as representantes da Rede, a instalação da unidade avançada é essencial, especialmente para diminuir o sofrimento dos pacientes e dar melhores condições de recuperação.

“Só de pensar que as pessoas não vão viajar para fazer a quimioterapia, e se viajar, vão viajar pouco, não vão ficar até altas horas, isso traz uma alegria tão grande para gente. Nós estávamos fazendo as contas: São nove cadeiras de quimioterapia, nove pacientes. Vamos supor que cada cadeira seja ocupada num dia com dois pacientes, são 18 pacientes num dia que não viajaram, ou que se viajaram, eles vieram de Rio Azul, de Rebouças. No final de uma semana veja quanta gente não está na estrada correndo risco”, disse Karla.

Para Ieda, a participação da deputada federal Leandre Dal Ponte foi essencial no processo. “Não posso deixar de falar da deputada Leandre, porque se não fosse a deputada nós não estaríamos vivendo esse momento em Irati”, disse.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco e Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

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