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Edição 1010 - Já nas bancas!
10/03/2017

Postos de Itapará, Faxinal dos Neves e Palmital são reabertos

Postos que estavam fechados por falta de funcionários ou por falta de manutenção já voltaram a funcionar. Informação foi confirmada pelo secretario de Saúde, Agostinho Basso, aos vereadores de Irati

Postos de Itapará, Faxinal dos Neves e Palmital são reabertos

Os postos de saúde das comunidades de Itapará, Faxinal dos Neves e Palmital voltaram a funcionar após a recontratação de funcionários. A informação foi confirmada pelo secretário de Saúde de Irati, Agostinho Basso, que apresentou um relatório sobre a pasta na sessão ordinária da Câmara Municipal de Irati, na noite de segunda-feira (06).

Segundo Agostinho, manutenção e falta de funcionários foram os motivos do fechamento das unidades de saúde. “Algumas delas por causa de manutenção, como é o caso do Faxinal das Neves, e outras por falta de funcionários. Uma vez que as técnicas de enfermagem que lá trabalhavam eram contratadas via cargo comissionados, como acontece no final de todas as gestões eles acabaram mandando embora naquele momento, isso em setembro e outubro. Quais unidades eram: a Itapará, que é uma unidade grande que nós temos a 60 km da sede, Faxinal das Neves próximo de Itapará, Palmital, Rio Preto, também tava fechado, e também o Faxinal dos Ferreiras que não estava funcionando. Semana passada a gente conseguiu recontratar essas pessoas que estavam lá”, explicou o secretário.

Os postos do interior de Irati foram visitados pelos vereadores integrantes da Comissão de Saúde, Educação e Assistência Social que realizaram uma vistoria das necessidades dos locais. Participaram das visitasos vereadores Roni Surek, Rogério Luis Kuhn e Alberto Schereda, além do presidente da Câmara, Helio de Mello, e do vereador Nivaldo Bartosk, que estiveram em algumas localidades.

Foram visitados os postos de Gonçalves Júnior, Rio do Couro, Cerro da Ponte Alta, Itapará, Faxinal dos Neves, Taquari e Guamirim. Neles foram contatados diversos problemas relacionados à manutenção e falta de funcionários. Um dos exemplos é o posto de Cerro da Ponte Alta onde foram encontrados problemas na estrutura e na parte elétrica do prédio, além de um problema na fossa que está causando mau cheiro. A falta de medicamentos também foi um problema encontrado em grande parte dos postos. Na localidade de Taquari, o posto também está desativado e a comunidade pretende transformar o local em um centro comunitário.

De acordo com o presidente da Comissão, vereador Roni Surek, a visita aconteceu devido a importância dos vereadores verificarem o que está ocorrendo. “Ouvir primeiramente aquelas pessoas que estão trabalhando na área, colher algumas ideias dos moradores, principalmente da área rural”, disse. Ele ainda destacou que mais visitas deverão ser realizadas. “Nós queremos durante o ano fazer de três a quatro visitas para ver a funcionalidade de cada posto de saúde e vamos estender para área de educação e o bem estar social”, contou.

Durante a sessão, o secretário de saúde recebeu uma cópia do relatório apontando os problemas encontrados pelos vereadores. Segundo ele, a atual gestão tem trabalhado para tentar melhorar os postos de saúde do município. Uma das medidas é a contratação de uma empresa terceirizada, através de licitação, para ajudar a recrutar funcionários. “Para que ela possa, até que se faça um concurso público, essa empresa possa vir suprir na questão dos técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, auxiliar administrativos, também técnicos de raios-X. Essa empresa deve estar conhecida, depois desse processo, até o final de março”, conta o secretário.

Sobre a manutenção dos postos de saúde, Agostinho destacou a vistoria realizada ano passado pelo Observatório Social que trouxe uma série de medidas que precisavam ser realizadas. “A gente chegou num acordo de que vai viabilizar aquilo que está dentro do possível, esse é um dos planejamentos”, contou.

Agostinho ainda explicou que a atual gestão não pretende construir novos locais, mas sim trabalhar naqueles que precisam de reforma. Para que isso dê certo, a secretaria de Saúde deverá trabalhar juntamente com a Secretaria de Obras. “Nós já acordamos nessa gestão,juntamente com o Jorge Derbli,que toda e qualquer reforma, ampliação, seja o que for de construção, vai ter uma equipe da própria prefeitura para acompanhar tudo isso. E acompanhar de fato, acompanhar de perto porque nós tivemos na gestão passada inúmeras reformas, inúmeras ampliações e construções, mas algumas delas, mesmo novas, acabaram dando problemas por causa da execução, por causa da questão das empreiteiras que talvez não foram acompanhadas como se estava”, explicou.

Unidades no município

Segundo o secretário, o planejamento é que as unidades de saúde do município sejam melhoradas, fazendo com que as pessoas procurem primeiramente esses locais. “A maioria das unidades já conta com o profissional médico. A gente vai tentar com que mais médicos atendam nas unidades e de repente até esticando um pouco o horário e vamos fazer o máximo possível para ampliar. Nós, por exemplo, vamos ampliar três equipes da saúde da família, a unidade de Gutierrez, da Lagoa e do Joaquim Zarpellon, onde vai ter médico oito horas por dia, atendendo aquela população”, disse.

O secretário ainda destaca que a ideia é aproximar a saúde das unidades dos bairros e a comunidade. “A gente vai colocar mais que um médico em algumas localidades maiores para que eles atendam a sua demanda. O que isso gera? Gera um envolvimento com a comunidade, a comunidade fica sabendo que tem o doente, isso na Estratégia de Saúde da Família se chama criar vínculo com o paciente, e não seja só uma consulta rápida, de repente só para vencer a demanda. Nós queremos conhecer quem é o doente”, explica.

Agostinho reconhece que apesar de haver planejamento para melhorias na saúde pública, o resultado será percebido apenas depois de vários meses. “É a longo prazo. Saúde é diferente das estradas que você passa a máquina e o povo enxerga e já fica feliz, saúde vai começar a apresentar os índices e o resultado daqui a seis meses, daqui oito. Mas o fato é que estamos trabalhando firme, dando passos lentos, porém firmes”, esclarece.

Falta de medicamentos

Ainda durante a sessão, o secretário reconheceu que há falta de medicamentos nestes dois primeiros meses de gestão. Segundo ele, o motivo é que não foi autorizado a compra de medicamentos no final do ano passado, o que resultou em falta de medicamentos de uso contínuo.

No entanto, ele destacou que no dia 5 de janeiro foi aberta uma licitação de compra de medicamentos e que se ainda há falta é porque os processos estão em andamento. “Licitação tem seus prazos legais, tem que esperar a empresa se inscrever, tem abertura dos envelopes, tem o tempo para decorrer, tem o tempo para homologar e depois a empresa tem até 60 dias para entregar. Não tem outra forma de fazer isso”, disse.

Ele também destacou que o município renovou o contrato com o Paraná Saúde que permite que Irati se una a outros municípios e compre medicamentos mais barato.

Outro plano é fazer o Remume (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais). Atualmente, o município é obrigado a comprar medicamentos que o Governo Federal indica como essenciais. Entretanto, segundo Agostinho, muitos desses medicamentos não são usados no município. Com o Remume, o Irati teria uma lista própria de medicamentos obrigatórios baseado no que os pacientes dos municípios precisam.

Médicos para o interior

Indagado sobre falta de médicos no interior, Agostinho explicou que o município deve requisitar mais médicos. Os médicos cubanos que estavam atendendo as localidades, através do programa Mais Médicos, não estão mais atendendo. Um pediu asilo político para os Estados Unidos e os outros dois, um casal, o município não conseguiu renovar o contrato porque havia a obrigação da vinda de outros médicos em seu lugar.

O município já informou a falta do primeiro médico. “O Ministério da Saúde já está repondo esse profissional que saiu do país, e a mesma coisa irá acontecer com o casal”, disse. Segundo Agostinho, o Ministério abriu novamente o programa e deverá contratar seguindo essa ordem: primeiro médicos brasileiros, logo após médicos brasileiros formados no exterior, e em seguida médicos estrangeiros como os médicos cubanos. Irati foi novamente inscrito no programa, e além dos três médicos repostos, poderá receber mais dois médicos. “Quero acreditar que dentro de um mês, um mês e pouquinho começa vir novamente”, disse Agostinho.

Secretaria de Saúde

De acordo com a apresentação de Agostinho Basso, a pasta possui orçamento estimado em R$ 28.355.640,22, referente aos 15% de investimento do município.

Em relação às consultas especializadas, exames, cirurgias e tratamento fora de domicílio, a fila de espera estava em 3 de janeiro de 2017 com 8.425 pacientes. No dia 6 de março, esse número reduziu em 6.558 pacientes, uma redução de 22%. “Se nós continuarmos nesse ritmo, eu quero acreditar que em menos de um ano nós devemos não zerar, porque vai chegando todos os dias, mas nós devemos equilibrar essa fila de espera”, disse.

O secretário ainda mostrou que foram deixados R$ 1.506.962,95 em restos a pagar pela gestão passada. Em 6 de março ainda restam R$ 668.748,16. “Já foram pagos R$ 800 mil de restos a pagar”, disse o secretário.

Agostinho ainda ressaltou que a secretaria tem conversado com os médicos sobre as dificuldades financeiras. “Eu perguntava para os médicos, ‘nós precisamos do apoio de vocês porque adianta você receitar novamente um exame, mesmo que esse exame possa esperar um pouco, sabendo que tem 8 mil pacientes na frente?’.Pedi que fosse racionalizado, fosse pensado”, disse. Junto com o pedido, o município também contratou um médico auditor para encaminhamento e solicitações de exame. Isso fez com que 60% das solicitações fossem diminuídas. “Está sendo solicitado somente o que é preciso”, disse.

Pronto-Atendimento

Segundo Agostinho Basso, uma das dificuldades é o atendimento no Pronto-Atendimento. O secretário explica que muitas pessoas acabam procurando o espaço para ter consultas que poderiam ser feitas em uma unidade básica de saúde ou em um ambulatório. São consultas que podem ser marcadas, por exemplo. “A população ela vai no pronto-atendimento para fazer consulta, uma consulta que a gente chama de eletiva. É aquela consulta que é um problema que eu tenho de saúde alguns dias que daí eu resolvo que vou no médico, mas eu demoro um pouco mais”, explica.

Com consulta assim neste local, os médicos podem acabar não conseguir atender outros casos. “O risco disso é que quando chega um infarto verdadeiro, quando chega um derrame, quando chega alguém com uma crise séria ou uma doença infecto-contagiosa grave, os médicos estão gastando todo o seu tempo para atender consultas eletivas”, disse. Ele exemplifica com números mostrando que em 22 unidades dos últimos quatro meses do ano passado foram realizadas pouco mais de 12 mil consultas e somente no PA foram 19 mil consultas.

O pronto-atendimento é usado para atender emergência e urgência. “O que é urgência? É uma crise aguda que você tem que resolver não na hora, mas tem que sair daquela dor, sair daquela crise, sair daquele incômodo. O que é uma emergência? É um tratamento que tem que ser feito agora, já, é questão de minutos, no máximo de horas”, explica.

Para melhorar o atendimento, o pronto-atendimento usa um esquema de cores para atender. Quem recebe a cor vermelha é atendido imediatamente, já a laranja será atendido em meia-hora. O amarelo em até 1 hora e o verde até 2 horas. O azul é em até 4 horas ou mais. Segundo Agostinho essa pode ser a explicação porque algumas pessoas acabam tendo seu atendimento demorado no PA.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul e Assessoria Câmara de Vereadores de Irati

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