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Edição 1183 - Já nas bancas!
28/08/2019

Editorial - Saúde mental em debate

Editorial - Saúde mental em debate

Em nossa vida cotidiana, entramos em uma rotina tão programada que não nos damos conta das realizações do dia. É fácil ficar surpreso como o dia passou tão rápido e como já estamos no fim de agosto, quase setembro. “Meu Deus! Já vai ser Natal”, todos pensam.

Essa vida automática pode ser totalmente bagunçada de uma hora para outra com algum desastre. Um terremoto. Um incêndio. Um deslizamento. Um acidente. Qualquer ato pode modificar a sua vida para sempre.

Quando um desastre ocorre, aquela vida automática começa ser repensada. A vida e as prioridades são percebidas de modo diferente e muitos acabam mudando de uma hora para outra. Há também os que acabam tendo o desastre como o gatilho que faltava para que problemas anteriores viessem à tona. É aí que situações drásticas fazem florescer problemas como depressão, estresse, entre outros.

É para cuidar e orientar as pessoas durante esses momentos que psicólogos têm buscado entender como agir em situações dessas. No Congresso Internacional de Saúde Mental, sediado em Irati na última semana, esse foi um dos temas discutidos entre pesquisadores que relatam que ainda há mais o que ser explorado sobre a questão.

O próprio depoimento da psicóloga Débora Noal, que participa de ações do Médico Sem Fronteiras em diversos continentes, mostra que o tema tem sido avaliado há pouco tempo. Ela relata que até o início deste século, a ajuda para a saúde mental era enviada somente um mês após o acontecido. Foi só a partir de 2004, que as equipes de saúde mental começaram a chegar 24 horas após o ocorrido e começar a tratar das vítimas.

Ao mesmo tempo, a saúde mental começou a ganhar mais importância na nossa sociedade somente nos últimos anos, quando assuntos como depressão começaram a ser  melhor compreendidos e passaram a ser discutidos abertamente. A conscientização sobre o cuidado da saúde mental tem sido aos poucos e isso tem reflexos nas estruturas existentes, que se mostram frágeis quando um desastre acontece, como foi em Santa Maria (RS) em 2013.

Por isso, é importante que não se espere um desastre ou uma emergência acontecer para só então se mobilizar e tentar encontrar meios para oferecer cuidados para melhorar a saúde mental. No âmbito do poder público, é preciso cada vez mais repensar as estruturas e os atendimentos.

Já no âmbito pessoal, olhar e ressignificar a nossa vida, nosso cotidiano e encontrar as coisas que realmente importam pode ser um primeiro passo para cuidar da saúde mental.