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Edição 982
08/03/2017

Mulheres de fé

No Dia Internacional da Mulher, freira conta um pouco do cotidiano da vida religiosaque algumas mulheres escolhem seguir

Mulheres de fé

Elas vão às compras, viajam, cuidam da horta, fazem os afazeres domésticos, as atividades diárias e convivem. Entre uma atividade e outra, elas param: é o momento de dedicar-se ao chamado religioso que as fez seguir o caminho da fé.

É no alto da rua 15 de novembro, em Irati, entre uma escola e um centro comercial que vivem sete mulheres. Elas são as freiras da Congregação Filhas da Caridade de São Vicente de Paulo.

Uma delas é a irmã Itatilia da Luz Machado, de 76 anos, diretora-administrativa e madre superior da Congregação. Nascida em Prudentópolis e criada em Cascavel, a irmã Itatilia veio para Irati aos 11 anos já com a intenção de ser freira. “A minha vocação nasceu, eu calculo, que aos 6 anos quando a gente encontrou uma irmã e gostou daquele tipo de roupa, que era bem diferente há 40 anos atrás”, conta.

No entanto, uma doença interrompeu a sua caminhada e fez com que ela voltasse para a família. “Eu sou de uma vocação mais tardia porque meu pai teve um câncer e eu tive que ficar em casa porque eu sou a mais velha e fiquei nove anos em casa”, disse. Voltou aos 27 anos, quando começou novamente a caminhada para ser freira.

A vida dentro da Congregação é mais religiosa. Logo pela manhã, as freiras rezam por uma hora, no almoço há mais uma oração e há noite mais uma hora de oração. Elas ainda participam das missas todos os dias. Apesar da rotina diferente, o restante é normal. Todos os dias após o almoço, as sete freiras se reúnem durante uma hora para conversar e contar piadas. A noite também há um momento de convivência, quando as freiras reúnem ao redor da sala para assistir ao noticiário, quando algumas bordam, fazem tricô e até pipoca.

A escolha de seguir essa vocação fez essas mulheres seguirem um caminho diferente do que a sociedade encara para mulher. Entre as diversas renúncias está a renúncia de gerar um filho em seu ventre. Segundo a irmã Itatilia, essa renúncia não faz com que as irmãs não exerçam a maternidade. “A maternidade é gerar no ventre, para nós, irmãs, é gerar vida através do acolhimento, através da caridade, através do atendimento de uma pessoa .Tem muita gente que diz que não pode ser certo porque Deus criou a mulher para procriar e irmã não procria, mas nós geramos vida nesse sentido”, explica. “Nós não temos um filho, nós temos vários filhos. Nós temos um atendimento no asilo que nós dizemos que são os nossos filhos. Nós deixamos nossa atividade aqui e nós vamos para o asilo toda a terça-feira e lá nós fazemos esse trabalho de acolher, de buscar com a cadeira, de levar na capela, de rezar canto, de rezar com ele, de trazer de volta na roda do chimarrão, isso pra nós é gerar vida porque nós estamos apoiando, dando força, dando sentindo a vida. Então não geramos dentro do nosso ventre, mas nós geramos dentro do coração com nossos pensamentos, nossas palavras, nossos atos”, diz.

Texto/Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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