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Edição 1010 - Já nas bancas!
01/12/2017

Banco do Brasil fecha agência em Inácio Martins

Moradores de Inácio Martins contam como está a rotina sem a agência bancária uma semana após o fechamento.

Banco do Brasil fecha agência em Inácio Martins

Na última semana, o pintor Aguinaldo Casagrande e sua esposa, Andréia Casagrande, saíram de Inácio Martins para Irati. O motivo foi simples: Andréia precisava liberar o acesso ao aplicativo do banco em seu celular. “Ela teve que ir lá para liberar de novo. São 50 km só para ir no banco”, conta Aguinaldo.

Essa tem sido a rotina dos moradores de Inácio Martins uma semana após a agência do Banco do Brasil do município ter fechado as portas na segunda-feira (20). Atualmente, o município possui um ponto de atendimento do Banco do Brasil localizado junto aos Correios.

No entanto, apesar de oferecer os serviços essenciais para movimentação financeira de pessoas físicas como saques e depósitos, alguns moradores reclamam da limitação dos serviços do ponto de atendimento como limitação de saque e pedidos de empréstimos.

Essa dificuldade acontece porque muitos moradores possuem o costume de retirar o salário integral para o pagamento das contas. Para o mecânico Juliano Felipe Burack, os moradores têm dificuldade no saque porque os pontos de atendimento não costumam ter muito dinheiro em espécie disponível. Com isso, é necessário que o morador vá mais vezes aos pontos de atendimento. “Prejudicou a população no geral. Quem tinha conta, desde o pagamento de carro, tudo tem que ir pra Irati, ou pagar uma taxa extra pro despachante. A parte que foi transferida para outros bancos, a pessoa que vai receber os salários tem que ir três, quatro dias para receber. Eles falam que não tem dinheiro por ser só um ponto de atendimento, não é agência. Não consegue atender todo mundo. Época de pagamento pessoal do interior, principalmente, tem que vir duas, três vezes pra receber”, relata.

Outra dificuldade é com os moradores que ainda usam o cheque, outro costume presente na população de Inácio Martins. João Carlos Lemos é funcionário de um posto de combustível e conta que era comum a troca de cheques do Banco do Brasil. Contudo, com a notícia do fechamento, a troca de cheques ficou mais difícil para os moradores. “Tem gente que ainda tem cheque. Nós aqui nem trocamos mais. Nós trocávamos cheque do Banco do Brasil, mas agora não trocamos mais”, disse.

Ele conta também que o fechamento prejudicou o comércio que usava os serviços do banco. “Dependendo da quantia, não retira. Dependendo da ocasião tem que ser em Irati”, disse.

A gerente de um supermercado, Joseane Gonçalves Padilha, conta que a empresa pensa em mudar de banco, já que os serviços financeiros ficaram prejudicados com o fechamento da agência. O supermercado usava diariamente os serviços, como o pagamento a fornecedores, chegando a usar até três vezes durante o mesmo dia. “Pra nós quebrou a perna porque era tudo ali. Agora não sabemos o que vai ser feito, se irá mudar de banco, mudar as contas. Agora a gente está pedindo boletos de outros bancos. Boleto para depósitos de outros bancos, porque consegue fazer na Caixa e no Itaú”, conta.

Para os agricultores, a dificuldade é maior. Muitos não têm informação onde podem obter o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf). Tradicionalmente, a adesão ao programa de crédito era feita no Banco do Brasil. “Esse banco vai fazer falta principalmente pro agricultor. Se você quiser fazer o Pronaf, não sei como será. Diz que vai ser terceirizado, mas temos que ver se funciona”, conta o lavrador João Maria Correia.

A principal dificuldade tem sido a falta de informações dos próprios moradores sobre os serviços. O lavrador conta que já soube de beneficiários do programa Família Paranaense que foram à Irati buscar o benefício, mas não conseguiram sacar porque não tinham informações que precisavam. “As mulheres foram em Irati pra pegar o dinheiro, mas não souberam se explicar. Diz que tem uma portaria que tem que fazer um questionamento, e as mulheres não souberam se informar e voltaram sem receber o dinheiro”, conta.

A moradora Eva Ferreira, da localidade de São Domingos, interior de Inácio Martins, também conta da dificuldade do deslocamento. “Vai fazer bastante falta porque tem que ir para Guarapuava ou Irati. Meu marido mais que lida com o banco. Agora ele tem que ir para Guarapuava porque de onde morávamos é mais perto”, relata.

Fechamento de agências

Inácio Martins não é a única cidade brasileira que vem sofrendo com o fechamento de bancos. Segundo um estudo do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (DIEESE) - Rede Bancários sobre desempenho dos bancos, foram mais de 700 agências fechadas de 2016 a 2017 somando apenas os bancos Santander, Itaú e Banco do Brasil.

Dados do Banco Central também revelam a diminuição de agências no último ano. Reunindo os dados de todos os bancos, foram mais de mil agências fechadas neste ano. Somente neste segundo semestre já foram mais de 300 agências fechadas.

Em outubro de 2016, o Banco Central contabilizava 23.460 agências (incluindo agências dos demais segmentos, além do bancário). Em julho de 2017, o número baixou para 22.441 agências, uma redução de 4,5%. Já em outubro deste ano, o número de agências passou para 22.050. Comparado ao ano passado, a redução de agências neste ano foi de 6,28%.

O estudo do DIEESE aponta que um dos motivos é uma política dos bancos de migrar o atendimento tradicional nas agências bancárias para os serviços oferecidos por meio de canais digitais como a internet e mobile banking, realizado pelos celulares.

A intenção de investir em modos mais atuais de consumo é confirmada pela assessoria de imprensa do Banco do Brasil que destaca que o objetivo é facilitar o consumo através de cartões. “O BB busca sistematicamente ampliar a emissão e aceitação dos cartões de crédito e débito para o consumo de produtos e serviços em substituição ao papel moeda, com ganhos de agilidade e conveniência”, destaca nota da assessoria.

Banco do Brasil

Outro motivo apontado é a segurança em pequenos municípios. Inácio Martins, por exemplo, tem sido alvo de quadrilhas de assalto a banco nos últimos anos. No ano passado, a agência do Banco do Brasil foi explodida por uma quadrilha. Outros bancos, como a agência do Itaú, também sofreram com assaltos.

Não há uma confirmação oficial sobre o motivo do fechamento da agência de Inácio Martins, mas a segurança é um dos pontos ressaltados em uma nota da assessoria de imprensa do Banco do Brasil, ao explicar a reorganização da instituição anunciada no ano passado e que afetou diversas agências no Paraná. “O Banco do Brasil avalia continuamente a estrutura e funcionamento da sua rede de agências. A análise de fatores como segurança, rotina e hábitos de cada praça definem a sustentabilidade do negócio”, disse em nota.

Banco Postal

Outro serviço que correu o risco de acabar foi o Banco Postal, oferecidos através de uma parceira com o Banco do Brasil e os Correios. No segundo semestre, os Correios chegaram a ameaçar a interrupção deste tipo de serviço.

No entanto, um acordo permitiu que os serviços continuassem a ser oferecidos até janeiro de 2018. “Os Correios e o Banco do Brasil chegaram a entendimento para a continuidade dos serviços do Banco Postal. O acordo a ser formalizado entre as duas instituições permitirá encontrar solução para manter, até 31 de janeiro, o funcionamento de todos os pontos de atendimento do Banco Postal que seriam encerrados no dia 11/10. Nos quatro meses, as duas instituições irão negociar alternativas para viabilizar a permanência da parceria”, destaca nota da assessoria do Banco do Brasil.

Atendimentos

O Banco do Brasil também destaca que além do Banco Postal, os clientes possuem outros meios de atendimento. “Como alternativa ao atendimento, os clientes podem utilizar correspondentes bancários e casas lotéricas para saques e consulta a saldos e extratos, além da rede Banco 24 Horas para transações de saques, consulta a saldos e extratos, recebimento de benefício e pagamento de contas. Além dos canais de atendimento físico, os clientes podem realizar transações diversas pela internet, pelo aplicativo mobile e pela central de atendimento, através do telefone 4004-0001 em capitais ou 0800 729 0001 em demais cidades do país”, destaca nota da assessoria.

Texto/Fotos: Karin Franco/Hoje Centro Sul

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