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Edição 1010 - Já nas bancas!
07/08/2017

Clima seco atrapalha as lavouras da região

Clima seco atrapalha as lavouras da região

A falta de chuva na região está prejudicando as plantações. O tempo seco  faz com que haja diminuição do tempo de crescimento da plantas e, além disso, força os agricultores a investirem mais para irrigar, causando um déficit no orçamento. A situação pode ocasionar o aumento do valor de alguns produtos no mercado.

O agricultor Oscar Augusto Orchel e a mulher Evani Orchel, tentam resolver da maneira que podem a situação. “Nós temos um planejamento de cultura, com uma área de porte pequeno que nós temos. Então a gente colhe uma coisa, e vai plantando outra para ir diversificando. Aí veio a seca e a gente não consegue plantar nada. Você olha no chão e vê frestas grandes, provavelmente uma chuva que dê agora, de cinco, seis ou dez milímetros não resolve nada, porque o chão está tão seco que quando essa chuva cair, ela vai evaporar, não vai dar tempo do solo dissolver. Aí tem que irrigar, não tem outra solução”, comenta Evani.

Evani também explica que o clima seco diminuiu o tempo de descanso da família, que precisa se dedicar à irrigação da plantação para não perder o que foi investido. “Você não tem feriado, não tem domingo, é contínuo. Se você quer produzir, você tem que estar ali, não dá para parar”, disse.

De acordo com os agricultores, algumas culturas terão que aguardar para serem colhidas, e consequentemente, o valor do produto ficará mais alto. “A batata já era para ter plantado há um mês, aí atrasou um pouco para preparar o solo. E agora pela estiagem da seca, a água não é suficiente para irrigação. Então a gente precisa esperar vir a chuva para começar a plantar. Se a gente preparasse o solo e plantasse na primeira semana de agosto, em novembro colhia. Mas estamos vendo que essa safra vai ficar para o ano que vem. Já tivemos  problemas com perda de qualidade da semente, podemos ter problemas com preço, porque já entram outras culturas, outras variedades. Se não tiver uma qualidade boa do grão, o cliente não fica satisfeito, não tem venda”, explica Oscar.

Além do custo da produção que será mais alto neste inverno, os produtores precisam se preparar para o verão, quando também pode ocorrer seca. “Comparado o gasto, esse ano será bem maior, e o preço vai aumentar. Porque a gente se obriga a aumentar o preço, porque o valor para produzir fica mais alto, não tem como”, observa Evani.

Oscar e Evani trabalham na lavoura com mais de 25 tipos de hortaliças. Mesmo com uma área pequena de plantação, gastam em torno de 20 mil litros de água por dia para irrigar as verduras. A água vem de um reservatório, que molha por dia cinco mil metros quadrados.  Porém depois de usada toda água, é preciso esperar dois ou três dias para fazer o volume voltar ao normal, e assim poder ligar a bomba, o que acaba atrasando a próxima irrigação.

A engenheira agrônoma da SEAB de Irati, Adriana Baumel, diz que não houve perdas significativas com a seca, mas não sabe o quanto as plantações podem aguentar se não chover em alguns dias. Tudo irá depender do estágio da lavoura. “Eu não sei dizer exatamente quanto tempo na nossa região pode ficar sem a chuva, depende das condições de umidade, mas por enquanto não tem perda significativa, vai depender de quanto tempo vai demorar a chover. Temos lavouras em vários estágios, mas não que atinja a plantação”, disse.

Baixo volume de chuvas

Segundo o meteorologista da Simepar, Paulo Barbieri, a última chuva significativa para a região foi no começo do mês de julho, a partir daí não houve uma em grande quantidade. Foram menos de 40 milímetros de chuva em quase dois meses.

Para os agricultores, Oscar e Evani, a chuva precisa ter um volume grande, para começar a mexer com o solo. “Tem que chegar a uns 100 milímetros de chuva para a gente começar a mexer com a terra. Eu preciso mexer com o solo mais profundo, para plantar a batata e a cenoura, então tem que ser esse tanto para poder ficar bom,” comenta Oscar.

De acordo com o meteorologista, há previsão de chuva para esta quinta feira (3), porém a quantidade não é exata. Ele afirma que terá algum impacto, devido uma frente fria que passa pela região, com vento forte. Porém, durará até metade do dia. No período da tarde o sol volta. Segundo Paulo, depois dessa chuva não há outra previsão até a próxima semana.

Planejamento

Mesmo com a chuva prevista, é preciso se preparar para enfrentar a situação de seca. Oscar e Evani estão desenvolvendo um planejamento para que nas próximas secas não ocorram tantos problemas. “A seca está mais frequente. No verão quase sempre tem, e agora no inverno. Então a gente está aprendendo a planejar as coisas para conseguir se virar, porque a natureza está enfurecida. Há uns três, quatro meses a gente olhava toda aquela chuva, e perdemos produção. Depois não teve mais, e ainda não conseguimos recuperar as plantações, porque estavam em fase final, estava bem bonito. Isso foi antes de entrar no inverno, veio a chuva e levou tudo”, conta Evani.

Para ela, todos sofrem com a situação da seca. “É difícil, porque todo mundo sofre com isso. Quem está na roça, quem está na cidade, os animais, quem trabalha com leite, o pasto não cresce e os animais precisam comer. Pode-se alterar o valor em hortaliça, em grão, em leite. O jeito é esperar para ver. Não desanimamos, e não vamos desanimar”, ressalta.

Texto/Fotos: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

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