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Edição 969 - Já nas bancas!
06/03/2017

Falta de agentes ainda é problema no combate à dengue na região

Falta de agentes ainda é problema no combate à dengue na região

A falta de agentes de saúde em alguns municípios da região para realizar o trabalho de prevenção ao mosquito da dengue, Aedes Aegypti, tem sido uma preocupação para a 4ª Regional de Saúde. Os municípios que integram a 4ª Regional têm 35 notificações desde agosto do ano passado, mas não possuem muitos casos da doença confirmada. Quando possui, o caso é importado, ou seja, a pessoa foi contaminada em outra cidade que não a de origem.

“Foram 35 casos notificados na regiãointeira, são nove municípios. Dos nove municípios, cinco tiveram notificações de suspeitos de dengue, sendo que o maior número foi em Irati, foram 23 casos suspeitos em Irati e quatro casos confirmados, dois eram Irati, um em Imbituva e outro em Fernandes Pinheiro. Os quatro casos notificados são importados, ou seja, eles não foram contraídos nos municípios de residência dos pacientes”, relata Kelly Kosloski, chefe da Divisão da Vigilância em Saúde.

Mesmo com casos importados, a equipe da 4ª Regional está atenta aos riscos devido à infestação de vetores da doença. “Existe um risco de um dia a gente entrar numa epidemia porque Irati teve 23 casos notificados, Imbituva teve sete casos notificados. Esses dois municípios são os nossos dois municípios infestados. Ou seja, ele tem os vetores. Tem o aedes. Ele está aqui no nosso meio. Se um aedes vem e pica essa pessoa [contaminada] e pica outra, começa a circulação viral”, disse.

Uma das formas de prevenção é a visita às residências para verificar se a população está cuidando e evitando que novos criadouros do mosquito surjam. No entanto, a falta de agentes dificulta o processo. “O trabalho que vem sendo feito em Irati está precário, já vem da gestão anterior a falta de pessoas, deixar claro que se arrasta por algum tempo, isso já foi encaminhada ao Ministério Público, tem uma ação do MP em relação a essa falta de contratação”, conta o chefe da sessão da Vigilância Sanitária Regional e Segurança do Trabalhador, Walter Henrique Trevisan.

No caso de Irati, um concurso chegou a ser feito, mas os aprovados não foram chamados. Segundo Walter, a promessa da nova gestão é chamar os aprovados. “A nova gestão que a gente tem da fala do Agostinho, secretário da Saúde, é que estão sendo providenciados para serem chamados aqueles que passaram no concurso”, disse.

O problema se repete em outros municípios. “Fernandes Pinheiro também tem uma equipe reduzida, as pessoas não estão podendo trabalhar e Imbituva a mesma situação”, relata.

Walter ressalta que o cuidado também deve ser estendido para a população. “Esse trabalho de endemias é braçal. Infelizmente a população ainda não entendeu que os criadouros quem cria é ela mesma, enquanto a população não se envolver nesse processo de não deixar lixo no seu terreno, se cada um fizer a sua parte nós vamos conseguir evitar a dengue aqui na região. O Estado não vai ficar limpando o terreno das pessoas, nem as secretarias municipais têm essa função. A função é que cobrar que as pessoas se envolvam”, disse.

Ações

Segundo a chefe da 4ª Regional de Saúde, Jussara Kublinski, o projeto é dar continuidade ao trabalho já feito pela Regional e ampliar a participação dos municípios na prevenção da dengue. “Trabalho é feito direto com os municípios, alerta, prevenção, através de folders, comunicação, todas as notificações. E a gente pretende fazer um trabalho mais firme, mais perto dos municípios. Agora vai ter o Dia D da Dengue, a gente pretende estar junto com os municípios, para essa conscientização deles junto com a população”, declarou. Ela ainda ressaltou que a 4ª Regional quer envolver ainda mais as escolas para aumentar a conscientização. “Começar a fazer nesses colégios conversar, com os secretários municipais para fazer uma ação nos colégios pra ir lembrando os diretores, os coordenadores, para que eles venham conscientizando as crianças, para que eles venham conscientizar os pais na casa”, disse.

Ainda estão nos planos a criação de um Comitê da Dengue que deverá reunir diversos agentes envolvidos na prevenção, como representantes de setores da educação, da saúde, defesa civil, entre outros. A ideia é que o comitê se reúna uma vez por mês para discutir as questões relacionadas à doença.

Texto/Foto: Karin Franco/Hoje Centro Sul