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Edição 952 - Já nas bancas!
10/03/2017

Ato ilegal e perigoso

Ato ilegal e perigoso

O início do ano trouxe uma notícia não muito boa: houve aumento no número de queimadas em Irati na zona urbana. O período coincide com a orientação de seguir a legislação do município que pede que proprietários permaneçam com seus terrenos limpos na zona urbana.

Apesar do número não ser alarmante – apenas cinco queimadas foram registradas nesses dois meses na zona urbana – o número é atípico para o verão. Especialmente, para uma época marcada por clima irregular, com períodos de seca e outros de chuva.

O costume de realizar queimadas em terrenos para que fiquem limpos é antigo, e era até compreensível quando a região não era desenvolvida. Os espaços eram maiores, as pessoas moravam distantes das outras e o risco do fogo atingir um lugar não planejado era mínima.

No entanto, o município cresceu. Casas, comércio, indústrias, escolas e hospitais foram construídos ao redor de diversos terrenos baldios que ainda estão localizados no meio do município. E isso faz com que essas queimadas, que tem a intenção de serem controladas, acabem atingindo espaços que não eram planejados e causar uma tragédia enorme.

Os riscos não são poucos: o incêndio pode atingir os imóveis vizinhos, a parte elétrica e trazer prejuízos como poluição ambiental, fuligem, empobrecimento do solo e perda da diversidade animal, como sapos e lagartixas.

Por isso, a preocupação é grande, mesmo que os números não sejam. A pouca diferença já pode ser um alerta para que as autoridades evitem uma tragédia maior.

No entanto, não são apenas as autoridades que devem estar alertas em relação à sociedade, mas a população também precisa estar consciente dos perigos de realizar tal procedimento dentro da zona urbana.

Além disso, uma legislação que obriga a limpeza dos terrenos não pode ser uma desculpa para que esses proprietários não sejam responsáveis com a forma que estão executando o serviço. É necessário cumprir a legislação, e ao mesmo tempo, fazer a limpeza de forma ordeira e responsável.

Mais do que tudo, se queremos ter uma boa convivência dentro do perímetro urbano do nosso município, devemos ter a consciência que não estamos sozinhos. O que um faz em um lado, afeta o outro que está ao outro lado. Quando conseguirmos realmente compreender que não estamos sozinhos, conseguiremos ter uma convivência mais cordial e mais ordeira.