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Edição 1221 - Já nas bancas!
10/12/2019

Estádio Emílio Gomes é revertido ao Município de Irati

Estádio Emílio Gomes é revertido ao Município de Irati

O terreno onde se localiza o Estádio Emílio Gomes, em Irati, foi revertido ao Município de Irati na quinta-feira (05). O local havia sido doado pelo poder público na década de 70 ao Iraty Sport Club, que realizava ali suas atividades.

Contudo, nesta semana, o Executivo (Prefeitura de Irati) mandou ao Legislativo (Câmara Municipal) um projeto de lei que pedia a reversão da doação, ou seja, que o terreno fosse devolvido ao Município. A justificativa é que na escritura pública, havia uma cláusula de reversão que estabelecia a devolução da área caso não houvesse ampliação das modalidades esportivas do Iraty Sport Club. Segundo a prefeitura, o próprio clube realizou uma declaração de que não havia registros da efetivação dessa ampliação das modalidades esportivas.

O projeto foi lido ainda na terça-feira (03), durante o expediente da Sessão Ordinária da Câmara Municipal,  e na quinta-feira (05) os vereadores aprovaram o projeto em única votação, com unanimidade, em uma rápida sessão extraordinária, realizada pela manhã. O projeto foi sancionado no mesmo dia e publicado na sexta-feira (06) no Diário Oficial.

A reversão foi feita após o terreno do Estádio Emílio Gomes estar em uma relação de imóveis do clube seriam leiloados na quarta-feira (04) por causa de processos judiciais. Entretanto, na terça-feira (03) uma liminar suspendeu o leilão do terreno onde o estádio se encontra. A decisão judicial não interferiu na venda de outros dois terrenos menores, também pertencentes ao clube, que foram leiloados no dia 04.

Processos

De acordo com documentos divulgados pela Rádio Najuá, terrenos do Iraty Sport Club iriam a leilão na quarta-feira (04). Um deles foi o terreno onde está o estádio e que até então pertencia ao clube.

A penhora do terreno era referente a um processo movido por Leandro Sandri, filho do ex-treinador Lori Sandri. No processo, o autor alega que o clube havia cedido 20% dos direitos da venda do atleta Tiago Fernandes Cavalcanti ao ex-treinador e que pagou apenas parte do valor combinado. O atleta foi vendido ao Clube Alemão Koln por US$1.875.000,00. Segundo a Rádio Najuá, a 1ª Vara Cível de Irati estipulou em 2018 que a dívida estaria em R$ 2.396.452,95.

O terreno do estádio iria a leilão na quarta-feira (04), mas uma liminar expedida em Curitiba suspendeu o leilão temporariamente.

Terreno leiloado

Entretanto, a liminar não suspendeu outro leilão que penhorava outros dois terrenos do Iraty Sport Club. Segundo a Rádio Najuá, dois terrenos, com áreas de 1.000 e 324 metros quadrados, foram arrematados por R$ 370 mil pela empresa PCI & Z Gestão de Negócios e Participações Ltda.

A área pega um terreno que fica na rua Vicente Machado, quase na esquina com a rua Pacífico Borges, que alcança um mini campo que é utilizado pelos sócios do clube.

A penhora é referente a uma ação trabalhista que foi movida pelo ex-jogador André Dias, que foi contratado pelo Iraty em 2005 e teve contrato rescindido três anos mais tarde.

Manobra jurídica

O presidente do clube, Cícero Moreira Gomes (Xiru), explica que o processo do terreno do estádio é um processo de 12 anos, e que o clube buscou assessoria jurídica de Sérgio Malucelli e da própria Prefeitura de Irati para tentar encontrar uma solução. “Nós fomos atrás de defender interesses do clube. Embora não fomos nós que geramos a situação, a rigor nós fomos pegos de surpresa, que é um assunto de 12 anos atrás”, conta.

Segundo ele, a parte menor leiloada não deve afetar o associado. “O fato é conseguimos salvar a maior parte, de mais de 14 mil metros quadrados, quando mil foram leiloados. Isso não afeta em nada a operacionalidade do clube, quanto diz a estádio, social”, relata.

Questionado sobre a manobra poder parecer um meio para fugir das dívidas, o presidente afirmou que tudo foi feito sob a lei. “São manobras absolutamente legais. Se não fosse legal, o juiz não teria cancelado o leilão”, disse.

Matrículas

O que foi ao leilão são três matrículas que o clube possui registradas em seu nome. Segundo o presidente, algumas áreas do clube não possuem matrícula e podem ser de usucapião. “O clube nunca se preocupou em abrir matrícula. Consultando o jurídico, nos disseram que tudo isso aí é usucapião que está há mais de 100 anos cercados pelo clube. O clube teria que fazer usucapião e abrir matrícula, mas não o fez até aqui. Isso vai ser assunto da próxima gestão”, conta.

Sobre a possibilidade de mesmo assim outras áreas irem a leilão, o presidente explica que pode existir, mas deve demorar. “Nada impede uma ação contra uma posse. Mas é muito mais difícil, é mais demorada. Se levou 12 anos com matrícula, sem matrícula até lá o clube vai buscar fazer valer os seus interesses”, explica.

Situação financeira

O episódio do leilão é somente mais um, frente a outras crises financeiras que o clube tem enfrentado nos últimos anos. Apesar disso, o presidente ameniza as dívidas. “Se você analisar hoje as dívidas internas do clube, seriam dívidas com folha de pagamento, que já não está tão atrasado porque já houve com a abertura da temporada de piscina, o retorno de sócios. Não é nada assustador”, conta. Mesmo assim, o valor total de dívidas não foi revelado.

O presidente também justifica que o valor que o Iraty recebe das vendas de ex-jogadores, no qual possui direito por ser o clube formador, ajuda nas contas do clube. Contudo, fatores como atrasos de pagamentos de parcelas e até mesmo a não efetivação de negociação com clubes internacionais faz com que as dificuldades financeiras apareçam. “Na nossa gestão passou quatro janelas internacionais e não vendeu ninguém”, conta. Segundo o presidente, a venda de um jogador poderia reverter recursos ao custeio das atividades do clube. “R$ 180 mil, se o clube não se envolver com futebol, paga dois anos de manutenção do clube”, disse.

Atrasos em pagamentos também colaboram para as dificuldades financeiras do clube. “O Palermo quebrou na Itália e passou a não pagar mais o passe do Bruno Henrique. Na nossa gestão são três parcelas, que representavam uns R$100 mil, que o Palermo não pagou. Isso nos atrapalhou, senão estaríamos com a conta rigorosamente em dia, quase que isso”, explica.

Mas ele alega que atualmente, tendo o futebol, a despesa é maior do que a receita. “Primeiro o clube tem uma renda de R$7 mil contra uma despesa de R$ 17 mil. O que salvava era o dinheiro do Bruno Henrique. Ajudava a cobrir o déficit. Outra coisa, nós nos envolvemos com futebol no ano de 2018 e foi muito difícil, tivemos que por dinheiro. Não íamos participar em 2019. Aí pedi uma licença a pedido do vice-presidente para ele tocar o futebol. Eu não ia tocar o futebol em 2019. Mais uma vez déficit, e até foi conseguido manter de uma forma que até foi muito difícil, mas se conseguiu. Hoje tem um grupo de conselheiros que é anti-futebol. Eles acham que tem pouco recurso, não há retorno de publicidade, é fraquíssimo”, disse.

O presidente diz que não há apoio de empresários iratienses e que o que há de publicidade é muito pouco. “Fui visitar o Cascavel, eles tem 82 sócios que pagam R$2 mil por mês. Eles venderam 10 mil camisas a R$50. Sabe quantos patrocínios conseguimos na camisa do Iraty em 2018? Nenhum. Subentende-se o quê? O comércio de Irati, o empresário de Irati não quer futebol. Então não se faz futebol. Não há apoio. A cidade de Irati não apoia o futebol”, relata.

Para o presidente, o valor dos ex-jogadores cobre as despesas do clube, mas não do futebol. “O valor não cobre. R$ 34 mil [valor de Bruno Henrique] para um futebol profissional é a gota d’água. Você tem um elenco de 40 jogadores a R$ 2 mil, só isso são R$ 80 mil por mês. Não cobre. A publicidade é mínima. Se você for lá, vai ver uma meia dúzia de ‘murinho’ [pintura de anúncios no muro do clube] que rende R$ 250 por mês. Infelizmente não há esse apoio”, disse.

A menos de um mês de terminar a gestão à frente do clube, o presidente diz que se não houver interesse externo não há como continuar com o futebol. “Se não vier uma ajuda externa de venda de jogador, uma parceria com uma grande empresa ou empresário futebolístico, o Iraty sozinho não sobrevive e em minha opinião não deve fazer futebol”, conta.

Texto: Karin Franco

Foto: Jonas Stefanechen/ Hoje Centro Sul

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