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Edição 955 - Já nas bancas!
07/04/2017

Histórias da engenharia

Histórias da engenharia

Além do café, existe um outro bom combustível para um escritório de engenharia, a Ilexparaguariensis! Calma! Não é droga, bem, pelo menos não é ilícita. É a nossa conhecida erva mate. Sou de descendência paraguaia e como tal apreciador de um bomtererê. Em meu escritório de engenharia se vão jarras e mais jarras de água entre meus desenhistas e engenheiros abastecendo as guampas da famosa bebida paraguaia. No final do dia sempre sobra solitária a guampa coma erva lavada encima da pia. O destino da erva já usada é sempre o mesmo: o lixo.

Junto com a erva se vão centenas de copos plásticos de café (o maior de nossos combustíveis). Junto com os copos centenas de folhas das ideias sempre rabiscadas (engenheiro adora rabiscar ideias, qualquer papo deve ser munido de caneta e papel). Certo dia o desenhista mais desligado do escritório falou que era lixo demais. E não é que o desligado tinha razão!

A erva poderia ser jogada no terreno e virar adubo, o copo poderia ser substituído por uma caneca e o papel poderia virar “borrão”. Pronto! Economizei em copo, em adubo e em papel! Nossa... desligado era eu! E não o desenhista! Veja quanto dinheiro joguei fora! E agora se pensarmos em tudo...em tudo aquilo que jogamos fora, que desperdiçamos, que não reutilizamos. Simplesmente esquecemos que quando compramos algo, compramos junto uma embalagem, que necessariamente não precisa ser descartada.

Aprendi com o desenhista desligado que reciclar não é só uma questão de consciência e sim também de economia. Alias o Brasil é um dos maiores recicladores de latinha por causa disso! Por que dá lucro! Longe de mim, um pobre paraguaio falar mal do brasileiro, mas é a verdade! Talvez fosse a hora de mais do que punir aquele que esta errado, esteja na hora de bonificar aquele que esta correto. O desenhista desligado me ensinou que preservar dá lucro! Hoje todos em meu escritório utilizam canecas, todo papel é reutilizado e a erva vai para o canteiro, não porque dá lucro, mas porque é o certo! Se assim pensarmos, teremos um planeta mais agradável para se viver.

Nossos lixões estão cheios, não existe mais lugar nem condições de se dar destino correto a tanto lixo. O jeito é mudar a cultura do povo, antigamente se dizia que a necessidade era a mãe da invenção, hoje temos o contrário: a invenção é mãe da necessidade. Se cria um produto e depois todo mundo começa a precisar dele, um grande exemplo disso é o celular. Quando eu estava no ensino fundamental ninguém precisava de celular, depois que inventaram, todo mundo começou a precisar. O nosso estilo consumista é suicida. Estamos matando o planeta e nos matando. Talvez fosse necessário repensar nosso modo de vida, principalmente o jeito que estamos lidando com nosso planeta. Não é que o desenhista desligado tinha razão!  

E foi assim que algum tempo atrás, por ideia da minha mãe, a professora Marta, que cuida da biblioteca do colégio Xavier e que teve a iniciativa de juntar lacres na escola, que nos mobilizamos junto com o CREA – PR e ARECI (Associação Regional dos engenheiros Civis de Irati) a copiar o belo exemplo. No final do ano passado tive a alegria de entregar no Erasto uma “caminhonetada” de lacres. Aproximadamente 100kg. Estamos hoje novamente iniciando este campanha, que mais do que ajudar nossos guerreiros que lutam contra o câncer, estamos nos empenhando em uma causa ambiental. Este ano não vamos doar para o Erasto, iremos entregar para a ANAPCI, o braço forte do Erasto em Irati. Ajude você também!

Ramon Pires é engenheiro Civil, formado pela Universidade Estadual de Ponta Grossa, presidente da Associação Regional de Engenheiros Civis de Irati e ex-inspetor do CREA pires.eng@hotmail.com .

Postos de coleta:

  • Inspetoria do CREA – PR em Irati: Rua Alfredo Bufrem 237
  • Jornal Hoje Centro Sul
  • Escritório Ramon Pires Engenharia: Rua André Filipak 43

Curiosidade:

Uma latinha de alumínio pesa cerca de 14,5 gramas. É necessário uma média de 70 latinhas para chegar a um quilo de material. Para atingir o mesmo peso só com lacres, precisamos de mais de 3.300 deles.

Palavra do vice-presidente

A conscientização em reduzir o consumo de materiais não degradáveis é uma urgência. Não quero dizer que já não esteja sendo feita, porém o alerta deve ser constante para que cada vez mais os materiais sejam reciclados, desde o porte residencial até o porte industrial.

A campanha da ARECI representa este alerta, insistindo na idéia da reciclagem, não só para os lacres de latinha, mas também para outros recicláveis, tais como: PET, papelão, alumínio, papel, etc. Você pode fazer isso de casa, separando o lixo orgânico do inorgânico, tornando o processo mais fácil e mais barato.

Vale ressaltar que os lacres e as latas tem composições diferentes. Os lacres tem um alumínio com maior teor de magnésio, diferenciando-os do alumínio usado nas paredes da lata, o que justifica a reciclagem em separado.

Rodolfo Hessel é engranheiro Civil, formado pela Universidade Federal do Paraná, vice-presidente do Areci. rodhessel90@gmail.com

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