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Edição 1003 - Já nas bancas!
30/06/2017

Editorial - Fugindo da guerra

Editorial - Fugindo da guerra

A vida de uma pessoa em outro país que não o seu de origem costuma ser muito difícil, mesmo para quem já possuía o desejo de viver em terras estrangeiras. As principais barreiras são a língua e a cultura diferente.

Se já é difícil para uma pessoa que possuía esse desejo, imagina para alguém que teve que sair de seu país por causa de uma guerra ou para sobreviver? É exatamente essa experiência que trazemos na edição desta semana, onde contamos a história de Eduardo Salloum, um sírio que se mudou para Imbituva em 2014.

A história dele é parecida com a de muitos sírios que estão no país: fugindo da guerra, eles pedem refúgio ao país e se mudam sem saber a língua e não conhecer nada da cultura.

Felizmente o Brasil é conhecido como um país acolhedor. Sabemos como receber um estrangeiro e sempre estamos dispostos a ajudar próximo. Isso faz com que a adaptação seja mais fácil e a pessoa do outro país se sente acolhida.

Os governos estaduais e federais tentam também ajudar nesses primeiros momentos. Há a ajuda na documentação do estrangeiro refugiado e há instituições que ajudam nos primeiros ensinamentos do idioma. Um dos exemplos aconteceu na última semana, quando o Paraná assinou um protocolo de intenções de caráter humanitário para promoção e defesa dos direitos dos migrantes, refugiados e apátridas que vivem no estado. O documento deverá ajudar na articulação das instituições que cuidam de questões como visto, trabalho e educação.

O único problema é que esses meios estão disponíveis para quem vive em grandes centros. Muitos dos sírios e estrangeiros refugiados que vivem no país são encaminhados por diversas instituições independentes para postos de trabalho que estão localizadas no interior do país, em cidades como Imbituva.

O resultado é que a adaptação fica mais difícil, especialmente porque muitos municípios não estão preparados ou não tem recursos suficientes para conseguir prestar um serviço melhor. Quando se tem um serviço, muitas vezes ele pode não chegar ao refugiado, que ainda nem conseguiu compreender a língua portuguesa.

Um dos meios é através de grupos voluntários seja no assessoramento jurídico quanto no ensino do idioma. Mesmo assim, a situação é difícil, já que em muitas cidades do interior a quantidade de estrangeiros não é elevada para que instituições consigam prestar um serviço melhor.

Enquanto isso, sírios e outros estrangeiros têm encontrado meios para esse recomeço através da sua própria força de vontade, aprendendo a língua junto à população e tentado encontrar vagas de trabalho que se adéquem ao seu conhecimento. A superação dos obstáculos é uma lição a todos nós que temos enfrentado uma crise sem fim no nosso próprio país.