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Edição 991 - Já nas bancas!
09/06/2017

Paixão pelo Corinthians faz adolescente conhecer América do Sul

Antes de qualquer viagem do Corinthians eu acendo até uma vela na imagem de São Jorge sempre pedindo bênção”, conta Marcos sobre seus rituais.

Paixão pelo Corinthians faz adolescente conhecer América do Sul

A paixão de Marcos Vinicius Maximovitz, de 15 anos, está proporcionando ao jovem adolescente a oportunidade de conhecer a América do Sul e o Brasil ao lado do seu pai, Marcos Maximovitz, de 49 anos.

Torcedor do Corinthians, Marcos viaja para os estádios para acompanhar os jogos do seu time de coração. Junto a seu pai, Marcos já conheceu Chile e Paraguai, além de estados brasileiros como do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo e Rio de Janeiro. A meta é rodar todo o subcontinente sul-americano durante 10 anos. “A nossa ideia é conhecer a América do Sul através do Corinthians e dos jogos”, conta.

Quem vê a paixão do adolescente que sempre está com um acessório do Corinthians não imagina que antes ele chegou a ser vascaíno. “Antes de ser corintiano, eu fui vascaíno. Mas nada sério como é o Corinthians. Nunca cheguei ao estádio com o Vasco”, relata.

A boa performance do Corinthians a partir de 2011 chamou a atenção do menino que começou a se encantar pelo clube. Vindo de uma família repleta de palmeirenses, ele assumiu sua paixão em 2013. “Minha família inteira é palmeirense, meu avô, minha avó, meus tios, boa parte são palmeirenses. Tem até alguns flamenguistas. O primeiro corintiano nasceu comigo”, disse. Até mesmo o seu pai, que o acompanha nos jogos, torce para outro time, o Grêmio. “Meu pai até quando eu era pequeno, tinha uns sete anos, ele comprou uma camisa do Grêmio, tentou fazer eu torcer para o Grêmio, mas não deu certo”, conta.

A paixão pelo time tem feito o adolescente fazer até o impossível: convencer seu pai gremista a vestir a camisa de outro time. “Na primeira vez que a gente foi na Arena Corinthians eu falei para vestir uma camisa do Corinthians, então ele pegou, vestiu e assistiu o jogo do Corinthians. Essa foi a primeira e única vez que ele usou a camisa  de um time, não sendo do Grêmio, tudo porque eu pedi. Quando a gente foi assistir um jogo no RS, do Grêmio, ele falou, perguntando se ia colocar uma camisa do Grêmio. Eu falei que não, não coloco outra camisa que não seja do Corinthians”, disse.

Foi no ano de 2014, que ele e seu pai começaram a empreitada de ver os jogos do Corinthians. “Em 2014 eu fui no primeiro jogo. Eu pedi pra meu pai me levar, pra Curitiba, assistir Corinthians e Atlético Paranaense. Então dali em diante a gente foi pela primeira vez na Arena Corinthians, assistir Corinthians e Palmeiras. Depois fui novamente para Curitiba assistir. Depois fui para o Paraguai, ano passado, fui para assistir Cerro Porteño e Corinthians pela Libertadores, fui também na Arena Corinthians ano passado várias vezes. É uma sequência”, conta.

Desde então os dois tem tentado acompanhar o máximo as partidas. No entanto, tanto o estudo quanto o trabalho tem impedido de aumentar o tempo das viagens. Mesmo assim, os dois usam os finais de semana para conhecer os estádios, seja de avião, ônibus ou caravana. “Meu pai proporciona tudo. Se não fosse meu pai eu não ia ter conhecido nenhum estádio”, relata.

Além de conhecer lugares novos, as viagens proporcionam novas experiências. “No Rio de Janeiro foi a primeira vez que a gente andou de avião. A gente nunca tinha andando de avião, meu pai com 49 anos nunca tinha andando de avião. Foi uma viagem bate e volta. A gente chegou lá, pegou o voo aqui [Curitiba] no sábado. A gente não tinha essa experiência de como pegar o voo. A gente chegou com meia-hora antes do voo. Isso não pode acontecer porque você tem que fazer o check-in e tudo. Perdemos o voo, tivemos que pagar uma taxa a mais. A gente saiu de Curitiba às 10h da manhã e chegamos lá umas 11h30. A gente chegou lá, conhecemos um pouco a região, à tarde foi o jogo. De manhã, a gente acordou e fomos no Cristo Redentor, depois fomos pra praia e quando foi 15h de domingo a gente voltou”, conta.

No Chile o perregue foi maior. Isso porque os dois quase não conseguiram assistir o jogo, pois ainda não tinham comprado os ingressos. “A gente chegou à noite, acordamos de manhã e fomos direto no estádio. Quando a gente chegou lá perguntando se iria ter o ingresso, recebemos a informação de que não seria vendido ingresso no estádio, em nenhum momento seria vendido ingresso no estádio, estava sendo vendido apenas no site. Até meu pai viu antes de a gente sair do Brasil, mas estava muito em cima da hora. Então, a única informação que a gente teve é que em uma única loja, a 7 km do estádio, seria vendido ingresso”, conta.

Após quase uma hora, eles chegaram no local, mas a informação se transformou em outra. “Chegando lá a gente perguntou se teria ingresso, a moça falou que não teria ingresso. Então é falta de informação. Eu falei: ‘A gente foi informado que aqui que seria vendido os ingressos’. Ela falou: ‘Só vai ser vendido pelo site, o que você pode fazer é comprar pelo site, trazer a folha imprimida que a gente retira teu ingresso pra você’. A gente teve a ideia de achar uma Lan House na cidade. Seria a única solução”, relata. Os dois rodaram a cidade de Santiago, até encontrar um local para comprar os ingressos através da internet. O problema é que eles estavam em outro país e os sistemas não funcionavam. “Começamos a fazer o cadastro. Na hora de concluir não dava porque tava em outro país, com e-mail brasileiro, confirmação de cartão com número de segurança, não conseguia fazer para em outro país. Aí vinha um SMS para confirmar, mas como tava lá não tinha como. A rede não funciona. Eu falei: ‘Poxa vida, pai, viajar até aqui e não vamos conseguir assistir a partida? A gente estava quase contando com a derrota. A gente comeu um cachorro quente numa loja, já era 18h da tarde. Eu falei: ‘Vamos tentar ir no estádio, não vamos desistir porque corintiano nunca desiste’. A gente pegou e foi até. Chegando lá a informação é que iria ser vendido daqui a meia hora os ingressos”, relata.

Mesmo com essas experiências, o projeto é conhecer mais lugares. “Estamos que vendo para o ano que vem Colômbia ou Bolívia”, disse. Neste ano, uma das cidades brasileiras que eles deverão conhecer é Recife. “O que eu ainda quero um dia é como aconteceu em 2012, onde o Corinthians foi jogar no Japão o mundial de interclubes. Quem sabe, ir pro Japão ou Emirados Árabes”, disse.

Ele conta que as viagens são admiradas pelos amigos, mas que não tem como fugir das críticas de quem não entende sua paixão pelo time. “Eu acho que quem não vai no estádio, nunca foi assistir a emoção. Acho que primeiro tem que procurar sentir isso daí pra depois falar. Porque eu acho que isso é o maior problema, criticar sem saber como é”, relata. “Minha vida não é perfeita, eu tenho problemas, várias coisas, mas quando eu vou ao estádio, são 90 minutos que eu me entrego ao Corinthians, eu esqueço tudo. Eu apoio o time. Esqueço tudo e vivo pelo Corinthians. Isso que é a melhor coisa, estar lá e esquecer de tudo, ver o jogo”, disse.

 

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