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Edição 984 - Já nas bancas!
01/08/2016

Aluno da Apae de Prudentópolis conquista medalhas em competição internacional

Josenei Greczyczyn, de 25 anos, conquistou cinco medalhas em uma competição de atletismo realizada na Itália

Aluno da Apae de Prudentópolis conquista medalhas em competição internacional

O aluno das Apae de Prudentópolis, Josenei Greczyczyn, 25 anos, conquistou cinco medalhas em uma competição internacional de atletismo na última semana. Ele fez parte da delegação brasileira de mais de 30 membros que representaram o país no Trisome Games, uma competição realizada em Florença, na Itália, de 15 a 22 de julho e que reuniu atletas com síndrome de down de 30 países.

Foram conquistadas 3 medalhas de bronze e duas de prata. “A gente foi muito pé no chão mesmo, pensando se conseguir uma medalhinha ali, está bom demais! E para nossa surpresa a conseguimos cinco medalhas, o Josenei se destacou muito nas provas”, disse o treinador Wilson Bini Junior.

O atleta chegou perto do ouro, mas acabou não ganhando. “Somente nas provas de 100 metros que ele queimou a prova, senão ele teria conseguido mais uma medalha. Ele se confundiu com as linhas das raias, mas isso é justificável porque não temos uma pista de atletismo. Fazemos o treinamento ao lado da quadra, então nós improvisamos, porque na nossa cidade a gente não possui uma pista, nem na região tem uma pista adequada para o treinamento e isso torna o mérito melhor ainda, porque disputar com o mundo todo, com um pessoal que tem estrutura  para treinamento e a gente sem uma pista de atletismo”, disse.

Já na prova de 400 metros Josenei conseguiu ir bem e conquistou uma das medalhas de bronze no tempo total. “Ele teve a prova dos 400m, e nas outras provas ele não se confunde, porque ele já sai dentro da raia. Mas no 400m ele foi bem”, disse o treinador.

Uma das medalhas de prata veio no salto à distância onde Josenei fez um salto de 3.88. Outras duas medalhas de bronze vieram em conjunto com outros atletas brasileiros, uma na prova 4X100 e outra na 4X400.

Segundo o treinador, a expectativa estava na prova de 200 metros. “E eu estava com muita esperança na prova dos 200m, porque é a especialidade dele. Ele fez o 200m no primeiro dia que era a prova classificatória, ele fez um tempo de 29’30, e na outra bateria o Hector que é a da Costa Rica, fez um tempo de 29’11. No outro dia a gente estava com a expectativa para ele se superar, ele se classificou em segundo, e na final, ele e o Hector fizeram uma disputa muito acirrada mesmo, só que baixou demais o tempo dele, do Josenei baixou pra 28’80, só que o Hector bateu o recorde mundial, bateu o recorde na mesma prova, baixou pra 28’30. Então foi uma prova muito legal. Ele ficou em segundo, não deu pra ele conseguir o ouro”, disse o treinador.

Mesmo sem ter trazido o ouro, as cinco medalhas já fizeram Josenei ter seu momento de celebridade. No último fim de semana, quando chegou à Prudentópolis, Josenei foi recepcionado pela população, chegando a fazer uma carreata na cidade, com direito a fogos de artifícios em comemoração e tietagem.

A conquista do atleta trouxe orgulho também para seus pais. O pai Nelson Greczyczyn disse que toda a família esteve neste fim de semana com Josenei. “Sentimos muito orgulhosos com isso”, disse a mãe Tereza Greczyczyn.

Orgulho também define o sentimento dos dirigentes da Apae de Prudentópolis. Para o presidente, Júlio Cesar Kotsko, o aluno é um exemplo. “O Josenei para nós, para nossa instituição é um troféu, e um troféu de humildade, de dedicação, uma pessoa extremamente humana, de amor, a cada dia a gente se orgulha mais dele, é um prazer enorme em fazer parte da instituição que tem uma pessoa com tamanha dedicação, superando as suas limitações, os vários obstáculos que a vida impôs a ele, e também parabenizando o professor Junior Bini que tem essa dedicação, que tem essa humildade de pegar esse atleta e transformar ele em celebridade, e um orgulho para nossa escola”, disse.

Para a diretora, Miriam Marconato, a conquista do atleta é uma forma de incentivo. “De certa maneira o Josenei representa todos os nossos alunos aqui, todas as pessoas que são atendidas pela instituição, então, assim foi com muito orgulho, com muito carinho que a gente recebeu que ele estava sendo convocado, que agora ele é medalhista internacional e a gente pensa que todos os nossos alunos têm potencial e que a gente precisa investir mais ainda”, disse.

Segundo o treinador, a dedicação do atleta foi essencial para o resultado. “O diferencial dele é que ele é um aluno bastante dedicado, sempre foi um atleta dedicado, concentrado, a hora que eu passo as orientações para ele tenta fazer o máximo, eu vi aqui nas provas que ele fez ele deu o máximo, fez tudo que podia mesmo, então com isso a gente ficou muito feliz”, disse.

Já Josenei deseja trazer mais medalhas para a região. “Eu vou trazer bastante medalha”, disse.

Treinamento

O treinador Wilson Bini Junior trabalha com o atleta há doze anos e viu suas potencialidades logo no início. “Desde que eu já olhei para o Josenei eu já percebi que por ele ser um atleta com síndrome de down, com um porte físico magro e atlético, então, nas aulas de educação física começava explorar as potencialidades dos atletas nos saltos, na velocidade, nas corridas, e ele sempre foi diferenciado e com isso comecei a inscrever ele em jogos escolares aqui do Paraná, e ele sempre se destacou”, contou.

Com a evolução do atleta, o treinador começou inscrever Josenei em mais campeonatos até que ele teve a chance de participar das Olimpíadas da Apae, em Campo Mourão, onde ele ficou em primeiro lugar no estado nas provas de corrida de 50m e 100m. Depois disso, ele foi convocado para competir em Belo Horizonte, onde disputou nacionalmente. Foi a partir daí que ele teve a chance de participar de competições da Associação Brasileira de Desportos Para Deficientes Intelectuais (ABDEM), onde se destacou.

“Já faz uns seis anos que ele é o atleta brasileiro com síndrome de down mais veloz do Brasil, há seis anos consecutivos”, conta o treinador. O destaque ajudou Josenei conquistar a vaga para o mundial.

Atualmente, 20 alunos treinam esportes como o atletismo, tênis de mesa e futsal na Apae de Prudentópolis. No atletismo, são 12 alunos.

Infraestrutura

Um dos desafios para o treinamento é a falta de uma pista de atletismo. “O que a gente precisaria era de uma pista de atletismo e precisaria de mais horas de treinamento”, conta o treinador.

Outra dificuldade é a falta de projetos de incentivo em esporte.  “Hoje o governo não está nos oferecendo esses projetos que oferecem no ensino comum”, disse. “A gente tenta estar se virando para conseguir dar um treinamento adequando para os atletas”, relata o treinador.

O modo é tentar encontrar ajuda na própria cidade, o que pode ser difícil. “Eu acho que as cidades deveriam estar investindo mais no esporte individual,  em cidade do interior o pessoal investe muito no esporte coletivo, e eu acho que o esporte individual sempre fica uma margem, então eu gostaria que os nossos gestores investissem mais em atletismo, tênis de mesa, esportes individuais, que aqui na Apae têm um destaque muito grande, tanto o atletismo quanto o tênis de mesa”, conta.

Para a diretora, essa poderá ser uma oportunidade para que os investimentos apareçam. “Prudentópolis é um município pequeno então a gente sabe que tem carência em varias áreas, principalmente de esportes, de lazer e de recreação então precisa com certeza ser investido mais. A nossa instituição também em si tem que investir mais nesse aspecto, mas acredito assim que é uma caminhada, eu acredito que essa ida do Josenei da Itália para participar do Trisome Games seja de repente um marco importante, que vá despertar em todas as nossas autoridades de modo geral, em toda a nossa sociedade de repente esse olhar porque o Josenei é um menino especial que conseguiu de repente uma medalha, e quantos potenciais nós temos por aí”, disse.

Síndrome de Down e Paraolimpíadas

Os competidores do atletismo com síndrome de down competem juntamente com os deficientes intelectuais nas Paraolimpíadas. Segundo o treinador, Wilson Bini Junior, este é um entendimento que torna a competição injusta. “Então isso é complicado, porque a síndrome de down não tem como estar competindo na mesma classe do ensino intelectual e o deficiente [intelectual] tem uma parte motora preservada, parte física, e o síndrome de down é mais complicado a questão de coordenação. Acho que esse evento veio para reforçar isso, para que eles separem essa classe para que a síndrome de down possa estar tendo a oportunidade de estar participando de uma paraolimpíada. Até então somente o atleta com deficiência intelectual que terá a oportunidade de participar”, relata.

Texto e fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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