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Edição 1102 - Já nas bancas!
21/12/2018

Natal pelo mundo: Conheça como é comemorado o Natal na Itália, Croácia e Polônia

Natal pelo mundo: Conheça como é comemorado o Natal na Itália, Croácia e Polônia

O Natal no Brasil é cercado de significado, de luz e esperança, onde as pessoas renovam as energias comemorando a data em família. Mas será que o Natal é comemorado da mesma forma em outros países? Conheça um pouco mais sobre as tradições natalinas da Itália, Croácia e Polônia.

Itália

O italiano Francesco Ruggiu é da região da Sardegna e vive no Brasil desde 2012. Professor de língua italiana em Irati, ele guarda muitas lembranças sobre o Natal de seu país. Segundo ele, o Natal na Itália é uma mistura de tradições antigas, religiosas, populares, gastronômicas e do consumismo.

Na sua família, ele conta que a data sempre foi muito aguardada. Como o clima é frio e com neve, a maioria das pessoas passa o Natal com familiares. Ele conta que se lembra das comemorações na casa dos avós. “Lembro muito do Natal na casa da minha avó materna. Todos íamos à missa e ficávamos fazendo bagunça e comendo panetone”, diz.

O italiano também recorda do tempo de criança, onde os presentes que eram trazidos pelo bom velhinho. “Quando eu tinha mais ou menos 10 anos, almoçávamos na casa da avó paterna com a toda a família. Depois íamos à casa da avó materna para receber os presentes dos vários Babbo Natale [Papai Noel] que passavam. Lembro que em um Natal meu pai precisou tirar os presentes das caixas para podermos entrar todos no carro”, relembra Francesco achando engraçado o acontecido.

A Itália, segundo o professor, é cheia de tradições, cada cidade do país tem uma tradição diferente, principalmente religiosa. “A tradição religiosa é em toda a Itália, no dia 16 de dezembro começa a novena. O presepe [presépio] normalmente é montado no dia 8 de dezembro e desmontado no dia 7 de janeiro. Entre eles, o mais famoso é o napoletano com as suas estátuas artesanais e de gente famosa. Os presépios podem ter três tipos, com estátuas estáticas ou em movimento, com pessoas paradas ou em movimento”, explica.

Algo peculiar para nós brasileiros, mas que na Itália é tradição, é jogar um pedaço de madeira na lareira. “Típico da região Lombardia, é costume jogar um pedaço de madeira na lareira quase sempre depois de um brinde. É na região da Toscana, tem La festa del ceppo na qual as crianças devem bater nele vendados”, conta o italiano.

A árvore de Natal também tem um destaque todo especial na decoração. A diferença é que há um dia certo para montar a árvore: geralmente no dia 8 em toda Itália. Em outras regiões, árvore é montada em dias diferentes como dia 7 em Milão e 6 na cidade de Bari.

Outra tradição é a da zampognari. “La zampogn é a gaita de fole. Lá leva o nome de zampognari. São pessoas vestidas como pastores que descem das montanhas e tocam músicas natalinas. Muito difundida no sul da Itália, mas presente em toda a península”, diz Francesco.

Já o Papai Noel tem nomes diferentes. “Nas regiões da Puglia chama-se San Nicola [São Nicolau], nas regiões do norte como Veneto, Friuli e Lombardia se chama Santa Lucia. Segundo a tradição italiana, Santa Lúcia aparece em seu burro e as crianças têm que deixar uma xícara de chá para a santa e um prato de farinha para o animal”, conta.

Outra figura importante é a Befana. “É uma bruxa que voa com uma vassoura e que passa nas casas entre a noite do dia cinco e seis de janeiro. Para as crianças boas, ela coloca doces dentro de uma meia, para as más, carvão”,  explica o italiano.

A ceia de Natal de um italiano é regada de muita comida, mas no dia 24 de dezembro, a tradição é de não comer carne. “No sul, e principalmente na região Campania, se come o peixe enguia. Tem também uma tradição de toda Itália que é de comer sete pratos de peixe. A comida mais típica são os doces que mudam de região para região. Mas os doces mais famosos são os panetones, pandoro, torrone, mandorlato e struffoli”, destaca.

Muitas outras tradições ainda são difundidas na Itália e muitas delas são características marcantes de cada região. “Em Abruzzo as férias de Natal abrem em 23 de dezembro com o toque de um sino chamado La Squilla. Esta tradição é seguida por uma procissão de adoradores com velas. Em Liguria, é costume decorar a casa com longas cordas com bagas de zimbro, folhas de louro, ramos de oliveira, macarrão e nozes”, conta.

Quando Francesco chegou ao Brasil percebeu muitas diferenças nas tradições e principalmente na ceia de Natal. “O meu primeiro Natal no Brasil foi em um navio de cruzeiro. O Natal em terra firme foi estranho, no sentido que aqui a missa é às 19 horas, ao invés de ser às 23 horas e  aqui tem uma janta normal”, diz.

Croácia

Milan Puh é professor e veio para o Brasil para estudar. Vindo da cidade de Pula na Croácia, ele já divide o amor pelos dois países há muitos anos. O país de origem de Milan é cercado por muitas tradições natalinas, já que o país é dividido em diferentes tradições ou regiões. “No litoral se come peixe, principalmente bacalhau, como em outros países do Mediterrâneo. Na parte central da Croácia, o costume é comer peru e na parte oriental da Croácia mais comidas defumadas como presunto e linguiça. Além disso, fazem muitos bolos e bolachas usando mel, cravo, canela, pimenta do reino e outras especiarias como o paprenjak”, conta o croata.

O Natal de Milan costuma ser regado por doces. “Na minha casa costuma ter bacalhau com macarrão e molho branco, algum prato com cogumelos que meu pai colhe no bosque atrás de casa, maionese com bastantes picles da minha mãe e doces que minha avó faz, como os feitos de mel (medenjak), feitos de nozes e chocolate (žerbo pita), de geleia de pêssego e rum (breskvice). Costumamos preparar tudo com bastante antecedência, vários pratos são repetidos, incluindo as carnes defumadas, pois a minha avó é do leste da Croácia”, conta.

Algumas tradições do Brasil não são praticadas na Croácia. “A principal diferença eu diria que na Croácia o mais forte é o almoço de Natal no dia 25 mesmo, porque na véspera as pessoas comem comidas leves, seguindo a mesma lógica da quaresma na Páscoa (nada de carnes fortes, muito leite ou queijo). No Brasil já tive que me acostumar com a ceia de Natal. Como faz frio na Croácia, as famílias costumam ficar muito mais em casa, conversando e convivendo, evitando sair, ao contrário dos brasileiros que estão na praia ou na casa de parentes e amigos”, explica.

Apesar de ainda morar no Brasil, Milan quando pode passar o Natal na Croácia leva um pouco do costume brasileiro para o país. “Quando vou, levo algumas bebidas e doces brasileiros para a minha família. Incentivo eles a sair um pouco de casa para passear pela cidade, ver a decoração e conhecer as pessoas”, disse Milan. 

Polônia

Anna Kozłowska mora na cidade Varsóvia na Polônia. Estudante de Letras da Universidade de Varsóvia, ela esteve no Brasil para realizar um intercâmbio. Por várias semanas conheceu as cidades do Rio de Janeiro, Curitiba, Foz do Iguaçu e algumas cidades do Sudeste Paranaense incluindo a cidade de Irati.

Anna destaca que a Polônia tem diferentes tradições. Embora pareça ser um país pequeno comparado ao Brasil, ele é dividido por regiões as quais possuem suas próprias tradições. “Como o país não é grande, tudo se mistura. A maioria das tradições tem origem pagã, mas com a chegada do cristianismo foi mudada a sua simbologia. Para nós eslavos, a noite de 24 de dezembro é muito significativa, pois os dias começam a ser mais longos do que as noites”, explica Anna.

A estudante comenta que a noite do dia 24 era especialmente importante para os seus antepassados. “Os nossos antepassados acreditavam na presença das almas dos seus parentes naquele dia, por isso muitos símbolos têm a ver com a tentativa de comunicar-se com eles”, revela.

O jantar Polonês no dia 24 só inicia quando a primeira estrela aparece no céu. “O jantar tradicional começa com o aparecimento da primeira estrela no céu. Antes preparamos a mesa. Colocamos o feno embaixo da toalha de mesa para fazer uma relação com Belém, antes esse feno foi um sacrifício para um Deus eslavo chamado Ziemiennik”, explica.

Após o jantar, é realizado, na cultura polonesa, os presságios. “O comprimento da palha escolhida simboliza a longitude da vida. Na mesa natalina há 12 pratos que antes simbolizavam os meses e agora os apóstolos”, diz Anna.

A comida servida durante a ceia é cercada de significado. “É comum na ceia preparar sopa de beterraba ou de cogumelos, pierogi, carpa, arenque, macarrão com papoula, kutia que é trigo (símbolo de riqueza) misturado com mel, nozes, bolo de papoula, pierniki (compota de frutas secas para beber)”, fala.

Na mesa do jantar de um polonês não pode faltar um lugar vazio para o convidado surpresa. “Deixamos um lugar vazio para o convidado inesperado, e antes este lugar foi dedicado a uma alma do membro da família. Temos também a árvore do Natal que é decorada com nozes coloridas, correntes e velas que simbolizam prosperidade, riqueza e protegem a casa perante os demônios eslavos”, comenta.

Além de muita comida, Anna conta que os poloneses cantam cantigas de natal, distribuem presentes e assistem a filmes engraçados na TV. “Cantamos kolędy [canção de Natal], desejamos tudo de melhor com opłatek [hóstia], temos Papai Noel com os presentes. É mais ou menos assim. E à meia-noite a Missa do Galo. Outra tradição engraçada é ver "Home alone" [filme Esqueceram de Mim] na TV”,  disse.

Mesmo com toda a tradição que existe na Polônia, muitas famílias não celebram o Natal de forma tão tradicional. Esse é o caso da família de Anna. “Não comemos carpa nem bebemos compota de frutas secas (detesto o cheiro). Não preparamos tanta comida porque depois ninguém consegue comer tudo. O Natal na minha família serve para ficarmos todos juntos. Quando neva, saímos para passear. Quando não neva e faz frio, ficamos em casa e cantamos, tocamos instrumentos (a minha família é bastante musical). Ou seja, acho que já perdemos este ambiente cristão, mas como vivemos numa determinada cultura, aproveitamos este tempo como preferimos”, explica. 

Quando Anna esteve no Brasil constatou diversas diferenças entre o natal Brasileiro e o natal Polonês. “Acho que vocês têm Missa do Galo mais cedo. Em geral, penso que na Polônia o Natal é mais importante do que no Brasil, ou seja, nas mídias se propaga mais (pode ser que por causa dos presentes e essa atmosfera idílica). Já a Páscoa não se celebra muito”.

A cidade de Irati conta com muitos descendentes de poloneses, os quais tentam preservar as tradições trazidas por seus ancestrais. Para Anna, as comunidades polonesas no Brasil conseguem manter de forma realista as tradições do seu país. “Acho que nas comunidades polonesas ainda se mantém muitas tradições natalinas. Ou seja, algumas são universais como o Papai Noel e a árvore de Natal, vi que as pessoas preparavam a comidas típica como kutia ou pierogi”, fala impressionada com o que viu.  

Texto: Silmara Andrade

Fotos: Arquivo pessoal

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