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Edição 1050 - Já nas bancas!
07/03/2018

Você conhece as novas normas estabelecidas para o casamento?

Você conhece as novas normas estabelecidas para o casamento?

Os noivos que irão se casar na igreja católica a partir desse ano deverão seguir normas diferentes. As normas valem para casamentos celebrados nas 17 cidades pertencentes à Diocese de Ponta Grossa.

O diácono permanente da Paróquia São Batista, Agostinho Basso, explica que a intenção das novas regras é fazer com que a celebração foque no sacramento do matrimônio, que possui ritos católicos próprios para sua realização. “O sacramento é tornar sagrado, você consagrar o matrimônio”, explica.

Segundo ele, as normas têm o objetivo de evitar exageros. “A igreja vem se preocupando com os exageros das celebrações do matrimônio na igreja porque como é um sacramento e possui um rito próprio, a Diocese de Ponta Grossa decidiu normatizar tudo isso. Não é nada grandioso, mas algumas regras se faziam necessárias”, comentou.

As regras foram definidas em 2016, após diversas reuniões entre padres e liturgistas, e depois compiladas em um manual que é entregue aos noivos. O ano de 2017 foi um ano de adaptação, onde a Diocese apresentou as normas aos noivos e a diversas empresas especializadas em matrimônio na igreja católica. As normas passaram a valer a partir deste ano.

De acordo com o diácono, as novas normas são relacionadas às cerimônias religiosas realizadas pela igreja católica. Elas não se estendem a outras cerimônias realizadas fora da igreja ou às festas realizadas após o casamento. “A parte da festa no salão, a igreja jamais vai falar alguma coisa sobre isso, porque não é esse objetivo”, conta.

Padrinhos

As novas normas não permitem mais a entrada de padrinhos e madrinhas nas igrejas antes dos noivos, como estava sendo praticado. A partir de agora só será permitido que os padrinhos entrem na igreja como qualquer convidado e se sentem na primeira fila.

“A igreja exige dois casais de padrinhos que terão seus nomes no processo de matrimônio e eles têm nome e endereço, e tudo mais. Eles vão assinar o processo juntamente com os noivos como testemunhas oculares daquele matrimônio. O que a igreja pede é que sejam dois, mas não impede que sejam dez. A única coisa é que não vai existir é a entrada dos padrinhos”, explica.A entrada ficará com a seguinte ordem: os pais do noivo e noiva, o noivo, dois pajens e a noiva.

Cantos

Outra norma é em relação às músicas utilizadas na cerimônia. Só serão permitidas as músicas litúrgicas católicas. Não serão permitidas músicas de outros ritmos, até mesmo, o gospel. “A igreja católica, dentro de um templo, de um rito católico, de um sacramento, não fica bem pegar outros tipos de música. Ela prefere que seja algo a ver com a oração e a espiritualidade do sacramento. Em todas as paróquias haverá uma lista de cantos, com diversas opções, e os noivos poderão escolher, ou até mesmo, os noivos podem trazer para ser avaliado o canto, desde que seja um canto católico, cristão e propício para o momento”, relata.

Fotografias

As normas trazem também orientação para fotógrafos que deverão evitar tirar fotos no momento reservado ao evangelho e na hora da homília, além de proibir a utilização de drone e iluminação muito forte. “Porque aquela hora é para ouvir a palavra de Deus”, relata o diácono.

Outra orientação também é quanto ao posicionamento do fotógrafo. “Não são orientados a utilizar do presbitério, que é o local quase sempre mais elevado na igreja, onde fica o padre, aonde tem o altar, aonde tem a mesa da palavra – o ambão – e onde tem o sacrário. Aquele local é religioso. Próprio do ministro ordenado que está celebrando o casamento. Não é raro de ter que pedir licença para o rapaz da foto para poder celebrar o casamento. Ou coloca o tripé no meio do corredor. Também não pode colocar nada sobre o altar, ele é o lugar mais sagrado de uma igreja. Lá não é lugar para colocar máquina, bateria”, conta.

Ornamento

A ornamentação das igrejas continua a ser permitida, no entanto, a ornamentação deverá ser mais sóbria, evitando grandes ornamentos e exageros. A igreja também não permitirá que sejam mexidas as estruturas da própria igreja, especialmente em tempos litúrgicos como o tempo de natal, tempo de advento e tempo de quaresma. “Não se mexa na ornamentação da igreja. Acontecia em épocas de Natal que a noiva não queria o pinheiro de Natal. Era tirado. Mas isso é da comunidade”, relata.

Ainda não serão permitidos arranjos que tapem a visão do altar, nem arranjos de flores no altar, considerado um lugar sagrado. Também não serão permitidos arranjos que possam prejudicar o patrimônio da igreja, como arranjos em que são colocadas tachinhas ou pregos em bancos da igreja.

Credencial

As empresas que trabalharão em casamentos da região deverão ser credenciadas na Diocese de Ponta Grossa. Em caso de empresas de fora da região, elas também deverão fazer o credenciamento gratuito na Diocese, onde receberão o manual com as instruções e assinarãoum documento dizendo estarem cientes das instruções.As empresas também deverão ser responsáveis por trazer equipamentos de decoração e som aos casamentos.

Templo

Os casamentos apenas serão celebrados pela igreja católica em templos públicos. “Templo público são igrejas em que são abertas as portas, inclusive na hora da celebração. Por isso, a igreja não autoriza fazer a celebração em uma chácara”, conta. Um dos motivos é que o casamento é um ato público e a entrada para assistir a cerimônia precisa ser permitida a qualquer um. Lugares como capelas em espaços privados não são permitidos.

No entanto, é possível que o casal se case na igreja católica e depois peça para que se faça uma benção do casal em um local fora da igreja, com uma benção e uma reflexão da palavra de Deus. Porém, o diácono esclarece que não pode ter características que possam ser interpretadas como um ato do casamento. “Não vai ter bênçãos das alianças, trocas das alianças, não tem o consentimento. Ele [o padre ou ministro ordenado] não pode nem ir paramentado, com túnica, ou estola, ou qualquer outro paramento.A igreja católica não pode fazer um simulacro de matrimônio”, explica.

As normas também exigem o cumprimento do horário das celebrações, evitando assim, o famoso atraso da noiva.

Reações

As novas normas para o casamento católico surpreenderam alguns noivos. Exemplo disso são os noivos Ariane Fátima Rodrigues e Marco Antônio dos Santos Pepe, que se casarão em maio. A noiva conta de início foi difícil entender as novas regras. “Confesso que de início foi complicado aceitar porque nós estávamos acostumados com a entrada dos padrinhos, colocar uma música que talvez não seja de igreja, mas seja bonita, então teve várias situações que questionamos bastante”, disse.

Após conversar com três padres, em igrejas diferentes, o casal começou a compreender as mudanças. “Entendemos que embora não haja a entrada dos padrinhos, e tudo é diferente, mas existe o baile em que a gente pode fazer”, comentou.

Já para o casal MaríliaSetnarski e Allan Douglas Chami, que se casam em setembro, as mudanças não tiveram grande impacto, pois, em alguns itens, o casal já pensava conforme as novas regras. “A nossa forma de ver a cerimônia do matrimônio já estava ligada às novas regras”, disse.

Ela conta que o casal foi se adequando às novas regras, principalmente em relação aos padrinhos. “Vamos ter mais padrinhos, mas no momento que convidamos já explicamos que não vai ter a entrada. Todos que convidamos até agora, entenderam”, conta. Ela ainda comenta que a única dificuldade está nos pajens, já que as regras limitam em apenas dois, e o casal possui muitos afilhados.

Exageros

O diácono conta que as normas precisaram ser definidas após muitos exageros. “Nós tivemos um casamento em que os noivos tiveram a ideia de trazer as alianças em um drone. Fica um espetáculo arriscado porque pode bater na cabeça de alguém. A responsabilidade é da igreja”, conta.“Nos já tivemos um casamento na diocese em que quem trouxe as alianças foi um cachorrinho da noiva.Já aconteceu de entrar soprando bolhas de sabão, aí as madrinhas estavam de salto alto e caiam. Já aconteceram quedas absurdas dentro da igreja por causa de bolhas de sabão”, relata.

Outros casamentos trouxeram situações delicadas. “Já teve uma noiva que preferiu fazer o tapete inteiro de vidro. Além de ser liso, teve o constrangimento das madrinhas que foram de vestido curto, porque o tapete era de espelho. O que era para ser uma coisa bonita, virou uma coisa esquisita”, destaca.

Texto: Karin Franco/Hoje Centro Sul

Foto: Karin Franco e Silmara Andrade/Hoje Centro Sul e Divulgação

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