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Edição 991 - Já nas bancas!
14/07/2017

Rio Azul completa 99 anos e continua entre os dez maiores produtores de tabaco do Brasil

O tabaco é o principal produto cultivado em Rio Azul. Aproximadamente 2.600 agricultores produzem mais de 10 mil toneladas de tabaco, fazendo com que o município seja o décimo no ranking de maiores produtores do país

Rio Azul completa 99 anos e continua entre os dez maiores produtores de tabaco do Brasil

Trabalhando com o tabaco desde os 15 anos, o agricultor Irineu Sguario, hoje com 46 anos, tem nesta cultura uma das principais rendas da sua pequena propriedade, localizada em Palmeirinha, interior de Rio Azul. Junto com a soja, o tabaco ajuda a sustentar a família. “É meio igual: Tem ano que o fumo ganha da soja, tem ano que a soja ganha do fumo”, conta. A flutuação do preço tem sido uma das principais preocupações dos agricultores, que viram o trabalho melhorar com o tempo. “O problema é o preço, mas trabalhar [na lavoura] melhorou. Está mais prático, com a estufa elétrica”, conta.

O preço também é preocupação da agricultora Maria Amélia Franquito de Lima, que há 12 anos cultiva o tabaco junto com o seu marido, Sebastião Fernandes de Lima, em uma propriedade na localidade de Porto Soares, em Rio Azul. “Conforme o ano, o preço, esse que é o maior problema. O preço cai, não cai o valor em si, mas a qualidade na hora da gente vender o produto, essa que é a maior dificuldade e os insumos também são bastante caros. Essas são algumas dificuldades que enfrentamos”, conta.

Eles fazem parte dos mais de 2.600 agricultores de pequenas propriedades cadastrados na Secretaria de Agricultura de Rio Azul e que possuem o tabaco como principal fonte de renda. Apesar das preocupações dos agricultores, o trabalho deles fez com que o município ficasse entre os dez maiores produtores de tabaco do Brasil. Foram mais de 10 mil toneladas produzidas na safra 2015/2016, segundo dados da Afubra.

O prefeito de Rio Azul, Rodrigo Solda, destaca que duas características contribuem para esse resultado: o relevo acidentado e as pequenas propriedades existentes na cidade. “A cultura de tabaco é a cultura que mais se encaixa dentro da pequena propriedade. Por ser uma cultura sazonal, ela é semestral, ela consegue dar um tempo de trabalho mais organizado e viabiliza a oportunidade de cultivarem, criarem outro tipo de produto, ou fazer outros serviços, por isso que o tabaco é tão rentável para o pequeno agricultor”, disse.

Outro fator é a localização dos moradores do município. 66% da população de Rio Azul vive em 33 comunidades. “Isso faz com que Rio Azul tenha melhor organização e distribuição da lavoura de fumo. Por isso chama a atenção e as empresas vêm do Rio Grande do Sul querendo se instalar aqui, ou tem até mesmo os aproveitadores, que vem tirar uma casquinha”, relata Rodrigo.

Ciclo

A posição de Rio Azul entre os produtores de tabaco fez com que a cidade fosse uma das escolhidas para receber o “9º Ciclo de Conscientização sobre saúde e segurança do produtor e proteção da criança e do adolescente” promovido pelo Sindicato Interestadual da Indústria do Tabaco (SindiTabaco) e empresas associadas, com o apoio da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra). O evento aconteceu na última semana, no dia 05 de julho, no Centro de Eventos Martins. “O objetivo principal é reforçar a conscientização das produtoras e dos produtores rurais sobre dois temas muito importantes que são a proteção da saúde e a segurança do produtor. Esses temas na verdade já são levados aos produtores pelos orientadores agrícolas, supervisores, mas quando a gente faz esses eventos é para reforçar isso”, comenta o presidente do SindiTabaco, Iro Schünke.

Uma das principais orientações durante o dia foi em relação à saúde. Os agricultores que trabalham no cultivo do tabaco precisam usar equipamentos e vestuários que os protejam do contato com a planta. Isso para impedir que o agricultor sofra futuramente da chamada doença da Folha Verde. “As empresas ligadas ao SindiTabaco oferecem aos produtores alternativas para que possam se proteger. Quando manusear agrotóxico tem usar o EPI para evitar que se intoxique, quando vai colher o tabaco, tem uma vestimenta adequada para também não ter problemas da doença da Folha Verde do tabaco. Então são fornecidos as alternativas, é feita a orientação e a conscientização e temos visto que estamos evoluindo bem. Naturalmente há uma evolução a ser feita”, relata o presidente.

Outra questão discutida foi o trabalho infantil. O diretor de assuntos ambientais da Afubra, Adalberto Huve, destacou que informações foram repassadas aos produtores. “Buscamos esclarecer principalmente à família e aos jovens aquilo que é definido como trabalho infantil, aquilo que é proibido e aquilo que é permitido que o jovem tenha participação. A gente sempre buscou ser muito claro nessas atividades, identificar o trabalho infantil, no momento que é uma atividade que a criança realiza em substituição na mão de obra adulta é tida como trabalho infantil. Agora tem algumas tarefas que, dentro daquilo que a legalidade nos permite, em que o aprendizado é uma atividade que a criança realiza sem o comprometimento, sem estar suprindo uma mão de obra adulta”, explica.

Segundo o presidente do SindiTabaco, as empresas do ramo tem trabalhado há mais de 20 anos para erradicar o trabalho infantil das lavouras de tabaco. “Hoje a cadeia produtiva do tabaco é considerado um caso de sucesso pela Organização Internacional do Trabalho e pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e como se trabalha esses aspectos relacionados ao trabalho infantil. Então quando a gente ouve isso, nos anima cada vez mais a continuar trabalhando mais. Vamos continuar trabalhando mais e mais nesses aspectos, até porque isso é muito bom para o nosso negócio”, conta.

O ciclo foi realizado em diversas cidades dos três estados da região sul. No Paraná, além de Rio Azul, o ciclo também foi realizado em Guamiranga.

Qualidade do tabaco

Atualmente, a cultura do tabaco é uma das culturas mais rentáveis para o pequeno agricultor especialmente para o que vive em Rio Azul. “A produção do tabaco em si ainda é aquela cultura que dá subsistência maior para o agricultor, ou seja, não existe hoje outra cultura que dentro da sua pequena propriedade ele vá produzir e essa produção seja comercializada, venha dar um rendimento e uma sustentabilidade para ele no volume tão avançado”, explica Adalberto Huve.

Segundo Adalberto, os agricultores têm recebido orientações para diversificar a propriedade. “O agricultor precisa ter uma fonte de renda para o sustento, uma parte operacional de subsistência da sua família o ano inteiro. Então baseado nisso, hoje a grande verdade é que nós ainda temos o tabaco como alternativa de renda onde esse produtor está conseguindo, pelo menos até agora, manter uma qualidade de vida dentro dos parâmetros aceitáveis”, disse.

O presidente do SindiTabaco reforça que a cultura traz uma qualidade de vida que outras não conseguem proporcionar ao pequeno agricultor. “Nós fizemos uma pesquisa ano passado com a Universidade Federal do Rio Grande do Sul que mostrou que nos três estados do Sul, 80% dos produtores de tabaco vivem nas classes A, B1 E B2 que são as classes mais privilegiadas, enquanto que no Brasil, do resto da população brasileira, apenas 20% vive nessas classes. Isso já mostra a importância para o produtor”, disse.

No entanto, um dos desafios para este pequeno agricultor é manter a qualidade do produto. “Nós chegamos a isso porque temos qualidade de produto, nós temos tabaco limpo – que é a integridade do produto e nós estamos mais avançados que outros países em relação à produção sustentável”, disse o presidente.

Com a flutuação do preço, a qualidade do produto é um dos itens primordiais na hora da negociação. Segundo o prefeito de Rio Azul, o município tem procurado orientar os agricultores quanto à questão. “O que a gente procura é orientar eles para valorizar o produto, porque por ser uma cultura sazonal, e o mercado dela é temporário, ela oscila muito apesar de ter uma tabela e isso faz com que a especulação acabe atrapalhando a economia do fumo, a questão do preço”, disse.

Adalberto Huva destaca que o futuro do tabaco está no desafio de manter esta qualidade existente no Brasil, para que o produto não seja desvalorizado comercialmente. “Não podemos em hipótese alguma, deixar de pensar em produzir cada vez mais uma coisa chamada qualidade”, afirma.  Segundo ele, o tabaco produzido no Brasil tem um grau de excelência muito elevado e é respeitado no mundo inteiro, pois grande parte do produto é exportado.

Foto/Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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