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Edição 997 - Já nas bancas!
06/03/2017

Tratamento de equoterapiapara pacientes da região terá início napróxima semana

Foi criado um Centro de Terapia e, através de um convênio com o Consórcio Intermunicipal de Saúde, o tratamento será oferecido para pacientes de oito municípios da região

Tratamento de equoterapiapara pacientes da região terá início napróxima semana

A partir da próxima terça-feira (07), os moradores dos municípios da região Centro Sul, atendidos pelo Consórcio Intermunicipal de Saúde, poderão utilizar o tratamento de equoterapia para auxiliar na habilitação física, motora, psicológica e mental. O tratamento deverá ser agendado pelo município, que encaminhará o paciente para a equoterapia.

De acordo com o diretor administrador do Consórcio, Luis Fernando Zanon de Almeida, serão 25 vagas para os oito municípios credenciados no consórcio. “O consórcio trabalha com rateio, cada município tem um percentual de acordo com a população. Então a gente divide esses 25 atendimentos entre os municípios, de acordo com seu rateio”, explica.

Atualmente, o tratamento de equoterapia está sendo realizado em Irati por uma empresa especializada, que tem sede em Ponta Grossa. O município de Irati possui um contrato com a empresa que permite que os profissionais façam o tratamento toda a quinta-feirae são atendidos  aproximadamente 100 pacientes ao mês. Agora, o Consórcio de Saúde credenciou essa mesma empresa, que oferecerá todas as terças-feiras atendimentos para a região.

O tratamento antigamente era feito no CTG Willy Laars, mas foi transferido para um Centro de Terapia construído pela Instituição Petra. O novo local foi cedido gratuitamente para os tratamentos, tanto para os oferecidos pelo município de Irati como para os realizados através do Consórcio. No Consórcio, os municípios terão apenas que pagar o custo do atendimento de cada sessão, que deverá girar em torno de R$102. “É custo/município inicialmente, até que a gente consiga verba do governo Federal ou Estadual para bancar esse atendimento. Então cada município vai pagar o seu atendimento”, conta Luis Fernando.

Equoterapia

Aequoterapia utiliza o cavalo dentro uma abordagem interdisciplinar para realizar o tratamento em pacientes. “A equoterapia é um tratamento que é reconhecido pelo Conselho Federal de Medicina desde 1997, e atendecrianças na área de habilitação física, motora, psicológica, mental e hoje nós atendemos diversos tipos de patologia através desse tratamento que utiliza o cavalo como agente promotor de ganhos, então atendemos crianças com paralisia cerebral, com síndrome de down, com autismo, com doenças degenerativas e com bons resultados”, disse o coordenador técnico do Centro de Equoterapia, Eros Spartalis.

O tratamento pode ser feito com crianças a partir de três anos e não tem limite de idade. Idosos e jovens adultos que tenham sofrido alguma sequela de alguma doença também podem participar do tratamento.

Como funciona

Em Irati, o atendimento inicia com um encaminhamento médico. Após isso é realizada uma avaliação. “Ela vai sofrer avaliação de uma fisioterapeuta, de uma psicóloga, para daí a gente encaminhar em que programa essa criança ou essa pessoa vai estar se encaixando”, relata Eros.“Então se é uma criança que tem uma paralisia cerebral e tem uma limitação física-motora, o profissional que primeiramente vaiatuar é o fisioterapeuta”.

Em seguida, é realizado o atendimento onde um guia conduz o cavalo e um profissional de saúde auxilia no atendimento. “Um condutor, auxiliar guia, conduz um cavalo, o paciente, aqui nós chamamos de praticante, porque ele faz parte, ele participa do tratamento, e o mediador que no caso é o técnico responsável por aquela sessão dependendo da patologia”, explica.

Cada sessão dura aproximadamente 30 minutos e tem os objetivos de trazer melhoras dos objetivos colocados na avaliação.

Resultados

De acordo com Eros, os benefícios da equoterapia são reconhecidos. “Em torno de 16 a 20 sessões a gente vê um ganho muito grande na questão de equilíbrio e coordenação motora global, são as primeiras coisas que a gente vê principalmente para crianças que tem déficit nessas áreas, no equilíbrio ou na coordenação motora”, conta.

“Também temos os benefícios em relação ao vínculo social, à comunicação, à melhora nos déficits de aprendizagem, nos déficits de atenção. Então a equoterapiaé dividida em quatro grandes áreas onde nós podemos ter uma melhora na reabilitação física ou motora, uma melhora na questão psicológica, uma melhora na questão educativa e depois se a gente vê que é o caso, a inserção social através do esporte adaptado”, relata. “Nós já temos crianças que começaram a fazer o tratamento de equoterapia e hoje já são adolescentes, jovens que já estão inseridos através do esporte eqüestre adaptado, participando de provas estaduais, nacionais e até já foram fazer provas internacionais”.

Os benefícios são sentidos pelos pais das crianças. Susan TicianeAntuners Martins é mãe de Vinicius de 10 anos, que possui anoxia cerebral. Ela conta que seu filho participa da equoterapia desde que iniciou em Irati e que viu melhorias. “A coordenação motora dele. Ele não comia sozinho, agora ele come. Ele caia bastante, agora não cai mais”, conta. A realização do tratamento ajudou a família, que teve a oportunidade de participar apenas quando o tratamento começou a ser realizado em Irati. “O médico indicou a equoterapia, mas por ser longe a gente não tinha condição”, conta.

Adão Carlos Fragoso também viu benefícios no tratamento de seu filho Lucas de oito anos, que é autista. “Principalmente o comportamento dele, a interação social, ele melhorou bastante. Ele quase não se comunicava, a comunicação social, a interação dele está bem boa, melhorou muito”, conta. “Ele quase não falava, agora já começou querer falar alguma coisa, o comportamento dele também, ele não ficava muito com pessoas, agora ele já começou a ficar bastante, até com criança ele começou a brincar, antes ele brigava, meio que chorava, agora já tá parando sozinho”, relata.

Instituição Petra

O local onde está sendo realizado o tratamento de equoterapia pertence à Instituição Petra. “O princípio da Petra é uma instituição filantrópica na qual a gente procura dentro da parte de terapia, a gente está procurando fazer o seguinte: montar uma estrutura na qual tenha o benefício da população”, conta o representante da instituição, Milton José Ferreira, mais conhecido como Kiko.

Segundo ele, a intenção é que o local, pertencente a uma antiga pedreira, seja transformado em um Centro de Terapia, onde diversos tratamentos poderão ser oferecidos. “Iniciamos o projeto Petra com a equoterapia, pretendemos estender para outras terapias, e também temos um projeto no qual, por ser um local histórico, de a gente apresentar essa história de Irati pra essa população, fazendo trilhas de caminhadas, tendo um museu, que já foi restaurado uma casa antiga. Queremos manter a história de Irati, mostrando para a população essa história”, relata.

Ele conta que a ideia da criação da instituição nasceu a partir da necessidade de realizar o tratamento em Irati. “A princípio tive o conhecimento das mães que levavam as crianças até Ponta Grossa porque não tinha um Centro de Equoterapia aqui, então baseado na necessidade dessas crianças e na dificuldade que teria de locomoção a gente entrou e teve um conhecimento da equoterapia e resolvemos fundar a Petra”, disse.

“Hoje a gente tem uma parceria cedendo o espaço para Prefeitura Municipal de Irati, existe um contrato com uma empresa que faz prática da equoterapia e até o próprio Consórcio de Saúde vai usar mais um dia da semana a estrutura da Petra. Nós pretendemos em outros dias, fora terça e quinta, a gente montar uma estrutura para gente poder atender a população com outros tipos de terapia, além da equoterapia, sempre baseado na filantropia”, explica Kiko.

A intenção é que com o tempo a população possa se envolver com o projeto, ajudando a ganhar uma vida mais longa. “A gente está dando forma ao projeto, com o passar do tempo a vamos querer que a população se envolva nesse projeto para que a gente consiga chegar mais longe, então, unindo quem precisa e quem pode ajudar, a gente chega muito mais longe. Sozinho você vai mais rápido, junto você vai mais longe”, destaca.

Fotos/Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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