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Edição 991 - Já nas bancas!
03/07/2017

Como resolver o problema do excesso de peso e melhorar a qualidade de vida?

Como resolver o problema do excesso de peso e melhorar a qualidade de vida?

“Antes eu chegava a uma loja, gostava de uma roupa, mas sabia que não ia servir. Então, não pedia para provar. E agora olho na vitrine e vejo que serve, é bem legal! Foi algo que me deixou muito feliz”! Esta é à afirmação da secretária, Kelly Cristina Coginski, de 26 anos, que fez a cirurgia bariátrica e perdeu 50 quilos.

Kelly sofreu com o excesso de peso desde pequena. Mas, com o passar dos anos, acabou não se preocupando, apenas não se pesava. Foi depois da gravidez que descobriu o peso correto e decidiu fazer a cirurgia. Ela conta que tentou outros meios, anos antes, como dieta e chegou a tomar alguns remédios, porém não funcionaram.

“Fazer dieta, você perde um ou dois quilos, eu sabia que aquilo não era para mim, eu precisava perder muito mais, se eu perdesse 10 quilos ainda estaria muito acima do peso. Então eu pensei, tenho que fazer algo que seja radical, que faça perder bastante”, comenta.

A médica endocrinologista Cristina Marcatto Borazo explica que a cirurgia bariátrica precisa ser pensada com cautela, pois também requer uma drástica mudança no estilo de vida.  “É uma mudança para o resto da vida. A pessoa precisa pensar que ela vai fazer e não vai poder comer de tudo. Depois que fez, será obrigado a se reeducar, se não conseguiu antes da cirurgia. Porque pode passar mal se for comer alguma coisa em excesso”, comenta.

Atualmente, após um ano e sete meses da cirurgia, Kelly vive uma vida normal, faz academia três vezes por semana, e às vezes, faz caminhada. Também se sente mais disposta, e cuida da alimentação.  “Hoje eu vejo que o sofrimento do começo vale a pena, tua vida muda totalmente. Agora quero emagrecer mais e manter. Por isso, as pessoas precisam entender que tem que se regrar mais, não podem ter a vida que tinham antes, tem que trabalhar a cabeça”, observa.  

A reeducação alimentar é essencial tanto após as cirurgias para emagrecer – necessárias quando há obesidade, sobretudo a obesidade mórbida (ver box) –  como nos casos em que a pessoa possui apenas sobrepeso. O acompanhamento de um profissional da área de saúde (nutricionista, médico, fisioterapeuta e/ou profissional de educação física) auxilia bastante na hora de escolher o melhor método para o emagrecimento.  

A endocrinologista saliente que o emagrecimento é um ação demorada, e exige paciência e dedicação de quem a faz. “É um processo demorado. É uma coisa gradativa, o normal, quando a pessoa faz dieta, quando é considerado sucesso, é perder de 2 a 4 quilos por mês. É bastante, tem que se pensar em longo prazo, se a pessoa tem que perder 20 quilos, não vai perder de hoje para amanhã, vai ser mais demorado, mas o corpo vai se acostumando com o peso, e é mais difícil ganhar depois,” ressalta.

Everton Pianaro Angelo, de 25 anos, fez uma dieta que encontrou na internet, e buscou um livro para seguir as receitas. Em um mês e meio conseguiu emagrecer 12 quilos, porém esse resultado foi apenas estético, e teve problemas de saúde durante e depois do regime. “Eu percebi que quando eu fazia por conta eu tinha resultado, mas eu estava ganhando um resultado estético e perdendo na questão da saúde. A partir do momento que eu busquei ajuda os dois conciliaram”, comenta.

Nesse contexto, Cristina Marcatto Borazo comenta sobre a necessidade de uma dieta balanceada no processo de emagrecimento.  “Os estudos mostram que o que mais importa é quantidade de calorias ingeridas no dia, para a pessoa ter a perda de peso. E esse número de calorias quanto mais balanceado for, melhor. Porque todos os grupos de alimentos são necessários para o corpo humano”, ressalta.

Depois de enfrentar os problemas de uma dieta inadequada e buscar ajuda para resolver a questão, atualmente Everton se sente muito melhor com o corpo que tem, o IMC está normal, e conta que melhorou muito a qualidade de vida. “De maneira geral, mudei muito, a autoestima mexe muito também, você percebe a diferença. A gente nunca está totalmente satisfeito, mas comparado ao corpo que eu tinha antes e o que eu tenho agora, está ótimo, mudou muito. A prática de esportes, o sono, melhorou bastante”, observa.

Para Everton o principal para emagrecer é querer, ter consciência de que isso será para a vida toda. “O principal é querer mudar, ter força de vontade e seguir, porque na verdade a dieta você segue um ou dois meses. E a reeducação alimentar tem que manter até o fim”, aponta.

Quando começar a se preocupar com a balança

De acordo com a médica Cristina Borazo, é preciso observar o aumento de peso mensal. Se tiver um aumento de um ou dois quilos ao mês já se deve buscar ajuda de um especialista. Quando alguém engorda mais de 20 ou 30 quilos, acima do normal, pode ter um difícil processo para o emagrecimento.

Outra questão é quando há casos de obesidade na família. O cuidado precisa ser maior. Segundo a médica não é comprovado o percentual que a genética influencia se a criança será obesa, mas controlar a alimentação é essencial nesses casos.

Reduzir as poções de alimentos ingeridas também é importante para conseguir ter uma alimentação balanceada. “Se você está comendo duas colheres de arroz, reduza para uma, se está comendo quatro pedaços de carne, reduza para dois. A primeira coisa é tentar reduzir as porções, e cortar “besteiras” como balas, chocolate, salgadinhos e refrigerante. Tirar essas coisas que não fazem bem, que só trazem coisas ruins. Com isso já se consegue perder grande parte do peso”, explica Cristina.

O que é a obesidade

A médica explica que a obesidade é um problema de saúde crescente, principalmente porque as pessoas estão mais sedentárias e com maus hábitos alimentares, o que pode acarretar sérios problemas de saúde.

Segundo a especialista, obesidade é quando o Índice de Massa Corporal (IMC) está acima do normal, que é entre 18 e 25. O cálculo é feito considerando o peso dividido pela altura ao quadrado.  Quando o valor final é entre 25 e 30, a pessoa já precisa de acompanhamento, mas é considerada com sobrepeso. Já acima de 30 é considerado obesidade. E a obesidade é dividida em três níveis. O mais grave é o terceiro, que o IMC está acima de 40, e é considerada obesidade mórbida.

Nesses casos os riscos de complicações são mais acentuados, como problemas de pressão alta, colesterol e triglicerídeo alto, diabete, entre outros problemas que o excesso de peso pode causar.  Esses também são os pacientes aos quais é indicada cirurgia bariátrica, que precisa, além do acompanhamento médio, também um psicólogo e nutricionista para avaliar o perfil do paciente.

Texto: Jaqueline Lopes/Hoje Centro Sul

Fotos: Divulgação

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