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Edição 1142 - Já nas bancas!
21/12/2018

Vacina é o meio mais eficaz para prevenção do sarampo, alerta 4ª Regional de Saúde

11 estados do país já possuem a doença que causou um surto no início do ano. 4ª Regional de Saúde alerta para necessidade da vacinação para que a doença não chegue ao Paraná

Vacina é o meio mais eficaz para prevenção do sarampo, alerta 4ª Regional de Saúde

A vacina contra o sarampo é uma das formas de prevenir para que a doença não chegue ao estado, segundo a chefe de epidemiologia da 4ª Regional de Saúde, Cleusimara Tumasz. “O último caso confirmado de sarampo no Paraná foi em 2000”, relata.

Com a maior circulação das pessoas no país, em virtude das férias e festas de fim de ano, o alerta no setor de saúde aumenta. Estados do norte do país, que ainda vivenciam um surto da doença, já contabilizam mortes. No Amazonas, seis pessoas morreram e mais de 9 mil casos de sarampo já foram confirmados pelo Ministério da Saúde. Os estados de Roraima e Pará também registraram mortes. Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Sergipe, Pernambuco, São Paulo, Rondônia, Distrito Federal e Bahia são estados que registraram casos confirmados de sarampo.

No Paraná, o índice de cobertura da vacinação está em 95%, o que é recomendável pelo Ministério da Saúde. No entanto, o estado registra uma particularidade. “Nós percebemos, falando no Paraná como um todo e também na região, a falta de homogeneidade. Algumas cidades com uma cobertura boa, acima de 95%, mas outros lugares com uma cobertura um pouco menor, de 80%, de 85%. Aí forma o bolsão de suscetíveis. Nós já temos um percentual de pessoas que não respondem tão bem à vacina. Então, somando àqueles que não tomam, vamos ter um grupo de pessoas suscetíveis e o que se percebeu lá, em Roraima e no Amazonas, é que as pessoas realmente não tinham vacina. A cobertura vacinal deles era precária. Por isso, o surto está de difícil controle”, explica Cleusimara.

No estado, a preocupação principal está nos adultos, especialmente nos que estão por volta de 29 anos. “Nos adultos, a cobertura não é tão boa. Porque muitos desses que já tem 29 anos ou mais não tinham essa vacina disponível quando nasceram, quando eram crianças. Então, eles não têm essa vacina no calendário. Eles devem realmente procurar para se vacinar”, alerta.

Vacina

Atualmente, crianças e jovens adultos recebem duas doses e adultos recebem apenas uma dose. “A vacina do sarampo são duas doses. As crianças a partir do um ano de idade até 29 anos devem ter duas doses, crianças e adultos. E a partir de 29 anos, 30 anos até 49 anos, uma dose é suficiente. Profissionais de saúde devem ter duas doses de vacina, independente da idade”, conta.

Nas crianças, o problema está na segunda dose tomada após o 1º ano. “As crianças com um ano de idade que vão fazer a dose 1, a cobertura é boa. Porque os pais geralmente levam, vão fazer as outras vacinas e acabam fazendo a tríplice viral também. A dose 2 não tem uma cobertura satisfatória”, disse.

Falta

Uma lei estadual obriga que pais ou responsáveis de estudantes apresentem um documento, antes da matrícula, provando que as vacinas das crianças estão atualizadas. Segundo Kelly Kosloski, da Divisão em Vigilância em Saúde da 4ª Regional de Saúde, a demanda acabou gerando um determinado desabastecimento em alguns lugares. “Isso demandou muito as unidades de saúde que não tinham essa procura tão grande. Teve fila, desabastecimento em alguma unidade, temporário, mas nem em todas as unidades”, conta.

Além de uma procura maior do que a normal, outros fatores como distribuição e fabricação podem fazer com que as vacinas não estejam disponíveis naquele momento. No início do ano, alguns laboratórios que fornecem a vacina passaram por reformas, o que diminuiu a produção. “Os laboratórios de vacinas passaram por adequações de estrutura por uma situação de melhoramento, uma sugestão até da Anvisa de melhoramento na questão da produção, então tiveram que passar por uma adequação e a produção foi comprometida. Então veio menos vacina do laboratório para o Ministério”, relata Cleusimara.

Kelly também explica que as vacinas são distribuídas pelo Ministério da Saúde que recomenda a otimização das doses para vacinar o máximo de pessoas possível. Casa frasco de vacina contra o sarampo possui 9 doses que devem ser feitas em até oito horas após o frasco ser aberto. “Você tem 25 unidades de saúde e recebe 100 doses. Você não vai colocar 4 doses de vacina por unidade de saúde. Você vai centralizar isso. Não é que não tenha vacina. É que às vezes naquela unidade de saúde e naquele dia não teve vacina”, relata.

Nesses casos, a orientação da 4ª Regional de Saúde é de que as pessoas tentem agendar a vacina, caso não se tenha naquele dia. “A mãe leva a criança para vacinar e naquele dia não tem a vacina. É importante que ela deixe agendado a volta em outro dia. Então, se não puder que marque para um agente de saúde ir, um agente comunitário, um técnico de enfermagem ou enfermeiro, ir na casa fazer a vacina. É importante ter essa proatividade de voltar no outro dia pra fazer”, recomenda Kelly.

Sarampo

É uma doença altamente contagiosa causada pelo vírus do sarampo, transmitida pelo ar. Crianças menores de cinco anos costumam ser mais suscetíveis por ainda não terem um sistema imunológico preparado.

Entre os primeiros sintomas está a febre alta. O paciente também pode apresentar erupções cutâneas vermelhas. “Ele solta como se fosse uma farinha depois quando já vai cicatrizando aquela lesão”, explica Cleusimara. As manchas começam do rosto para o corpo e olhos ficam avermelhados, com uma conjuntivite não purulenta.

Em casos mais graves, o sarampo pode deixar sequelas neurológicas e até mesmo causar a morte do paciente.

O sistema de prevenção mais eficaz é a vacinação. São duas doses para crianças e pessoas até 29 anos. Depois dos 30 anos, é apenas uma dose. A vacinação é distribuída gratuitamente para pessoas até 49 anos.

Texto: Karin Franco

Foto: Pixabay