facebooktwitterinstagramgoogle+
Edição 1135 - Já nas bancas!
11/03/2019

Editorial - Participação das mulheres na política precisa continuar crescendo

Editorial - Participação das mulheres na política precisa continuar crescendo

Atualmente, 15% dos parlamentares na Câmara de Deputados são mulheres. O número é maior do que a legislatura passada que tinha apenas 10% de representação feminina. No Senado, a representação feminina também cresceu.

Contudo, o crescimento ainda é pouco perto da desigualdade que há na política. É só olhar a região CentroSul. Dos 10municipios da Amcespar, apenas um é comandado por uma mulher. Nos legislativos municipais, Irati – um dos municípios com maior número de mulheres na região - não possui representatividade feminina, assim como Guamiranga. Na última eleição, em 2016, apenas Imbituva e Prudentópolis tiveram aumento da representação feminina no legislativo municipal.

A importância da representação feminina na política já é vista nacionalmente. Por exemplo, a Lei do Feminicídio, que agrava a pena de homicídios de ódio à mulher, foi criada em uma CPI Mista da Violência contra a Mulher formada por mulheres. A lei de importunação sexual, que visa combater o assédio sexual, nasceu de um projeto proposto por uma mulher. E esses são apenas alguns dos exemplos da importância de haver igualdade na representação política.

Na busca por promover essa igualdade, a Justiça Eleitoral tem proposto novas normas. Além da cota de 30% das candidaturas serem de mulheres, os partidos agora precisam cumprir essa regra para receber verbas do fundo partidário. Ao mesmo tempo, a Justiça Eleitoral exigiu que os partidos repassassem mais verbas às campanhas das mulheres.

No entanto, surgiram muitascandidatas laranjas, mulheres usadas pelo partido para cumprir o percentual da cota, mas que na realidade não são candidatas. No papel disputam a eleição, mas na realidade elas fazem campanhas para outros, ou até mesmo, nem participam do processo eleitoral.

Nos bastidores, a justificativa é que mulheres não participam da política e que desse modo, os partidos não possuem candidatas para cumprir as regras eleitorais. Essa justificativa não deixa exposto oreal motivo: para muitas parlamentares o ambiente político é carregado de machismo, e os partidos não se esforçam em construir e incentivar bases formadas por mulheres.

Para resolver isso, muito ainda tem que ser feito, especialmente no âmbito social. A punição de candidaturas laranjas, o fortalecimento dentro dos partidos dos grupos de mulheres e a conscientização do eleitor sobre a necessidade de maior representação são alguns dos caminhos para que o crescimento visto ano passado continue nas próximas eleições.