facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 952 - Já nas bancas!
17/03/2017

Polícia Federal investiga acordos realizados na Vara do Trabalho de Irati

Acordos simulados prejudicando trabalhadores em até R$ 27 milhões, homologados na Vara do Trabalho de Irati, teriam sido feitos por empresas de advocacia, junto com sindicato e uma empresa de logística, segundo a Polícia Federal

Polícia Federal investiga acordos realizados na Vara do Trabalho de Irati

A operaçãoAvidya da Polícia Federal está investigando a prática de reclamações trabalhistas simuladas na Vara do Trabalho de Irati. Na manhã desta terça-feira (14), 40 policiais cumpriram oito mandados judiciais de busca e apreensão em Curitiba.

A suspeita é que duas empresas de advocacia, um sindicato e uma empresa de logística estivessem realizando acordos trabalhistas simulados e prejudicando trabalhadores. A Polícia Federal estima que o prejuízo chegue a R$ 27 milhões. Tanto as empresas de advocacia, quanto o sindicato possuem sede em Curitiba, apesar da homologação dos acordos ter ocorrido na Vara do Trabalho de Irati.

O delegado José Roberto Peres,da Delegacia da Polícia Federal de Ponta Grossa, que conduz as investigações, concedeu uma coletiva de imprensa para explicar o caso. Segundo o delegado, uma empresa de advocacia representava o sindicato e outra, a empresa do trabalhador. “Essas bancas fecharam acordo trabalhista, os quais foram homologados na Justiça doTrabalho de Irati. Acordos esses que trouxeram um prejuízo aos trabalhadores na ordemde R$27 milhões”, disse. “Os advogados que representavam a empresa e os advogados que representavam os empregados,num sentido de fechar um acordo iludindo os direitos trabalhistas, acordo esse num valor bem baixo, na média de R$4.500 à face que os direitos trabalhistas iludidos eram na faixa R$ 50 mil, justamente para beneficiar a empresa”, explicou o delegado.

Ele ainda afirmou que os valores dos acordos eramdepositados diretamente na conta dos advogados e não eram repassados integralmente aos trabalhadores. “A banca já ludibriou o empregado, fechando um acordo bem baixo e nem esse valor foi entregue ao empregado”, contaJosé Roberto Peres.

Ao todo, foram 602 reclamações trabalhistas na Vara do Trabalho em Irati envolvendo uma empresa de logística e um sindicato dos trabalhadores em empresas ferroviárias. O número chamou a atenção da Procuradoria Regional do Trabalho da 9ª Região, em Curitiba, que levou o caso para a Polícia Federal investigar.

Segundo a investigação, as empresas de advocacia usavam documentos previamente falsificados e falsos testemunhos para iludir partes e a Justiça do Trabalho. Os acordos simulados atingiram tanto empregados diretos, quanto terceirizados.

Uma nota da assessoria do Tribunal Regional do Trabalho da 9ª Região confirmou a existência de mais de 600 acordos. “De ordem da Presidência deste Tribunal e em atenção às notícias veiculadas na data de hoje a respeito da operação realizada pela Polícia Federal, envolvendo supostas reclamações trabalhistas simuladas na Vara do Trabalho de Irati, informa-se que o Ministério Público do Trabalho no Paraná ajuizou 686 ações rescisórias em face dos acordos homologados, as quais se encontram em trâmite neste Tribunal”, diz a nota.

Operação Avidya

Segundo a Polícia Federal, o nome da operação foi escolhido porque a palavra em sânscrito, antigo dialeto da Índia, significa ignorância, falta de discernimento, ou seja, incapacidade de compreender situações, de separar o certo do errado. Para a PF, o nome sintetiza a condição dos envolvidos nos fatos.

Texto: Da Redação/Hoje Centro Sul, com informações da Polícia Federal e Jornal da Manhã

Foto: Ciro Ivatiuk/Hoje Centro Sul