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Edição 976 - Já nas bancas
10/07/2017

Aulas particulares ajudam a perder o medo de dirigir

Aulas particulares ajudam a perder o medo de dirigir

Durante 13 anos, Ivonete da Silva não tocou no volante de um carro. Ela tirou a Carteira de Habilitação (CNH) em 2005 e ficou sem dirigir até este ano por conta do medo que tinha das ruas.

“Tinha medo de acidente, de bater, e eu pensava:  ‘quando eu parar na esquina eu vou voltar para trás, não vou sair do lugar’. Eu tinha essa sensação, minhas pernas tremiam demais, não tinha como. Eu não conseguia mesmo, mas eu queria muito dirigir”, conta.

O medo diminuiu apenas no início deste ano, quando Ivonete começou a fazer aulas particulares para superar o medo. “Quando eu soube das aulas, imediatamente, fui. Comprei um carro e continuei fazendo as aulas. E tem solução esse medo, porque é muito bom dirigir”, comenta.

Ivonete brinca que a instrutora funciona como uma psicóloga, para ajudar a superar o medo. A segurança para dirigir na cidade veio após dez horas de aula. “Agora vou para qualquer lugar, em qualquer situação. Eu tenho mais precaução, não é medo, porque é bom ter, prevenir um pouco”, observa.

Depois de perder o medo de dirigir, Ivonete tem recomendado a iniciativa para outras pessoas. “Eu recomendo, porque ficar dependendo dos outros é muito ruim. Minha filha tem oito anos, e todos esses anos eu sofria com ela indo a pé. Sinto-me uma vitoriosa. E a pessoa deve aproveitar a chance que tem alguém para ajudar a gente, porque tem solução, e a gente consegue superar o medo, eu garanto”, cometa.

Ivonete quer até mesmo fazer um curso de instrutora, futuramente. A intenção é poder ajudar as pessoas, assim como ela foi ajudada a perder esse medo. “Quero ajudar as pessoas também, porque tem muita gente que tem medo, quero que as pessoas sejam iguais a mim”, salienta.

Segundo dados da Associação Brasileira de Medicina do Tráfego (Abramet), dois milhões de brasileiros não dirigem por medo. 75% são mulheres, vítimas dessa fobia. Os principais motivos são os xingamentos de outros motoristas e as criticadas dos parceiros.

Para combater esse medo, a instrutora Rosane do Rocio Franco Martins, decidiu abrir o próprio negócio, em Irati, após trabalhar como instrutora por 14 anos em uma autoescola. O objetivo foi ajudar as pessoas que têm habilitação , mas precisam superar o medo em dirigir.

“Meu trabalho é diferente, não é como na autoescola. Porque a autoescola tem o propósito de fazer o aluno aprender e ir para teste, e o meu não. Meu trabalho é mais profundo, para ver porque a pessoa tem o medo. Eu vou conversando para ela ir se soltando. Eu não fujo nada das aulas, do que é correto, sigo todas as leis de trânsito”, comenta Rosane.

Rosane começou a empresa há quatro anos, e como já trabalhava como instrutora, apenas abriu a empresa para as pessoas já habilitadas. A ideia começou com uma visita à Curitiba. Na ocasião, Rosane conversou com uma prima que contou sobre uma empresa que trabalha dessa forma. E como ela já tinha ouvido falar de muitas pessoas que tiraram a carteira, e tinham medo de dirigir, resolveu apostar no negócio.

Ela afirma que o maior medo dos alunos é bater o carro. “As pessoas têm medo de bater, acham que pegou o carro já vai bater. Não é assim. Você tem o freio e a embreagem para segurar o carro, não vai bater”, comenta. Ela ainda explica que a insegurança de estar sozinho também é uma fobia dos alunos, mas varia muito de pessoa para pessoa.

A instrutora preparou o carro para as aulas, com freio e embreagem extras para não acontecer nenhum acidente, e dar mais segurança para o aluno.  Além das aulas práticas, Rosane também revê o Código de Trânsito para pessoa lembrar como é a sinalização, e também conversa sobre o medo. Ainda explica nas aulas sobre a paciência no trânsito que todos devem ter para dirigir.

Rosane diz ser apaixonada pelo que faz, e que o maior benefício é ver as pessoas dirigindo com segurança. “Eu me sinto muito feliz quando eu recebo uma mensagem avisando que está indo bem, está dirigindo por todos os lugares. A maior alegria é isso. Eu acho muito gratificante isso”, conta. 

Texto/Foto: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul 

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