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Edição 984 - Já nas bancas!
17/03/2017

Apae comemora 50 anos em Irati

Comemoração ocorreu com uma missa na Igreja Perpétuo do Socorro na tarde de quarta-feira (15)

Apae comemora 50 anos em Irati

A Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) completa 50 anos de fundação em Irati na quarta-feira (15). Para celebrar a data, haverá Missa em Ação de Graças na Igreja Perpétuo do Socorro, às 14h, nesta quarta-feira. A comemoração deverá se estender até 26 de agosto, quando será realizado o tradicional Jantar da Apae, no Centro de Eventos Italiano às 20h.

Fundada em 15 de março de 1967, a Apae nasceu da necessidade da criação de um espaço que atendesse a população com alguma deficiência intelectual. O fundador, José Duda Júnior, procurou a intendência do município de Irati para conseguir fundar uma escola que seu filho, que possuía síndrome de down, pudesse frequentar. O movimento para fundação daApae de Irati iniciou em 1964 com o apoio do Clube Soroptimista.

A Apae iniciou suas atividades em Irati com seis alunos e hoje atende 162 alunos oriundos de Irati e do interior do município. Com 82 profissionais, sendo 43 professores, a Apae hoje um possui um prédio no centro do município, onde também funciona o Centro de Reabilitação e Saúde e Centro de Autismo, alémda Apae Rural, onde realiza atividades profissionalizantes com os alunos.

Segundo a diretora Eliane Pires Filipaki, a Apae trabalha em três eixos. “A base sólida da Apaese estende a três eixos principais que é a escola, a saúde e reabilitação e a assistência social. Então, a Apaeoferta a área escolar que se inicia com a educação infantil, o ensino fundamental e o EJA”, relata.

Em 2012, a Apae passou a ser considerada uma escola de educação básica. Isso proporcionou diversos benefícios, como o transporte dos alunos da Apae que é feito atualmente pelo município. “As Apaes tiveram o mesmo direito, em relação ao transporte, à alimentação”, conta a diretora.“O nosso trabalho enquanto Apaeinstituição é garantir os direitos das pessoas com deficiência intelectual múltipla e principalmente fazer-se cumprir as leis que são estabelecidas a eles, só que muitas,  gente sabe, que ficam no papel”, relata.

Além da parte educacional, a saúde também é tratada pela Apae de Irati, que é uma referência nesta área, na região.Uma das novidades neste setor é que está sendo realizada essa semana a mudança do espaço do Centro de Autismo. O espaço agora estará localizado em um lugar mais acessível e com mais conforto aos alunos.

No entanto, a instituição tem tido dificuldade em sustentar o Centro de Saúde e Reabilitação. Desde 2009, a Apae conseguiu junto ao SUS um recurso para custear os profissionais que trabalham neste setor: dois psicólogos, dois fisioterapeutas, dois fonoaudiólogos, um terapeuta ocupacional e dois médicos. Porém, desde 2009 o recurso não tem tido reajuste. “Hoje, em 2017, nós só conseguimos manter o atendimento na reabilitação e saúde porque a mantenedora que é a Apae entra com contrapartida de 50% do dinheiro necessário para nutrir essa questão salarial”, relata a diretora.

Agora, a Apae busca através da Câmara de Municipal de Irati, um recurso para que possa subsidiar esse trabalho que ocorre atualmente. Enquanto isso, é pelas doações da comunidade que a Apae consegue manter o atendimento. “Se não fosse a central de doações nós não estaríamos conseguindo cobrir os 50% que falta para as despesas da reabilitação e saúde, onde o repasse financeiro feito pelo SUS não é suficiente”, conta.

Inserção na sociedade                                              

Um dos desafios para quem trabalha com portadores de algum tipo de deficiência é conseguir encontrar meios de inserir essas pessoas no dia a dia da sociedade. O desafio é maior para os deficientes intelectuais moderados e severos, com múltiplas deficiências, o público-alvo da Apae.

A maior dificuldade está no mercado de trabalho, que precisa se adaptar para receber algumas deficiências, no entanto, não tem consciência disso. “A maioria necessita de um acompanhamento diário quase que individual, isso pensando em nível de mercado, torna-se quase inviável ser inserido, como você vai colocar a pessoa e o acompanhante junto para estar orientando?”, destaca a diretora Eliane Pires Filipaki.

Situações difíceis já ocorreram, mesmo sendo realizado um trabalho psicológico anterior para incentivar a adaptação. “Mesmo assim aconteciam fatos dentro de onde eles estavam trabalhando em que o pessoal usava eles, sempre o culpado era a pessoa com deficiência. Tivemos alunos que trabalhavam na reposição de mercadorias, então eles iam nos fundos buscar mercadorias, outros funcionários iam nos fundos buscar cerveja, davam para eles tomarem, então eles ficavam em uma condição que o mercado já chamava para a gente estar intercedendo. A gente percebeu alguma maldade. Alguns, maravilhosos, auxiliavam , ajudavam, até mesmo através dessas pessoas que a gente acabou descobrindo que outros que não tinham essa visão, faziam essas maldades com os nossos alunos”, conta.

Contudo, a experiência não é totalmente ruim. Instituições do governo estadual, por exemplo, já deram oportunidade para que alunos trabalhassem. “Nós tivemos um aluno que ficou dois anos trabalhando no Núcleo, ele teve uma resposta extremamente positiva. Então a gente percebe que vai muito do meio em que eles estão inseridos para que dê resultado”, disse.

Atualmente a instituição realiza uma formação profissionalizante na Apae Rural, onde os alunos possuem oficinas de marcenaria e jardinagem. 

Fotos/Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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