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Edição 970 - Já nas bancas!
29/08/2016

Olimpíadas aumentam procura por esportes e incentiva jovens atletas

Jogos Olímpicos fizeram com que procura em categoria de base de diversas modalidades aumentasse; conquistas de atletas brasileiros ajudam a incentivar jovens atletas que sonham com profissional

Olimpíadas aumentam procura por esportes e incentiva jovens atletas

Os Jogos Olímpicos sediados pelo Brasil nas últimas semanas inspiraram muitas crianças e adolescentes que sonham se tornar atletas profissionais. Um dos sinais foi a crescente procura por escolinhas de base.

É o caso da escolinha do Clube Atlético União Olímpico de Irati (C.A.O.U), comandada pelo treinador Frederico Ruva. Ele conta que as inscrições aumentaram cerca de 20%. “O que a gente nota é que em períodos de Copa do Mundo e período de Olimpíadas existe uma crescente de inscrições nas escolinhas, justamente porque eles se espelham, veem muito a cobertura desses jogos, essa própria cobertura em cima do futebol”, disse.

Contudo, não é só no futebol que o interesse aumenta. Frederico Ruva conta que na escola onde trabalha, os alunos também têm mostrado interesse nos outros esportes. “Na escola a gente vê. Começam a perguntar: ‘Professor, que horas é o treino, a gente queria ver’", diz.  Ele conta que atua com vôlei na escola e afirma que os professores de basquetebol também perceberam o aumento do interesse dos alunos, além daqueles que já participam do projeto de tênis de mesa, no Clube Sete. "Isso é importante e, com essa Olimpíada, eu tenho certeza que vai alavancar todos os esportes no Brasil”, ressalta Ruva.

Paulo Roberto Machinski, treinador de times de voleibol do município de Irati, também confirmou a crescente motivação pelo esporte. “Nessa época de Olimpíada percebi que a motivação dos alunos foi bem maior, até alunos novos apareceram, até com idades bem abaixo das idades que a gente tem costume de trabalhar. Tem criança que fez o pai vim trazer aqui porque ela estava acompanhando as Olimpíadas e queria muito começar jogar voleibol”, conta.

O interesse por diferentes modalidades também cresce entre aqueles que já estão envolvidos com o esporte. “Em alguns treinos eu tive que dar alguns exercícios de ginástica para as menores porque elas viram a ginástica artística. Uma coisa que fica das Olimpíadas é que as pessoas não fazem outro esporte por desconhecer e com a Olimpíada tiveram a oportunidade de ver e acompanhar 33 modalidades esportivas, e muitas que não são comuns, não são divulgadas”, conta Paulo.

Inspiração para os atletas brasileiros

As conquistas dos atletas brasileiros acabam servindo de inspiração também para quem já está participando de categorias de base em diversas modalidades. É o caso dos alunos Rafael de Oliveira Floriani, de 11 anos e do aluno Vitor Jean da Luz Roos, de 13 anos, que sonham em se tornar atletas profissionais. “Ver o Brasil ganhando incentiva bastante”, disse Vitor. “Incentiva muito os alunos, ainda mais com a conquista do ouro masculino, pena que o feminino não ganhou”, disse Rafael. “Incentiva, porque às vezes a gente pode estar numa Olimpíada jogando. Representar o Brasil”, explica Rafael.

Para a jogadora de vôlei Ana Claudia Pedroso, 18 anos, os jogos ajudam a sonhar com o futuro. “As Olimpíadas são um grande exemplo para todo mundo. Você vê cada história de superação de atleta que saiu de periferia, que agora está no pódio ganhando medalha de ouro, isso incentiva muita gente. Vários jovens da nossa idade participando e ganhando medalha, então qualquer um de nós consegue chegar lá, com certeza, basta ter vontade e sonha alto”, define.

O despertar para a prática da um esporte diferente também é destacado por Mariana Domingues, de 16 anos. “Tem muita gente que acaba não tendo muito acesso ao esporte e a Olimpíada, por passar na televisão, a população tem mais acesso, então é muito importante para as pessoas conhecerem outros esportes”, disse.

A motivação e o incentivo de continuar treinando também aparece nos depoimentos dos alunos mais novos. Letícia Vizinoni Okonovski, de 13 anos, conta que se espelha nos exemplos dos atletas. “Eu assistindo os jogos, eu vim para os treinos, eu queria mais e mais, eu queria ser igual a eles, jogar bastante”, disse. “Para mim motivou bastante. Eu pesquisei sobre a história dos atletas que estavam jogando e fez eu acreditar que qualquer um que quiser pode chegar lá e atingir os objetivos”, diz Maria Luisa Funes, de 14 anos.

Os jogos fizeram com que as meninas do voleibol do município sonhassem se tornar atletas profissionais. “Eu assistia com aquela vontade que o tempo passasse logo para eu chegar lá. Só me deu mais vontade de vim treinar para um dia chegar lá e conseguir medalha”, disse Julia Pedro, de 10 anos. “Motivou bastante. Eu achei muito legal porque os países competindo deu uma aflição no coração”, disse Anna Luisa Wunsch, de 9 anos. “Eu fiquei muito feliz de ver os atletas ganhando. Eu queria estar lá, por isso vou me esforçar bastante”, relata Ana Vitória Trindade Santos, de 9 anos. “Dá vontade de se esforçar mais, até chegar até lá”, conta Yasmin Alves, de 11 anos. “Incentivou. Deu mais vontade de vim treinar”, disse Bruna Letícia Colaço Ferreira, de 10 anos.

Atenção às categorias de base

Os treinadores Frederico Ruva e Paulo Roberto Machinski acreditam que as Olimpíadas podem ajudar com que as categorias de base de diversos esportes possam receber mais atenção.

O treinador Frederico Ruva ainda chama a atenção para o fato de que muitos atletas brasileiros que ganharam medalhas vêm exatamente de projetos de treinamento de base. “O que a gente notou de interessante é que muitos medalhistas e muitos participantes que chegam ao alto nível e chegaram a conseguir medalhas nas Olimpíadas são alunos que vieram das categorias pobres, são alunos que se superaram, que participaram de escolinhas, que tiveram muita ajuda dos seus técnicos, para daí chega a um alto nível e conseguir um pouco de patrocínio e um pouco de apoio”, disse.

Ele explica que em outros países, o treinamento dos alunos já começa com foco em premiações desse tipo, o que não acontece no Brasil. Além disso, ele acredita que as categorias de base poderiam ter mais incentivo e que as Olimpíadas podem servir de estímulo para que isso aconteça. “A gente gostaria que no nosso país fosse um pouco melhor esse incentivo. Com essa Olimpíada muita coisa pode mudar”, disse. Atualmente, as escolinhas da região são apoiadas de diversas maneiras: pelas prefeituras, clubes ou setor privado. No caso do C.A.O.U., há apoio apenas do clube, sem patrocínio de empresas.

Texto e fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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