facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 997 - Já nas bancas!
19/05/2017

Desconfiança na qualidade de carne faz população tomar precauções

Cuidados se intensificaram na região após denúncias envolvendo venda de carnes impróprias para consumo em Irati. Nutricionista e diretor do Procon dão dicas aos consumidores

Desconfiança na qualidade de carne faz população tomar precauções

Nos últimos meses notícias envolvendo a qualidade de carnes e derivados têm chamado a atenção do público. Operações da Polícia Federal, como a Carne Fraca realizada em março e a Operação Lucas realizada nesta terça-feira (16), mostraram problemas na fiscalização de produtos que foram comercializados sem a segurança sanitária necessária em estados brasileiros.

Já em Irati, o último caso de grande repercussão aconteceu na quinta-feira (11) quando a Vigilância Sanitária  Municipal apreendeu aproximadamente 200 quilos de carne vencida e em mau estado de conservação. O produto estava em uma câmara fria e sendo preparado para ser vendida como carne moída.

Segundo a Vigilância Sanitária, a apreensão aconteceu em uma fiscalização de rotina em um supermercado. Apesar da apreensão, o estabelecimento não foi interditado. O produto foi encaminhado ao Aterro Sanitário Municipal, onde foi inutilizado. A empresa agora está respondendo um processo administrativo sanitário para fixação de penalidade.

Nas redes sociais, a pressão para a divulgação do nome do estabelecimento tem crescido, enquanto a Vigilância Sanitária justifica, em nota, que não divulga o nome por considerar que a “divulgação de nomes ou outros dados dos envolvidos, sem consentimento ou autorização judicial pode incorrer em processo criminal para quem o fizer”.

Enquanto isso, a população tenta tomar cuidado ao consumir a carne e seus derivados. O agricultor Carlos Portela é uma dessas pessoas que tem tomado mais cuidado. Além de cuidar o local onde compra os produtos, ele optou por não comprar mais embutidos. “Carne embutida, só linguiça, e só de carne de porco. Embutida, assim, não compro mais. Salsicha, mortadela, por causa daquela denúncia, que tem muita mistura na carne”, conta.

O casal de aposentados Jerônimo Ribeiro do Carmo e Amélia Vilechaneski do Carmo também optou por não comprar mais carne, após recomendações médicas. “Eu fui operado do coração há 12 anos e o médico proibiu de comer gordura, fritura e pele de frango. A gente compra músculo e ela faz cozido”, conta Jerônimo. Mesmo quando compram carne sem gordura, há o cuidado quanto ao estabelecimento comercial. “Sempre no mesmo açougue. Nunca compramos em outro”, relata Amélia.

O aposentado Orlando Maciel também presta atenção nos lugares onde compra carne e derivados. “Eu escolho os açougues porque eu criei gado. Eu matava, tinha carne crioula minha, entendo até dos cortes. A carne não pode estar preta. Uma costela, um filé, a carne tem que estar vermelha, aí é sem perigo. Ela começou a ficar preta, ela tem perigo. É perigoso. Eu conheci açougue que matava vaca que já tava quase morta, doente. Matava e vendia. Então daí eu comecei a cuidar. A saúde em primeiro lugar”, diz.

O mesmo cuidado é tomado pela doméstica Leocádia Slota. “A gente tem que ter. Eu verifico bem a validade, se está bom para consumo, de preferência em lugar certo para comprar”, disse.

Os cuidados tomados pela população são reforçados pela nutricionista Priscila Salgado Santos Lima, que atua na clínica AngioLife. Ela destaca que é necessária atenção a algumas características na hora da compra. “A cor, o aroma e a textura das carnes são indicativos de seu estado de conservação. Mesmo existindo diferenças de coloração entre os cortes, o consumidor deve estar atento às mudanças. Nos animais mais velhos a coloração é mais escura e a exposição ao ar também provoca diferença de coloração. Na hora da compra, utilize os sentidos para garantir uma boa refeição, descartando carnes com textura viscosa e cheiro desagradável, sinais de que as bactérias estão se multiplicando. Prefira carnes frescas, cortadas na hora. No caso da carne moída escolha seu pedaço e peça para moer, não hesite em cheirar a carne que lhe foi entregue. Nos embalados, a data de validade, a origem e o selo de inspeção devem estar presentes garantindo a procedência”, comenta.

O cuidado na compra é importante, já que segundo a nutricionista, a má conservação pode gerar problemas na saúde do consumidor. “A proliferação de bactérias e fungos nas carnes pode levar a uma intoxicação alimentar que geralmente causa vômito, diarréia, dor de cabeça e febre. O organismo produz anticorpos para nos defender, mas no caso de crianças, gestantes e idosos os cuidados devem ser redobrados, pois dependendo do estado de saúde, as consequências podem ser fatais”, conta.

A nutricionista alerta que retirar a carne da lista de alimentos a serem consumidos pode não ser uma boa ideia. “A carne é fonte de proteínas, ferro, vitaminas do complexo B e sua retirada requer um cuidado extra no planejamento da alimentação, pois não é somente substituir um alimento pelo outro. A dieta deverá passar por mudanças maiores para que todas as necessidades nutricionais sejam supridas”, destaca.

Segundo ela, através de um cuidado maior na compra é possível se prevenir de futuros problemas. “Um indivíduo bem informado, atento na hora da compra e principalmente denunciando e exigindo boas condições higiênico-sanitárias dos locais de venda de alimentos pode contribuir para o cumprimento das leis existentes”, disse.

Proteção

O consumidor que verificou a má qualidade do produto após a compra também é protegido pelo Código de Desfesa do Consumidor. Segundo o coordenador do Procon de Irati, Ronaldo Evangelista, se o consumidor adquirir um produto e verificar apenas após a realização da compra de que este produto está em mau estado, ele possui direito de reclamar com o estabelecimento. “Ele tem direito à troca desse produto ou a devolução do valor que foi pago pelo produto. Isso não impede que ele procure os órgãos competentes, como a Vigilância Sanitária e leve ao conhecimento de que no estabelecimento X existe algum problema em relação ao produto e a Vigilância Sanitária vai então averiguar e vai tomar medidas administrativas”, comenta.

Para o coordenador do Procon, o consumidor tem direito de pedir uma indenização ao estabelecimento que vender um produto em mau estado. “É possível que o consumidor, dependendo da circunstância, faça uma ação indenizatória ou moral e aí o juiz vai avaliar qual a extensão do dano, vai mensurar tudo isso, para saber se é o caso de uma indenização ou não. No meu entendimento é possível sim, porque expõe o risco à saúde do consumidor”, disse.

Carne Fraca

Em março, uma operação da Polícia Federal cumpriu mais de 300 mandados de prisão em seis estados brasileiros, incluindo o Paraná. A operação investigava o envolvimento de integrantes do Ministério de Agricultura na liberação de licenças e fiscalizações irregulares em frigoríficos. A operação descobriu que frigoríficos importantes do Brasil comercializavam carnes em mau estado de conservação e utilizavam outras substâncias para mascarar a conservação do produto. Como a carne era usada no mercado interno e externo, países como China e Coreia do Sul, além da União Europeia, anunciaram restrições temporárias à comercialização da carne brasileira.

Operação Lucas – Nesta terça-feira (16) uma operação da Polícia Federal cumpriu 62 mandados judiciais nos estados de Tocantins, Pará, São Paulo e Pernambuco. A operação investiga o envolvimento de servidores do Ministério da Agricultura, Agropecuária e Abastecimento em situações de favorecimento em processos administrativos de frigoríficos e empresas de laticínios fiscalizadas, por meio do retardamento na tramitação e anulação de multas. Esta operação não tem relação com a operação Carne Fraca.

Irati – Fiscalização de rotina da Vigilância Sanitária encontrou aproximadamente 200 quilos de carne em mau estado de conservação e que estavam sendo preparadas para serem vendidas em forma de carne moída em um supermercado. A vigilância Sanitária não informou o nome do estabelecimento, mas disse que a empresa está sofrendo os devidos processos administrativos.

Quais cuidados você tem ao comprar carne?

“Escolho os açougues mais sofisticados, que tenham uma higiene melhor e uma carne mais fresca. Eu compro carne sempre para poucos dias para não armazenar muito, pra não ficar guardado, estragado. E carne embutida só linguiça, e só de carne de porco. Embutida, assim, não compro mais. Salsicha, mortadela, por causa daquela denúncia, que tem muita mistura na carne”

Carlos Portela, agricultor

“Eu escolho os açougues porque eu criei gado. Eu matava, tinha carne crioula minha, entendo até os cortes. A carne não pode estar preta. Uma costela, pode ser um filé, ela tem que estar vermelha, aí é sem perigo. Ela começou a ficar preta, ela tem perigo. É perigoso. Eu conheci açougue que matava vaca que já tava quase morta, doente. Matava e vendia. Então daí eu comecei a cuidar. A saúde em primeiro lugar”

Orlando Maciel, aposentado

“Não compramos carne com gordura porque faz mal. Muita carne faz mal, compramos mais peixe. Eu fui operado do coração há 12 anos e o médico proibiu de comer gordura, fritura e pele de frango. A gente compra músculo e ela faz cozido”

“Sempre no mesmo açougue. Nunca compramos em outro”

Jerônimo Ribeiro do Carmo e Amélia Vilechaneski do Carmo, aposentados

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Foto: Reprodução/Vigilância Sanitária

Provas quanto ao caso de apreensão de carne deverão ser apresentadas

Deu muito o que falar a divulgação realizada pela Vigilância Sanitária na quinta-feira (11) afirmando que houve a apreensão de 200 quilos de carne vencida e em mau estado de conservação durante uma fiscalização de rotina em um supermercado de Irati. Na ocasião, não foi citado o nome do supermercado. Alguns dias depois, Jeff Reinholds afirmou, em vídeo divulgado nas redes sociais, que o fato ocorreu nos Supermercados G Center.

Um dos responsáveis pelos estabelecimentos gravou vídeo com Jeff e afirmou que não era carne destinada à venda, mas sim restos de carne e ossos que seriam descartados. Tais alimentos estariam na mesma câmara fria, junto com outras carnes, e teriam sido confundidos pelos fiscais, segundo comentou um dos responsáveis pelo estabelecimento no vídeo. 

O Hoje Centro Sul entrou em contato com os diretores dos Supermercados G Center. Eles informaram que estão reunindo toda a documentação relativa ao caso e que apresentarão provas sobre o ocorrido, para publicação na próxima edição do jornal.  

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul

 

Galeria de Fotos