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Edição 997 - Já nas bancas!
24/07/2017

Ações sociais para moradores de rua de Irati se intensificam durante o frio

Ações realizadas pela comunidade e prefeitura, durante todo o ano, tem uma procura maior no inverno por moradores de rua, índios e famílias carentes

Ações sociais para moradores de rua de Irati se intensificam durante o frio

Durante todo o ano são realizadas ações sociais para atender os moradores de rua da cidade de Irati, mas no inverno a procura é maior devido às doações e a necessidade do corpo em se manter aquecido. 

Para ajudar os moradores de rua, um grupo pessoas se reúne voluntariamente toda a quarta-feira na Igreja Nossa Senhora da Luz para servir sopa e pão. São feitas cinco paneladas de sopas de vários sabores, e servidas às pessoas que vão até o local.

Sandra Hryszko, organizadora do projeto, conta que essa ação já existe há oito anos, e são atendidas em torno de 30 pessoas no dia, entre moradores de rua, índios e famílias carentes. Após o término da ação na igreja, a equipe vai para o bairro Choma e Nhapindazal, onde faz a entrega da sopa a famílias carentes. São em torno de 120 famílias atendidas nos dois bairros.

Todos os alimentos são doações da comunidade, e há também colaboração de algumas empresas com batatas, alimentos não perecíveis e pão. Os outros ingredientes são doados por pessoas que conhecem o grupo, pelas integrantes, pela igreja, e há uma campanha na catequese da Matriz que arrecada alimentos não perecíveis – ingredientes que o grupo mais precisa.

Sandra diz que todo o trabalho é feito pela equipe que corre atrás do necessário, e em oito anos nunca faltou alimento. “Assim, graças a Deus, com o nosso tempo de trabalho muita gente nos conhece, e sempre conseguimos doação, para toda semana. Nunca faltou, e está aberta a comunidade toda”, disse. Para ela esse é um trabalho que precisa da ajuda da população. “Tem panificadoras e supermercados que doam o pão, e a nossa panificadora aqui da igreja fornece nove ou dez pães que são feitos aqui. E é assim, é um trabalho de formiguinha mesmo”, comenta.

Para ajudar ainda mais as pessoas que precisam, Sandra tem o objetivo de criar outro grupo de trabalho. “A gente dá o suporte, apoia, mas alimentar esse pessoal de rua uma vez por semana é muito pouco. Gostaria de juntar mais um grupo de pessoas para fazer a sopa mais um dia da semana. Se tiver pessoas interessadas, podem procurar a gente na quarta-feira. Porque todas nós temos os nossos afazeres em casa, então conseguimos vir aqui fazer uma vez por semana, e precisamos que tenha mais um grupo em outro dia. Nem que fosse só para os moradores de rua que são os que mais precisam, os mais carentes aqui de Irati”, salienta.

Além da entrega da sopa, o grupo também ajuda com doações de roupas e cobertores e as pessoas podem tomar banho no local. As doações podem ser feitas na quarta-feira direto com o grupo, ou deixadas na Secretaria da igreja, com a Natália, que será repassado aos organizadores.

Início do projeto

Sandra e o marido procuraram o padre da Matriz há oito anos, que cedeu o espaço para realizarem a ação. Desde então começou a preparação para atender os moradores de rua. A equipe é praticamente a mesma que começou, são entre oito a dez pessoas que ajudam no preparo, a servir e na limpeza do local.

Outras ações

Outra ação da comunidade para os moradores de rua acontece toda quinta-feira na Igreja Luterana, em Irati, no período da tarde, por volta das 15 horas. Na ocasião é servido cachorro quente e refrigerante para as pessoas que vão até o local.

Ações pela prefeitura

A prefeitura colabora com os moradores de rua com um trabalho intenso durante todo o ano. E já no início do inverno começam as preparações para que essas pessoas não tenham problemas quando o frio mais intenso chegar.

O auxiliar administrativo na Secretaria Municipal de Assistência Social, Cesar Bacil, que tem contato direto com os moradores de rua, conta como o trabalho é feito. Neste ano, no início de junho, eles foram até o local onde os moradores e índios estavam para ver as reais necessidades. Fizeram a entrega de cobertores e roupas de inverno, além da cesta básica, que essas pessoas já recebem mensalmente.

Cesar conta que em Irati são apenas sete moradores de rua. E afirma que esse número é pequeno por causa do trabalho realizado pela prefeitura. “O número de moradores de rua em Irati, para o tamanho da cidade, é pouco, por causa do trabalho que a gente faz. Em média no mês são quatorze moradores de ruas que vem para cá. A gente faz todo o trâmite, eles têm assistência, passam no Provopar pegar roupa. E a gente dá uma assistência para eles –  banho, roupa limpa, comida, espera o ônibus chegar para que ele embarque e vá para outro lugar”, comenta.

Os andarilhos que vem de outras cidades ficam no albergue, onde recebem uma cama para dormir com cobertores, janta, café da manhã e banho. Após a pernoite, o próprio Cesar os leva para a rodoviária para embarcarem para outros lugares.

Para aqueles que precisam de uma ajuda maior, o auxiliar administrativo explica como o trabalho é feito. “Quando a gente vê que a situação é bem crítica, a gente procura a clínica de saúde, coloca na psiquiatria. E os que querem seguir para frente a gente encaminha para comunidades terapêuticas. Tem quatro que estão fazendo o tratamento em outras cidades. A gente procura um lugar para que possam se manter”, observa.

Cesar trabalha nesse ramo há mais de quinze anos, e antes já fazia esse serviço junto com os padres. Ele também é voluntário nas ações sociais realizadas pelos grupos.  Para ele,o trabalho é gratificante. “É o trabalho que a gente faz, eu faço há 16 anos, e o pessoal que precisa de ajuda a gente envia para comunidades para tratamento. É um trabalho legal, e eu gosto. Gosto porque salva”, salienta.

Texto/Fotos: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

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