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Edição 996 - Já nas bancas!
28/07/2017

Fila de espera para consultas especializadas diminui mais de 50% em Irati

Segundo o secretário de saúde do município, no início do ano eram 8.425 pessoas na fila de espera, hoje esse número diminuiu para menos de 4 mil

Fila de espera para consultas especializadas diminui mais de 50% em Irati

O número de pacientes que esperam por consultas especializadas diminuiu em mais de 50% desde o início do ano, segundo dados da Secretária de Saúde de Irati. Em janeiro de 2017 ainda havia pacientes esperando desde 2015 por atendimento. Foram mais de quatro mil casos resolvidosem cinco meses.

Vários procedimentos ficaram com a fila zerada, como gastrologia, urologia, tomografia, nefrologia, bucomaxilo, eletro, cirurgia geral e psiquiatria. Outros diminuíram, como a cardiologia, que de 300 está com 107 pacientes. Na ortopedia, a fila também diminuiu, de 332 foi para 57 pacientes. Já a oftalmologia, a especialidade mais procurada, que estava com 635 pacientes aguardando atendimento, agora está com menos de 100.

Porém ainda há alguns processos em que não houve uma grande alteração. A densitometria óssea teve uma diminuição de 68 pacientes dos 484 que estavam na fila. Para o exame deEco Doppler houve o atendimento de oito pacientes do total de 210 que esperavam. Na cirurgia vascular, chegou aaumentar o número de pacientes esperando na fila, já que não havia vagas para a primeira consulta, etapa necessária para realizar a cirurgia.

Segundo o secretário de Saúde de Irati, Agostinho Vanderlei Basso,serão priorizados os procedimentos que estão com grande fila de espera, e a ajuda do Governo para cirurgias eletivas (cirurgias que podem ser marcadas, sem ser deurgência e emergência) colaborará para diminuir a fila das cirurgias. “Agora nós vamos atacar nesses exames que estão com a fila alta. Vamos pegar esse tipo de procedimento. O Governo está lançando uma campanha de cirurgias eletivas, e Irati teve um aporte de 72 mil reais para gastar com cirurgias eletivas. Eu optei por pegar somente a vascular. Então os outros municípios pegaram várias especialidades. Mas qual a minha espacialidade que mais tem gente? É a vascular. Então vou gastar esse valor, e essa fila eu tenho certeza que irá diminuir de 83, vamos ficar com a média de 20, isso se não conseguir zerar até dezembro”, comenta.

Para ele, a maior dificuldade está com o Tratamento Fora de Domicílio (TFD). “Os pacientes que dependem do TFD, que dependem do Estado, nós não temos controle, aí é o Estado que libera, por exemplo, duas vagas por mês, cinco vagas, dez, porque é fora, e não está sobre o nosso comando”, observa Agostinho.

Para o secretário de Saúde a intenção é estabilizar a fila, para que o paciente tenha uma espera aceitável, que seria de dois meses. “Hoje estamos com menos de 4.000 pacientes na fila de espera, se continuarmos nesse ritmo, possivelmente no final do ano ela estabilize. Eu não concordo quando a pessoa fala ‘eu vou zerar a fila de espera’, porque todo dia está acontecendo. Hoje nós oferecemos somente no posto de saúde, no ambulatório, 360 consultas, fora o Pronto Atendimento. Então, isso em 10 dias são 3.600, em 22 dias são quase 7.000 consultas, seria uma ilusão falar que vai zerar, porque as pessoas adoecem, as doenças novassurgem, os exames estão aí para serem feitos. Então, o que nós buscamos? Buscamos uma espera aceitável, em nível de Brasil e do SUS, que seria de dois meses”, explica.

“Posso dizer para todo o povo de Irati que o setor de consultas especializadas, o setor do TD está indo muito bem, dentro daquilo que foi previsto, que foi programado. E a gente gostaria muito de continuar nessa linha porque a população já está percebendo a diferença e vai perceber ainda mais porque tem dado certo”, salienta Agostinho.

A diminuição na fila de espera

Segundo o secretário de Saúde, a diminuição na fila se dá pelo trabalho realizado pela prefeitura, que manteve como uma das prioridades as consultas especializadas. “Em janeiro tinham 8.425pacientes na fila de espera, era bastante preocupante. Sabíamos que tínhamos que trabalhar bastante pesado para melhorar”, diz o secretário. Ele destaca como se deu o planejamento do setor junto com o prefeito Jorge Derbli. “Priorizamos quatro objetivos: Primeiro: melhorar a atenção básica de qualidade, que a atenção básica seja resolutiva, tem que resolver a maioria dos casos; Segundo: Questão do medicamento nas prateleiras, colocar medicamentos na farmácia; Terceiro: A questão das consultas especializadas; e quarta: O transporte da saúde”, comenta.

Ainda de acordo com o secretário, a primeira atitude tomada no início do ano foi uma reunião com os médicos que fazem parte da Secretaria Municipal de Saúde para explicar a situação das consultas especializadas. Houve também a contratação de um médico auditor, que é responsável por analisar o encaminhamento e verificar o que já foi feito com o paciente. Agostinho explica que o auditor não está no cargo para barrar, e sim ver como foram os primeiros tratamentos realizados.

“O papel dele (médico auditor), hoje na Secretaria de Saúde, qualquer médico que peça exame de imagens, desde tomografia, ressonância, qualquer exame de imagem que seja pedido, antes de liberar passa pelo médico auditor. O médico vai examinar o encaminhamento. Vai, às vezes, devolver para o primeiro médico que receitou, e vai verificar o que ele fez, qual o tratamento, e ver se é preciso. Isso tudo para fazer com que o profissional realmente se responsabilize por aquilo. Outra coisa, o encaminhamento de consultas também passa pelo auditor.  E qual foi a nossa surpresa no decorrer desses cinco meses? Percebemos que os médicos compraram a ideia, se sensibilizaram com a dificuldade e a gente já conseguiu resultados”, conta.

Outra atitude realizada pela prefeitura foi o incremento de 50 mil reais mensais para diminuição da fila. Agostinho salienta que esse investimento é feito juntamente com o Estado do Paraná, que é o principal responsável pelas consultas especializadas.

“O caso do encaminhamento dos especialistas, dos exames mais sofisticados, seria responsabilidade do Estado. A prefeitura investe junto com o Estado. Como o Estado não consegue mais fazer isso, e faz tempo, os municípios tiveram que se reunir em consórcios para arcar com as despesas e atendimento que não era dele”, diz. Outras ações também são desenvolvidas junto com a Santa Casa e com clínicas conveniadas. “Então, nós temos o consórcio, um convênio com a Santa Casa, num total de 40 mil reais, que a Santa Casa disponibiliza consultas e cirurgias, 200 consultas de especialidades por mês, 22 cirurgias, que é outro convênio. E nós temos clínicas conveniadas com a prefeitura, que aquilo que o consórcio não oferece, e aquilo que a Santa Casa não oferece, a gente compra de terceiros”, explica.

Para o diretor administrativo do Consórcio Intermunicipal de Saúde, Luis Fernando Zanon de Almeida, essa responsabilidade das consultas especialidades passou a ser deverdo município, do Estado e do Governo Federal. “Antigamente o Governo se responsabilizava por tudo que fosse básico, e depois o Governo Federal se responsabilizaria pelas consultas de atendimentos especializados. Mas isso foi pactuado,em reuniões dos municípios com os secretários de saúde, de que o município também participaria, porque o Governo Estadualtambém atua na rede básica. Todos os postos de saúde reformulados foram pagos com dinheiro do Governo Estadual, a ambulância foi doada pelo Governo Estadual. Existe essa mentalidade de que o município atenderia somente a rede básica, mas como o Governo entrou para ajudar o município, existe essa questão que hoje passou a ser responsabilidade dos três poderes”, comenta.

Ele ainda salienta que da parte do consórcio não houve mudanças. “Do consórcio não tivemos muitas mudanças ainda, nos atendimentos. A gente está fazendo o que tinha previsto no ano passado, não teve uma demanda maior”, observa Luis Fernando.

Atendimento das consultas especializadas

O atendimento das consultas especializadas acontece das 8h às 15h de segunda à quinta-feira e na sexta feira vai até as 12h. Após esse horário, até às 17 horas, a equipe passa todas as informações para um sistema, telefona para clínicas para agendar procedimentos, marcar consultas, liga para pacientes, e recebe a confirmação das consultas.

Segundo o diretor do Consórcio esse trabalho é feito por cada município, com uma equipe. “A pessoa marca no município, há uma agenda que funciona dentro de um sistema que é do governo do estado, para todos os municípios do Paraná. A gente faz a agenda e manda para esse sistema. Ele cadastra, e de acordo com cada percentual do município é liberada a quantidade de consultas. Se o município não agendar dentro de 72 horas antes do atendimento o sistema joga e libera para todos os municípios marcarem, para gente conseguir 100% de atendimento. Porque sempre falta gente, mas a marcação fica na faixa de 100%. Algumas especialidades a gente não consegue a disponibilidade de consultas, porque são maiores que a demanda, ai a gente vai adequando isso com o médico”, explica.

Consórcio de Saúde

O Consórcio Intermunicipal de Saúde é uma associação pública, fundada em agosto de 1994, com o objetivo de prestar serviço de saúde especializado. Atende aproximadamente 172 mil habitantes da região da Amcespar–Irati, Imbituva, Guamiranga, Fernandes Pinheiro, Teixeira Soares, Rio Azul, Rebouças, Mallet e Inácio Martins.

O diretor explica que o valor do consórcio é rateado pelo percentual populacional com os nove municípios. Irati 35%, Imbituva 17%, Guamiranga 5%, Fernandes Pinheiro 4%, Teixeira Soares 6%, Rio Azul 9%, Rebouças 9%, Mallet 8% e Inácio Martins 7%.

O diretor administrativo do Consórcio explica que qualquer alteração no procedimento do consórcio é feito mediante aprovação dos secretários de saúde dos municípios. “Nós do consórcio estamos trabalhando seguindo as demandas dos municípios. Inclusive tivemos uma demora na liberação de alguns procedimentos médicos dos contratados, por não ter espaço. Na reunião dos secretários, a gente faz uma reunião aqui no consórcio para trazer os secretários, porque eu só posso fazer alguma alteração com a autorização dos secretários, mesmo as contratações, eu preciso de 50 + 1% dos secretáriospara conseguir fazer a contratação de algum procedimento, algum médico, alterar alguma coisa dentro, eupreciso da autorização deles”, explica Luis Fernando.

Consultas pelo Consórcio: Como funcionam

O Consórcio é responsável por vários procedimentos relacionados à saúde. Através do Sistema Único de Saúde (SUS), do Governo Federal, são realizados exames laboratoriais; consultas; mamografias; compra de cadeira de rodas, de óculos e bolsas de decolostomia/urostomia; e exames de cegonha.

Pelo Programa Estadual de Apoio aos Consórcios Municipais (COMSUS) são feitos: atendimento a gestante de alto risco; pediatria de alto risco; hipertensos de alto risco; diabéticos com controle metabólico ruim e idoso frágil; casa de apoio a gestante e transporte sanitário. Há também o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO) que cuidam de atendimentos odontológicos; próteses; rede de cuidado a pessoa com deficiência; e o Programa Nacional de Melhorias do Acesso a Qualidade da Atenção Básica (PMAQ). Outra responsabilidade é o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).

Texto/Fotos: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

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