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Edição 1072 - Já nas bancas!
11/06/2018

O abuso pode ser evitado

O abuso pode ser evitado

O assunto é polêmico e um tabu para muitas famílias brasileiras. Porém, o abuso sexual contra crianças e adolescentes é um assunto que precisa ser discutido e debatido na sociedade. Somente o Disque 100, um serviço gratuito do Governo Federal para denúncias anônimas, registrou em 2017 mais de 22 mil denúncias de violência sexual contra crianças e adolescentes.

O assunto é delicado, mas o não falar dele é mais perigoso. Muitas crianças não conseguem reconhecer quando um abuso é realizado. A inocência não permite que se veja a malícia de um toque ou o entendimento que determinada situação que a está deixando desconfortável pode ser um abuso.

Além disso, na maioria das vezes esse abuso vem de alguém próximo, conhecido ou até mesmo um familiar. Com diversas tentativas de se agradar as crianças, dando brinquedos e doces, o agressor atrai a confiança dela e comete o abuso. A criança primeiramente não entende o que está acontecendo, e acaba silenciando, por medo de reprovações ou até mesmo de magoar outras pessoas.

Os pais são os principais atores que podem mudar essa história. No entanto, muitos não conseguem ter a consciência de que pode ser acontecendo uma situação de abuso sexual. Um dos exemplos são os casos de convívio conjugal de maiores de 18 anos com menores de 14 anos. Para muitos, esta situação é normal, já que principalmente para as meninas, o relacionamento com um homem mais velho pode ser o meio que ela encontrará para fugir de uma violência doméstica ou até mesmo da pobreza. Contudo, há o risco de essa menina, que muitas vezes possui 11,12 ou 13 anos, engravidar e perder um futuro de estudos ou trabalho, e até mesmo acabar ficando em uma situação pior, em um relacionamento abusivo que pode desencadear outra violência doméstica.

Por isso o trabalho de prevenção é importante. E nesse caso, a prevenção é realmente falar sobre o assunto com crianças e adolescentes. E a fala não precisa ser de uma maneira exposta, como muitos temem, mas sim de forma lúdica, através de teatros, histórias, contos e até mesmo conversas em uma linguagem adaptada a cada idade que será trabalhada.

Mas o que não pode acontecer é o não falar. As escolas são apontadas como o principal local para que o assunto seja debatido porque reúne todas as crianças e adolescentes em um único espaço, facilitando o trabalho de especialistas no assunto. Na última semana, tivemos no país um exemplo de um trabalho positivo: um homem de 33 anos foi preso na terça-feira (29), após duas meninas de 10 anos terem relatado à professora o abuso que sofriam. O relato aconteceu após uma palestra sobre violência sexual contra crianças.

Este não é o primeiro caso, nem será o último. Mas a conscientização sobre o assunto é necessária para conseguir combater este crime perverso.