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Edição 1072 - Já nas bancas!
13/04/2018

Atrasos nas entregas feitas pelos Correios geram transtornos para os consumidores

Encomendas que demoram meses para chegar, contas entregues apenas depois do prazo de vencimento e problemas no atendimento direto nas agências dos Correios tem sido motivo de muitas reclamações dos consumidores

Atrasos nas entregas feitas pelos Correios geram transtornos para os consumidores

Não é difícil encontrar pessoas que estejam insatisfeitas com o funcionamento dos Correios nos últimos tempos. A demora na entrega de correspondências e encomendas tem ocasionado transtornos para as pessoas. Além disso, têm se intensificado os problemas na estrutura para o atendimento ao público nas agências.  Na agência de Irati, por exemplo, há filas enormes, equipamento que fornece senhaestragado, falta de cadeiras e número reduzido de funcionários para atender –  fatos que têm motivado reclamações.

Aparecida Freitas Ribeiro é uma das pessoas que convive com esses problemas. Ela precisa ir até o Correio no mínimo uma vez por semana, onde efetua alguns pagamentos e envia encomendas para sua filha, que mora fora do Brasil. “Antes tinha onde a gente sentar. Agora ainda tem, mas se sentar perde a fila. Antes, a gente chegava, pegava senha e ficava tranquilo, esperava sentada, mas agora a máquina estragou e nunca mais arrumaram. Fica um monte de fila. O pessoal do balcão não vence atender”, conta.

Mesmo com a demora no atendimento, Aparecida elogia a atenção que os funcionários dão a ela. “A gente vê que eles estão apurados, com muita coisa para fazer, mas eles não deixam de tratar bem. Acho que até eles ficam incomodados com a demora no atendimento e também pelo equipamento estar estragado, mas vão fazer o quê? São apenas funcionários”,comenta.

Os Correios, através de sua assessoria de imprensa em Curitiba, alegam que não há falta de funcionários, mas uma adequação às novas tecnologias. “Não há falta de efetivo. Os Correios estão ajustando seus processos com a introdução de novas tecnologias e a automação dos fluxos operacionais. Ao mesmo tempo, estão adequando a sua força de trabalho, considerando a queda dos serviços de mensagens e o crescimento das encomendas”.

Greves

Recentemente ocorreram várias greves. Internamente, trabalhadores que não quiseram se identificar, contam que há diminuição da quantidade de funcionários. Alguns trabalhos que eram realizados por carteiros, hoje são feitos por trabalhadores terceirizados. Além disso, muitos concursados estão encerrando seus contratos em troca de acertos, o que faz com que o efetivo diminua.

Nenhum concurso está previsto para repor esses funcionários. Várias greves foram realizadas pelos trabalhadores para tentar mostrar que não estão satisfeitos com isso e com outras questões.

Segundo a assessoria, não há movimento para nova greve. “A greve é um direito do trabalhador. Porém, não há nenhuma movimentação neste sentido no momento. A última paralisação de empregados, iniciada no dia 12 de março, teve adesão de aproximadamente 15% do efetivo total dos Correios. O movimento estava relacionado, essencialmente, às discussões sobre o custeio do plano de saúde da empresa”, comenta.

Demora

Desde o início deste ano, a demora para a entrega de correspondências e encomendas pelos Correios aumentou muito, o que tem prejudicado as pessoas. Até mesmo correspondências de contas estão chegando aos clientes, muitas vezes, depois da data de vencimento.Antes o atraso se dava apenas para encomendas vindas de outros países, principalmente os países asiáticos, mas hoje já se têm reclamações de atrasos de correspondências e encomendas vindas de vários lugares do Brasil.

É o caso de Juliana Cardoso, que é adepta a compras pela internet. Entre os sites que utiliza para comprar está o Mercado Livre e o site asiático Alliexpress. Ela relata que vem sofrendo há muito tempo com a demora das entregas. “Eu gosto de comprar roupas e alguns presentes também pela internet. Eu já compro há muitos anos e nunca demorou tanto para chegar como está demorando agora. Tem encomenda minha que é do ano passado, que já faz uns oito meses que comprei e nada de chegar”, conta.

Outra reclamação da consumidoraé que muitos itens chegam danificados. “No ano passado eu encomendei uma paleta de maquiagem. Ela chegou depois de dois meses. Até chegou rápido, porém, quando fui abrir, ela estava toda quebrada. As sombras todas moídas. Parece que tinha sido jogada. Fiquei frustrada, pois estava esperando com ansiedade. Era uma coisa que eu queria muito”.

Julianacomenta que algumas contas também estão chegando depois do prazo de vencimento. “Aconteceu esses dias. Nada da minha conta de telefone chegar. Tive que entrar em contato com a empresa para pegar a segunda via. Passaram três dias de vencido, então a conta chegou. Ainda bem que eu já tinha pagado”, diz.

Segundo aassessoria dos Correios, uma das causas de demora da entrega de encomendas vindas de outro país é o tipo serviço utilizado no transporte. “A maioria desses objetos tem como origem países asiáticos, principalmente a China. Os serviços utilizados por esses vendedores foram modelados para correspondências e não para encomendas, que têm um processo diferenciado de tratamento e entrega”.

A metade das encomendas vindas desses países chega ao Brasil postada como encomenda simples. “Do volume diário que chega da China, por exemplo, cerca de 50% é postado como Pequena Encomenda Simples, ou seja, sem qualquer tipo de registro. E a outra metade é postada como Pequena Encomenda Registrada, que tem registro, mas é um serviço pouco qualificado”, informa a assessoria dos Correios.

Outro fato que dificulta que essas encomendas  cheguem é a falta de dados essenciais para a entrega. Sem as informações, as encomendas não podem ser lidas pela máquina de triagem, tendo que ser feita a conferência manual, de acordo com a assessoria dos Correios. “Além disso, essas importações apresentam outros problemas, percebidos também por outros países, como o não envio das informações eletrônicas e a utilização de etiquetas fora do padrão. As etiquetas de endereçamento não trazem a informação do CEP do destinatário em código de barras, o que impossibilita que essa carga seja induzida em máquina de triagem automatizada. Esse tratamento manual impacta todo o processo, inclusive o prazo”.

Muitas impressões também são enviadas com baixa qualidade, fazendo com que o objeto precise de nova etiqueta. Isso atrasa ainda mais a entrega, já que precisam conferir produto por produto.

A assessoria dos Correios explica que muitos consumidores desconhecem as implicações do frete grátis e seus impactos. “Como os compradores não compreendem o que está por trás do frete grátis oferecido pelos vendedores no exterior e suas implicações para o processo operacional no Brasil, o prazo de entrega dilatado gera muita insatisfação e muitas reclamações dos destinatários. É compreensível, pois as pessoas desejam receber seus produtos o mais rápido possível e não conhecem as limitações desses serviços”, fala.

Reajuste

No início do mês de março, os clientes dos Correios foram surpreendidos por um reajuste no valor para o envio de correspondência. “Houve reajuste nas tarifas de serviços de encomendas, em março deste ano, com média de 8% para os objetos postados entre capitais e nos âmbitos local e estadual, que representam a grande maioria das postagens realizadas nos Correios. Trata-se de uma revisão anual, prevista em contrato”, explica a assessoria dos Correios.

Antes do aumento dos valores, os clientes que possuem contrato com os Correios receberam uma tabela, que informava as mudanças. Já os clientes que postam diretamente no balcão, podem consultar as tabelas de preços no portal dos Correios.

A assessoria dos Correios afirma que o reajuste foi necessário. “No segmento de encomendas, os Correios concorrem com empresas privadas e o cálculo do reajuste é baseado na variação dos custos, tendências do mercado e evolução do cenário comercial de livre concorrência. São considerados, por exemplo, custos com transporte, pagamento de pessoal, aluguel de imóveis, combustível, contratação de recursos para segurança, entre outros”.

Texto/ Fotos: Silmara Andrade/Hoje Centro Sul

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