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Edição 1198 - Já nas bancas!
11/02/2020

Aumento da conta de água assusta consumidores em Irati

Consumidores de Irati registram um aumento de R$ 100 em contas referentes ao final do ano e começo do ano. Sanepar e Procon dão orientações para os consumidores

Aumento da conta de água assusta consumidores em Irati

O começo de ano foi de surpresa na conta de água de alguns consumidores de Irati. Desde o início do ano, muito consumidores tem reclamado nas redes sociais que o valor da conta de água dobrou, com aumentos de até R$ 100. O percentual de aumento é maior do que o anunciado pela Sanepar no ano passado.

Em comum, muitos consumidores relatam um aumento no consumo, mas não conseguem constatar vazamento de água no imóvel, nem registram troca do hidrômetro. Moradora da Vila São João, em Irati, Michele Chemin é uma das consumidoras que tem notado o aumento. “Faz 3 meses que está vindo quase R$300 de água. E eu nunca passei de R$120 na minha água. Esse mês veio R$257”, conta.

Ela ligou na Sanepar para ver sobre o aumento. “Liguei lá reclamando, eles me falaram que é vazamento, mas a gente já mexeu em tudo e não tem vazamento algum aqui”, disse.

Marise de Lara, moradora do centro, também notou o aumento na fatura de dezembro do ano passado, referente ao consumo de novembro. “De R$168 pulou para R$368”, relata. Em janeiro, o valor da fatura voltou ao antigo valor de R$ 168.

Quando recebeu a fatura com o valor alto, Marise chegou a reclamar com um funcionário da Sanepar. “Reclamei já no dia que chegou o talão. Aí veio um funcionário e falou que era erro de leitura. Era pra eu esperar chegar o próximo que eles iriam ver o que faziam. Mas fui lá de novo, aí veio outro funcionário já com um papel na mão dizendo que era consumo e não tinha nada para fazer”, disse. Marise também disse que não constatou vazamento em sua casa.

Com Maria Luiza Licovski, moradora do Conjunto Joaquim Zarpelon, houve o mesmo tipo de aumento. A fatura normalmente dava em torno de R$ 193, mas em janeiro subiu para R$ 293. “Sendo que não tive nenhum gasto a mais. Na verdade, meu gasto deveria vir menos do que o mês anterior, pois meu filho mais velho e minha filha foram passar as férias na casa da vó. Isso deveria reduzir minha fatura. E não aumentar em R$ 100”, disse. Ela também conta que não encontrou vazamento em casa.

A moradora da Vila Nova, Elaine Bedin, também tem o mesmo relato de aumento. “Sempre vem R$100, no máximo R$135. Nunca passou disso, mas esse mês foi de mais R$398. Fui na Sanepar ver o que estava acontecendo. Me falaram que era vazamento. Falei que vimos em todo lugar e não tinha”, conta.

Já no caso de Sueli Lopes de Oliveira, moradora da Vila São João, a reclamação surtiu efeito e a Sanepar reconheceu que houve erro na leitura do consumo. “Nós nos mudamos na casa nova, não deu um mês e eles cobraram 33 dias. O meu marido foi na Sanepar, eles enrolaram ele lá e nada resolvido. O meu marido, não satisfeito, voltou na Sanepar. A moça falou que era para tirar uma foto do registro e levar para ela. O meu marido fez isso. Levou lá na Sanepar a foto. Aí ela falou que realmente, a pessoa que tirou a leitura, tirou errado, porque era para dar R$ 149, deu R$ 249. Então, foi R$ 100 a mais que estavam cobrando de nós”, relata.

Sanepar

O jornal Hoje Centro Sul entrou em contato com a assessoria de imprensa da Sanepar sobre os problemas relatados pelos consumidores.

Em relação à situação em que a leitura de consumo é maior do que o normal, chegando a dobrar, e o relato dos consumidores de que não houve vazamento na propriedade, nem troca de hidrômetro e aumento de consumo, a Sanepar orientou que os consumidores devem entrar em contato com a empresa.

“O consumidor deve entrar em contato com a Sanepar no Atendimento ao Público (personalizado) e levar a leitura que se encontra no hidrômetro (números pretos). Quem tiver celular/smartphone a orientação é para que fotografe o hidrômetro e leve junto a imagem. Assim o atendente poderá explicar melhor o que significam os dados do hidrômetro, caso a pessoa tenha dificuldade em fazer a leitura”, disse a assessoria.

Nos casos em que o vazamento não foi encontrado e o consumidor ainda alega que não houve aumento de consumo, a orientação também é de procurar a Sanepar e levar junto, a leitura do hidrômetro.

Em outras situações, o consumidor também pode procurar o escritório da Sanepar para atendimento personalizado, levando a conta de água e a leitura do dia em que for ao escritório.

De acordo com a Sanepar, os funcionários que realizam a leitura do hidrômetro são terceirizados e treinados para a função.

Mais caminhos

O Procon também pode ser um caminho para o consumidor para solucionar problemas. Mas antes, a primeira atitude é procurar a própria Sanepar para tentar entender o que está acontecendo e tentar resolver o problema com a empresa. “Inicialmente, o consumidor quando tem algum problema, tem alguma dúvida, ele deve recorrer primeiramente à Sanepar”, disse o técnico do Procon, André Luis Martins Krupczak.

Se não conseguir uma solução, o consumidor pode então procurar o Procon. “Sempre que não há uma solução, não tem uma dúvida sanada, ou acredite que aquela dúvida é divergente do que acontece, pode vir até o Procon, com essa dúvida ou esse problema”, explica.

Antes de procurar o Procon, é preciso que o consumidor junte a documentação: a fatura com o aumento, no mínimo, faturas de três meses anteriores e um documento de identificação. “No momento já entramos em contato com a Sanepar, com a pessoa junto, para descobrir qual é o problema”, conta.

André destaca que cerca de 90% dos casos podem ser solucionados neste momento. Mas se ainda houver problemas, encaminhamentos também são feitos pelo Procon. “Caso não haja essa solução, entregamos uma documentação, explicando bem certinho e encaminhamos ao Juizado”, disse.

Alerta

O técnico alerta que determinados casos podem ser originados de situações contratuais. Por exemplo, caso o contrato não seja cumprido, as pessoas podem perder algumas vantagens e a conta subir. “Algumas empresas que vem e tem aquela redução por ser empresa de pequeno porte, mas vai estudar o caso e percebe que quebrou contrato. O contrato fala 10 metros cúbicos [de consumo] durante 5 meses, sempre mantendo o mínimo, e a pessoa extrapola”, disse.

Há também situações em que a média de consumo é calculada. Na zona rural, por exemplo, ao invés de ter uma leitura a cada mês, há uma a cada três meses, e nos meses em que a leitura não é feita, o consumo é calculado com base na média dos últimos 12 meses. “Janeiro verifiquei, e em fevereiro e março é utilizada a média de um ano. Passou no terceiro mês, e consumiu menos que a média, a próxima fatura irá vir num valor menor”, explica.

A média também pode ser feita em residências da zona urbana quando não é possível acessar o imóvel. “Na zona urbana, quando as pessoas estão viajando, o técnico não tem permissão de invadir as casas das pessoas, então ele vai, e às vezes tem cachorro. Se ele não consegue acessar, ele faz a média. Mas a média vai ser no máximo os últimos três meses”, disse.

Aumento na conta

Em abril de 2019, a Agência Reguladora do Paraná (AGEPAR) autorizou a Sanepar a aplicar reajuste da tarifa de 12,13% a partir de maio, no entanto o Tribunal de Contas do Estado (TCE) suspendeu e autorizou aplicar 8,37%.

Em outubro de 2019, o TCE autorizou a Sanepar a aplicar a diferença, dos 3,76%, a partir de novembro, além do retroativo (de maio a outubro).  Portanto, essa diferença não aplicada durante seis meses está sendo cobrada em seis parcelas, de novembro de 2019 até abril de 2020.

Texto: Karin Franco

Foto:Karin Franco/Hoje Centro Sul e Pixabay

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