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Edição 1005 - Já nas bancas!
26/06/2017

Editorial - Ineficiência do sistema carcerário

Editorial - Ineficiência do sistema carcerário

Precário, fragilizado, sem perspectivas de possibilitar a ressocialização de quem comente um delito ou crime, o sistema carcerário brasileiro é um ótimo exemplo de falência das instituições  públicas. É mantido a um custo elevado para o Estado, apesar dos inúmeros problemas que possui, tem vagas insuficientes para acomodar os detentos, tem policiais e agentes carcerários em quantidade ineficiente para operacionalizar o sistema, falta segurança para conter os criminosos de maior periculosidade, enfim, são tantas questões falhas que é difícil imaginar uma luz no fim do túnel.

Exemplo disso é a carceragem da 41ª Delegacia da Polícia Civil em Irati. Superlotada sempre. Com segurança frágil e exigindo que policiais civis que deveriam estar cuidando de investigações criminais fiquem à mercê dos detentos. Alguns, já condenados e sem ter para onde serem transferidos, como sempre.

A situação se repete há anos no município. Uma delegacia construída quando a cidade tinha proporções bem menores, população menor, menos delinquentes, menor necessidade de atuação da polícia.  E construída na área central, oque significa mais um problema para os cidadãos que trabalham ou residem no centro da cidade, sempre receosos com as fugas e rebeliões de presos.  

No último fim de semana, nova ameaça de fuga foi contida pela Polícia Civil. E na quinta-feira  um bate-grade localizou no interior da carceragem 25 celulares, 05 chips, 05 baterias, 7 carregadores de celular, 98 buchas de Maconha (155 g), 2 facas,  2 serras, 10 estoques e 01 cadeirinha de suspensão.

Drogas e instrumentos de comunicação não faltam para aqueles que tiveram sua liberdade restrita devido a crimes cometidos. Objetos que poderiam ser usados em novas tentativas de fuga também não. Infelizmente é redundante falar sobre os problemas que se repetem no sistema carcerário.  

Investimentos para a construção de novos presídios são caríssimos e não têm apelo popular, logo não despertam o interesse de grande parte das autoridades. Investimentos na discussão de um sistema carcerário menos falho e mais eficaz, que minimamente consiga promover a ressocialização dos detentos são ainda mais difíceis. Seria demorado e exigiria o envolvimento da sociedade que, sejamos francos, não tem interesse nos delinquentes, apenas quer a punição deles. Sem se dar conta que todo o processo é apenas paliativo, quando não acaba por piorar as pessoas e os crimes que futuramente elas vão cometer.