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Edição 982
07/08/2017

Você sabe o limite entre o uso adequado e o uso excessivo do celular, que pode ser prejudicial?

Você sabe o limite entre o uso adequado e o uso excessivo do celular, que pode ser prejudicial?

Com o avanço da tecnologia e a possibilidade de acessar a internet no celular, o aparelho tornou-se indispensável na vida das pessoas em quase todas as ocasiões. Porém, o uso excessivo pode trazer problemas em vários aspectos para as pessoas, dependendo da forma em que for utilizado.

O celular é considerado o principal meio para acesso à internet no Brasil. Está presente em 92,1% dos domicílios, segundo o Suplemento de Tecnologia da Informação e Comunicação (TIC) da Pesquisa de Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2015, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

De acordo com a pesquisa, todas as regiões tiveram um aumento no uso do celular para acessar a internet. Na região Sul, o percentual chegou a 88,2% da população.  Os maiores consumidores são da faixa de 10 a 49 anos (50%). Os que mais utilizam são os estudantes (79,8%), e pessoas que trabalham na educação, saúde e serviços sociais (97,1%).

A psicóloga Sulliane Freitas explica que o aparelho tem várias vantagens na vida do indivíduo. Entre as vantagens estão a facilidade na comunicação, o aumento do contato com pessoas distantes, a frequência das interações e a criação de relações com pessoas distintas. Também há a possibilidade das tecnologias serem usadas nas salas de aulas no ensino básico e superior. “Para pessoas com dificuldade de interações sociais ele é uma forma de treinar as habilidades sociais. Em psicoterapia podemos utilizar várias ferramentas ou aplicativos com essa finalidade. Os problemas vão surgir a partir da utilização excessiva e substitutiva das relações que deveriam ocorrer ao vivo. Quando uma passa a prejudicar a outra”, disse.

A professora Marisa Remar vê o uso do celular como um ótimo aparelho de comunicação, e utiliza-o para o trabalho em sala de aula. “Eu utilizo o celular nas minhas aulas. O nosso sistema agora é online, faço a chamada e tudo mais. Então, hoje para mim ele é uma ferramenta de trabalho. Qualquer pesquisa, se precisar de alguma coisa você acessa na hora e tira a dúvida. Acho que é uma ferramenta excelente nos dias de hoje, mas com a utilização correta”, comenta.

Para ela, o aparelho é um sistema bom se usado da forma correta. “Eu acho que é um sistema ótimo, porque tem tudo ali. Você consegue falar com qualquer pessoa, a qualquer momento. Você acessa uma informação a qualquer momento, mas eu estou observando que há uma demasia na utilização dele, muitas vezes as pessoas estão usando na rua, e batem em poste ou em outra pessoa, sem tomar esse devido cuidado. Eu acho que falta que as pessoas entendam a forma de utilizar, o momento adequado e para que utilizar. O excesso do uso também faz mal, eu observo que tem umas pessoas que chegam a ficar com dor nos dedos, nos braços, enfim, de tanto ficar no celular”, ressalta.

Real x virtual

A psicóloga Sulliane Freitas explica que as pessoas passam do limite usando excessivamente o celular, e principalmente passam a engajar em interações virtuais mesmo em momentos de encontros presenciais. “Observamos muitas vezes as pessoas em uma mesa fazendo refeição juntos, mas cada um em seu mundo privado, com o celular. Em um show vemos todos preocupados em registrar e filmar, perdendo o contato com o prazer da música ao vivo. Outro problema que se observa é que as interações, quando ocorrem pelo celular, têm uma qualidade significativamente reduzida. A comunicação social se dá em grande parte por meio do não-verbal, com gestos e expressões faciais. Tudo isso se perde na comunicação virtual, e não raramente observamos problemas por conta disso. Não compreendemos o outro e não nos fazemos compreender”, explica.

A vendedora Pâmela Caroline Gardin, 22 anos, diz que utiliza muito o celular, e acredita que existe um meio termo no uso dele. “Eu acho que eu uso ele em excesso. Acordo e a primeira coisa que faço é pegar o celular, ver se tem mensagem. Eu acho que é prejudicial esse vício. Hoje em dia as pessoas não vivem mais, só mais para o celular. Até para o trabalho você usa o celular, para comprar alguma coisa, uso o celular. Eu acho que ajuda, mas atrapalha, atrapalha porque é como se fizesse parte da pessoa. Eu já deixei de lado meu celular, porque eu tive que ficar sem usar ele, mas foi horrível. Ficava preocupada com as mensagens, rede social, eu acho que é difícil ficar sem. Eu utilizo só o celular porque é mais fácil, utilizo mais ligação que o WhatsApp”, conta.

A vontade de estar com o celular se dá devido àquilo que ele provoca nas pessoas, segundo a psicóloga. “É uma questão daquilo que o celular nos promove. Temos interesses e esses são supridos por meio do aparelho. As redes sociais facilitam a autopromoção. Somos vistos, e se gostamos, isso tem um grande valor. Cada curtida e comentário são satisfatórios e, por isso, nos prende. Cada fase que a pessoa passa no jogo é prazerosa. Se é preciso esperar em uma fila pode-se entreter e eliminar um pouco da frustração da espera. A internet nos oferece as coisas de maneira imediata. E ninguém gosta de esperar. Queremos receber o e-mail em seguida, a resposta da mensagem em segundos. Saber de alguma informação imediatamente. O celular é a forma de conseguir lidar com muitas limitações”, explica.

Uso do celular pelas crianças

Marcelo Oliveira, mecânico de Irati, acredita que o celular tem um labo bom, mas também ruim, principalmente para crianças. “A gente vê o celular hoje como um meio de comunicação muito bom, tem o lado bom, porque você pode se comunicar com as pessoas de longe. Mas para as crianças um pouco atrapalha, porque muitas vezes a gente percebe que atrapalha até no estudo. Eu utilizo mais para trabalho, para se comunicar com clientes. Uso mais mensagens e WhatsApp. O adulto sabe limitar um pouco, mas tem pessoas que não sabem administrar o uso do celular, também prejudica se não souber usar”, comenta.

Sulliane explica que as crianças não utilizam a maioria das atividades do celular, e as principais atividades são assistir vídeos ou acessar jogos. Segundo ela, o principal é não deixa-los utilizar de forma excessiva. “Isso pode ser um comportamento permitido, contanto que não seja de forma excessiva, que não prejudique a vida escolar e interações sociais, e que o uso seja sempre monitorado pelos pais. A internet pode ser muito perigosa para crianças se for usada sem monitoramento”, observa a psicóloga.

É assim que a vendedora Pâmela Caroline Gardin trabalha com a filha de um ano e meio para que ela não use muito o celular. “Para os adultos ainda vai usar muito o celular, mas as crianças já aprendem errado, eu acho isso. Eu controlo minha filha para ela não ficar muito tempo no celular, a deixo assistindo desenho na TV, eu acho que tem uma idade certa para começar a usar o celular”, comenta.

Como deixar o celular de lado

A psicóloga Sulliane Freitas explica que para controlar a ansiedade em estar com o celular é preciso procurar se afastar um pouco e se engajar em atividades diferentes. Como, por exemplo, ir ao um parque ou academia sem o celular, deixá-lo guardado, em vez de ao lado o tempo todo.

Também é válido desligar voluntariamente a internet quando estiver envolvido em uma atividade com outras pessoas. Outro modo é engajar-se em práticas que eram comuns antes dessa tecnologia estar na vida das pessoas. Ela explica que no início a restrição vai aumentar a ansiedade. Porém, na medida em que o uso for diminuindo, a tendência é a ansiedade também diminuir.

Aplicativos

Um dos meios para que o uso do celular seja positivo é buscar por aplicativos que ajudem no cotidiano das pessoas. Um exemplo é o aplicativo Agora é Lei no Paraná, criado pela Diretoria de Comunicação da Assembleia Legislativa do Paraná. O aplicativo busca facilitar a comunicação e a busca por informação.

No aplicativo, é possível que o consumidor busque por palavras-chave ou categorias mais de 200 leis estaduais para o consumidor que tratam da compra e venda de produtos e prestação de serviços. O objetivo é que as pessoas possam consultar a legislação e garantir que as leis sejam aplicadas.

Além de ter um manuseio fácil e linguagem simples, foi criado sem nenhum custo para o pode público. Podendo ser baixado pelo AppStore ou Google Play. 

Texto/Fotos: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

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