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Edição 947 - Já nas bancas!
17/03/2017

Editorial - Orientação especializada

Editorial - Orientação especializada

Nesta quarta-feira (15) a Apae de Irati completa 50 anos de fundação. Sua criação surgiu da falta de uma instituição que cuidasse de pessoas com deficiência intelectual moderada e severa. Desde então, a Apae de Irati vem suprindo esse papel.

Atualmente, a Apae é responsável pela educação e também pela saúde dos alunos que frequentam a instituição filantrópica. Considerada uma Escola de Ensino Básico, a Apae oferece a educação no Ensino Fundamental, no Ensino de Jovens e Adultos, além de profissionalizante. Na saúde, traz um centro de autismo e um centro de reabilitação com uma equipe multiprofissional.

Por muito tempo a instituição teve que sustentar a partir de doações. As doações ainda continuam importantes, mas o poder público tem começado a investir mais, seja no repasse para a educação ou para a saúde. Mesmo assim, o repasse não consegue custear o que a Apae oferece.

A princípio, quando pensamos em Apae não temos muita noção do que ela realmente representa dentro da sociedade. A grande maioria sabe que a instituição presta um serviço a deficientes, mas não tem a percepção exata do que este papel representa atualmente.

Começamos a ter uma noção nos últimos tempos, com a inclusão de deficientes em diversos meios da sociedade, seja no mercado de trabalho ou nas escolas. A inclusão é direito dessas pessoas e deve ser preservada, contudo a forma com que ela tem sido posta em prática tem mostrado que cada vez mais precisamos de auxílio de instituições como Apae, que tem conhecimento de causa.

O mercado de trabalho é um deles. Empresas que atingem certo número de empregados precisam reservar vagas para deficientes. O problema é que as empresas não estão preparadas para receber esses deficientes, muito menos conhecem o que aquele deficiente precisa para executar as tarefas da melhor forma. Esse desconhecimento atrasa o processo de inclusão e pode prejudicar a vida do deficiente que se propõe a trabalhar.

No entanto é na educação que encontramos mais desafios, principalmente na questão de inclusão de pessoas com deficiência intelectual. A Apae foca em pessoas com deficiência intelectual moderada e severa, já as pessoas com a deficiência leve podem participar da escolarização chamada “normal”. Contudo, a falta de treinamento e orientação especializada pode novamente prejudicar o processo de inclusão e o processo de ensino para essa pessoa.

É através dessas dificuldades que vemos que a Apae não representa apenas um lugar para que deficientes intelectuais se desenvolvam dignamente, mas também um espaço onde a sociedade pode encontrar orientação especializada, de modo que possa ajudar a transformar o nosso mundo em lugar mais civilizado e igualitário, respeitando as diferenças e dando oportunidades a todos.